20

Set

Memória ambiental…

Ainda inspirada na mesa redonda realizada ontem à tarde no Seminário Cidade, Memória e os Desafios do Modo de Viver, na qual representava a Associação Profissional dos Geógrafos (APROGEO) e também “o lado feminino da força” e, cujos participantes além de mim eram grandes especialistas sobre Patrimônio histórico-cultural e/ou sobre Cidades tais como: Romeu Duarte, Inácio Arruda, Robledo Valente, Custódio Santos e Campelo Costa, resolvo escrever um pouco sobre MEMÓRIA AMBIENTAL.

 

Sim, memória ambiental aparentemente é o que tem faltando à quase todos que consideram natural a desnaturalização em cidades. 

Podemos e devemos buscar preservar nosso patrimônio ambiental/paisagístico concedendo chancela a uma ou duas árvores centenárias existentes em uma praça ou rua da cidade, mas isso somente terá valor se ao olhar para a referida árvore, lembrarmos que tudo ao redor dela um dia já foi floresta e hoje só existe concreto.

E não, isso não pode ser considerado algo banal.

Enquanto fazemos de conta “que não é com a gente”, todos os dias nossa cidade perde natureza. Todos os dias os grupos ambientalistas são obrigados a protestar contra uma aberração realizada por gestores que deveriam estar defendendo nosso patrimônio natural.

Ontem na mesa redonda, enfatizou-se a importância do patrimônio, da memória e da vida. E inspirado nisso, o professor Romeu Duarte propôs o compromisso de se buscar a chancela para as Dunas do Cocó (o que imediatamente já complementei sugerindo que também fosse realizado para as Dunas da Sabiaguaba “antes que seja tarde”).

E por que não?

Complementando essa abordagem, fiz questão de lembrar a todos também que embora a sociedade sofra de “amnésia ambiental”, e que vivenciamos um verdadeiro “obituário do patrimônio” (como dito por Campelo Costa), a NATUREZA TEM MEMÓRIA, e essa “memória” se manifesta por meio do seu sistemismo.

A tal memória da natureza nos coloca em situação de vulnerabilidade permanente (sobretudo em cidades litorâneas), pois mesmo que rios sejam canalizados ou soterrados para que seja construída uma via, as chuvas buscarão aquele mesmo caminho em dias de precipitação, e o resultado serão ruas alagadas. [Tente trafegar pela Avenida Duque de Caxias em dia de chuva e você estará tentando navegar no Riacho Pajeú]

Mesmo que dunas móveis sejam cortadas por estradas (como no caso do Parque da Sabiaguaba), elas continuarão sua rota natural, inclusive passando por cima da estrada.

Lembremos sempre que, como dizia Milton Santos, o espaço urbano é composto por FORMA, FUNÇÃO, ESTRUTURA, PROCESSOS E TOTALIDADE.

Já está passando da hora de começarmos a compreender e considerar a ESTRUTURA E OS PROCESSOS (da base Natural) como pilares de planejamento e da gestão ambiental. E compreender que a cidade é global não somente no sentido econômico, mas também no sentido dos processos ambientais. [Olha a tal da TOTALIDADE aí!]

Sobre isso, que tal começar a ler e se aprofundar no conteúdo proposto pelo Plano Fortaleza 2040? Que tal começar a compreender o porque de PLANEJAR de forma disruptiva e descompromissada com “interesses não coletivos”?

Recomendo a leitura porque já tem gente tentando distorcer todo um trabalho sério, técnico, participativo e dedicado. Leia e tire suas próprias conclusões.

Quanto a Sabiaguaba, super recomendo uma visita ao Parque das Dunas (tem trilhas guiadas pelo pessoal do VerdeLuz) e também uma visita ao manguezal com o grupo do Museu Natural do Mangue.

Quem sabe você também desperta sua memória ambiental!? 

 

Para saber mais:

Sobre o Plano Fortaleza 2040

http://fortaleza2040.fortaleza.ce.gov.br/site/fortaleza-2040/publicacoes-do-projeto

Sobre o VerdeLuz

https://www.facebook.com/institutoverdeluz/

Sobre o Museu Natural do Mangue

https://www.facebook.com/ecomuseunaturaldomangue/

 

 

19

Set

Crônicas de Maya – Natureza humana

É inexplicável!

Uma sensação de conexão tão enraizada que sempre me perco na distinção entre o que é humano e o que é natureza em mim. Mas será que de fato existe tal distinção?

Quando vai chover, meu joelho dói. Artrite (diria a ciência medicinal)!

Humanos e sua mania de racionalizar tudo!

Segundo o dicionário, NATUREZA pode ser definida como “a condição original, natural, não civilizada do ser humano; Aquilo que compõe a substância do Ser; Essência”. Ou seja, natureza é sinônimo de VIDA.

Tenho percebido, cada vez mais, que a separação entre mim e “minha natureza” pode ser a fonte de todo e qualquer “diagnóstico medicinal”. Paradoxalmente, os princípios ativos de muitos remédios são oriundos direta ou indiretamente da natureza.

Logo, quanto mais me aproximo da natureza (materialidade externa a mim), mais (re)encontro minha própria natureza. Mais acesso minha essência. Mais resgato minha espontaneidade, minha naturalidade.

Sou natureza humana! Sou natureza feminina! É de minha natureza Ser e ter várias naturezas!

Afinal, é na conexão com a natureza que consigo todas as manhãs “Flor e Ser”.

Magda Maya

16

Set

desBURROcratizar é preciso…

Os mais recentes “eventos” ambientais tem chamado a atenção das pessoas por meio das mídias, a exemplo da passagem dos furacões nos EUA, ou da tentativa de “vender a Amazônia” por aqui… contudo, eventos de menor magnitude também podem nos trazer boas reflexões a respeito do que andam distorcendo quando o assunto é licenciamento.

Lembro que em Abril deste ano, saiu uma notícia sobre o rompimento de uma barragem no Ceará, cuja principal consequência social foi o isolamento de uma comunidade por conta das águas que destruíram parte de uma estrada de acesso.

Mais abaixo postarei alguns vídeos e fotos sobre o evento em si, mas preciso iniciar essa postagem informando que a natureza sempre buscará retomar o seu lugar e/ou sua forma de origem!

Infelizmente boa parte dos empreendimentos no Brasil ainda são realizados sem qualquer controle ou licenciamento ambiental. Por aqui, ainda impera uma cultura da “esperteza” ou do famoso “jeitinho” ou até mesmo de “excesso de autoconfiança”, uma vez que se pensa que nada irá acontecer como consequência de atos irresponsáveis.

Para ficar mais lúdico e interessante disponibilizo a seguir o primeiro vídeo onde é possível verificar esquematicamente que ao interromper (barrar) o fluxo natural de um rio, ele assumirá uma nova dinâmica e tentará (de todas as formas) voltar à sua condição natural inicial. E é aí onde mora o perigo para nós!

Isso porque “a natureza sabe” o que é melhor para ela no que se refere à adaptação territorial e ao fluxo energético, para garantir otimização e resiliência em seus processos (coisa que também devíamos aprender com o meio ambiente).

https://www.youtube.com/watch?v=F6l9ZrADkE0&feature=youtu.be

O vídeo elaborado pelo Departamento de Recursos Naturais do Missouri demonstra que ao realizar o barramento e o desvio de um rio (processo utilizado na formação de açudes por exemplo) ocorrerá uma adaptação na mecânica dos fluidos e dos fluxos cujo resultado será uma tentativa de retorno à condição natural inicial.

Ou seja, aquele trecho onde “não passaria mais o rio” após o barramento certamente ganhará um novo uso (moradias, empreendimentos, estradas, etc) sem que se considere que a qualquer momento aquele ambiente voltará a “pertencer” ao rio.

Nas grandes cidades isso é bem comum em dias de chuvas, onde avenidas (geralmente construídas sobre rios ou riachos aterrados) ficam intransitáveis por conta do alagamento que nada mais é do que o rio tentando voltar a ser “o mesmo rio de antes”.

[Para saber mais sobre isso leia: https://12ambiente.wordpress.com/2017/03/02/porque-minha-cidade-alaga-quando-chove/]

Isso ocorre principalmente porque os empreendimentos em geral são realizados sem licenciamento ou sem análises ambientais confiáveis seja por amadorismo, falta de rigor técnico e/ou pressões externas.

Estima-se que atualmente no Ceará exista cerca de 300 barragens construídas sem licenciamento ambiental.

A coisa é tão séria que a todo momento temos notícias de tentativas de “desburocratizar licenciamentos” (entre aspas porque não passa de um conceito vazio de sentido), ou até mesmo eliminar este importante instrumento da Política Nacional de Meio Ambiente.

Ocorre que o problema não está no licenciamento… mas sim na falta dele!

Não que eu seja uma burocrata ou favorável à burocracia. Mas é preciso considerar também, que talvez o licenciamento tenha uma “imagem ruim”, por conta das instituições licenciadoras e também dos empreendimentos privados os quais podem não estar tecnicamente preparados para lidar com as questões ambientais e suas incertezas, ou  podem estar frágeis do ponto de vista ético, ou ainda ter gestores que não escutam suas próprias equipes técnicas.

Logo… o problema possivelmente não está NO licenciamento mas sim nas instituições e seus gestores!!!

Diante desse contexto, e para além da correção das questões éticas acima mencionadas, diria ser necessário e urgente desBURROcratizar instituições publicas e privadas, além de educar/alfabetizar/sensibilizar a sociedade como um todo em relação às questões ambientais (leia-se dinâmica da natureza), para que definitivamente todos compreendam que a natureza é SISTÊMICA e que toda e qualquer intervenção humana terá algum tipo de impacto ou consequência (de curto, médio ou longo prazo), inclusive para os próprios empreendimentos.

Some-se a tudo isso, as incertezas trazidas pelas mudanças climáticas globais e os impactos cumulativos gerados por décadas e décadas de negligência com o meio ambiente.

É urgente compreender que as análises ambientais devem ser realizadas em via de mão dupla, ou seja, buscando saber: 

1 – Quais os impactos do meu empreendimento para a natureza?; e

2 – Quais os efeitos sistêmicos adversos que o meio ambiente poderá trazer para o meu empreendimento e para a sociedade caso sua dinâmica seja alterada?

Resta-nos, portanto, compreender a importância de tratar as questões ambientais como fator crítico de segurança e bem estar social, além de um fator estratégico para os negócios. Assim teremos população, setor empresarial e instituições convivendo harmonicamente com o próprio habitat. Ou seja, finalmente aprendendo a viver dentro da própria casa!

Abaixo vídeo recebido pelo whats app mostrando o momento em que a estrada foi atingida pelas águas da barragem e a situação atual.

https://www.youtube.com/watch?v=GpQXbzLTdxo&feature=youtu.be

 

12

Set

Continue doando…

Nos últimos dias em Fortaleza fomos noticiados sobre a dificuldade que o Abrigo São Lázaro tem passado para conseguir manter centenas de animais domésticos (especialmente cachorros) em condições mínimas de bem-estar!

Uma campanha de doação formou-se naturalmente nas redes sociais de tal modo que conseguiu sensibilizar inclusive o próprio prefeito, cujos compromissos foram registrados em matéria disponibilizada ao final dessa postagem.

Contudo, é importante e extremamente necessário que todos aqueles sensíveis à causa continuem fazendo suas doações (de preferência mensalmente), pois não podemos “terceirizar” responsabilidades e permitir que o abrigo continue em situação de vulnerabilidade.

Quanto as ações prometidas pela Prefeitura, estaremos de olho para verificar a veracidade e a continuidade!!!

Infelizmente, por melhor que sejam as intenções, a desconfiança vem pelo fato de que a atual gestão raramente apresenta ações voltadas para o BEM ESTAR de quem (ou do que) quer que seja!

Essa cidade tem se tornado um permanente canteiro de obras… misturado com uma eterna feira de negócios!

Isso está acabando com nosso (já ínfimo) sentimento de pertencimento e com a nossa auto estima.

Mas, como ainda existe alguma esperança…

Abaixo disponibilizo o cartaz com os dados das contas bancárias para doação ao Abrigo São Lázaro!

Link para a página do Abrigo São Lázaro: https://www.facebook.com/saolazaro/

Link para a matéria sobre a visita do prefeito:

Prefeito Roberto Cláudio anuncia convênio com Abrigo São Lázaro