23

Jan

Guia do preguiçoso…

Se pudéssemos dividir as pessoas em caixinhas, teríamos pelo menos 05 tipos:

1 – O que não tem preguiça e topa agir para tentar “salvar” o mundo

2 – O preguiçoso que usa como desculpa o fato de “ser pequeno demais” para que suas ações tenham alguma importância

3 – O preguiçoso que se acha grande e importante demais pra ficar se ocupando com ações tão pequenas

4 – O preguiçoso pessimista que acha que tá tudo acabado e ninguém pode fazer nada para “salvar o mundo”

5 – O negacionista que acredita que nada está acontecendo

Em qual dessas você se encaixaria?

 

 

Pensando nos “preguiçosos” de plantão, a ONU lançou o GUIA DO PREGUIÇOSO PARA SALVAR O MUNDO

Para conhecer basta clicar no link: https://nacoesunidas.org/guiadopreguicoso/

E você também pode me seguir no Instagram @magdahelenamaya  e no Facebook @mayaambiental

 

Ahhh e se começar a fazer algumas dessas ações volta aqui para compartilhar com a gente!!!

 

23

Jan

Cidade Opaca

Fumaça embaça! Opacidade!

Um pingo do nada desce pela janela e me deixa ver o outro lado.

Cores e luzes que eu nem queria ver.

Fecho os olhos, mas ainda vejo. Vejo porque agora tudo é escuridão.

E eu desejo a opacidade!

Desejo a opacidade ou desejo outra cidade?

Peço o conforto da opacidade ou até mesmo a miopia.

A luz artificia a cidade.

Não quero luz… tampouco a escuridão.

Eu quero a opacidade!

Eu quero outra cidade!

 

Maya, M. H. (22/01/2017)

 

20

Jan

Contos de Maya – O Antagonista

Todas as manhãs ela apreciava um pequeno feixe de luz que surgia no corredor.

Tinha lá suas poucas horas de contemplação e a oportunidade de pensar: “o que você fez com sua vida? Como chegou aqui?”

Sim, apesar de ainda estar viva, sentia-se dormente para a vida. Sequer lembrava de qualquer coisa de seu passado.

Permanecia ali em seu estado contemplativo, da mesma forma, todos os dias, até a hora em que ouvia passos.

Somente o som dos tais passos era o suficiente para que ela se encolhesse no cantinho da sala, com o rosto virado para a parede, paralisada de medo.

Jamais ousou olhar para saber de quem seriam os passos.

Alguém então abria a “cela” e deixava a alimentação, que estranhamente era um verdadeiro banquete.

Demorava muito tempo até ter coragem de sair daquele lugar.

Antes, permanecia encolhida chorando e lamentando.

Lamentava-se, lamentava-se, levantava-se, alimentava-se.

Encolhia-se, lamentava-se, lamentava-se, levantava-se, alimentava-se.

Um ciclo sem fim!

Anos se passaram e um dia nem o sol e nem o “carcereiro” apareceram…

Ousou levantar-se e olhar para algo bem na sua frente.

Algo que nunca tinha visto: as grades da cela.

Descobriu que não havia fechadura ou qualquer cadeado.

Descobriu mais: a cela nunca havia sido trancada e o carcereiro, na verdade, era apenas alguém que lhe mantinha viva.

Descobriu também que podia ir embora! Mas não o fez.

Pensou que se o fizesse, teria que prover e manter a sua própria existência.

Imóvel, encolhida, lamentando-se permaneceu ali.

Dias depois… ouvia passos novamente!

 

MAYA, M. H.

Contos de Maya – Escrito em 08/01/2018

 

18

Jan

Tudo alagado de novo…

São muitas as causas apontadas para os alagamentos que ocorrem nas cidades em dias de chuva: uns dizem que é “falta de infraestrutura”… outros preferem culpar aquele papelzinho de bombom que você jogou “sem querer” na rua.

É fato que ainda são insuficientes as galerias de drenagem de águas pluviais nas cidades, bem como, podemos inferir que os 30g de resíduos que caem “sem querer” na calçada, multiplicados pelo número de habitantes, geram algumas boas toneladas de resíduos que fatalmente irão entupir as galerias, porém, a causa principal disso tudo, está para muito além desses fatos.

Posso afirmar sem ressalvas, que o histórico processo de planejamento urbano das cidades sem a efetiva incorporação do conhecimento sobre o meio ambiente tem permitido uma indiscriminada substituição dos entes naturais (solo, rios, riachos, lagoas, vegetação, etc) por ambientes artificializados, com base no argumento do “direito à cidade”, do “direito à moradia” e do desenvolvimento.

Sim, sabemos que existem estes direitos, e sim, também concordamos com o desenvolvimento. Porém, ao realizar um “planejamento urbano” sem (re)conhecer o sistemismo da natureza, tem-se como consequência a perda de outros direitos, tais como: o direito a um meio ambiente saudável e equilibrado, dentre outros.

Para entender melhor, é preciso obter algumas noções fundamentais sobre o meio ambiente:

1. Antes de existir a cidade, o território já existia contendo em seu interior os entes naturais já citados;

2. A estrutura hídrica dos territórios é interligada e sistêmica, de modo que qualquer alteração em um ponto X trará consequências diretas (alagamentos) num ponto Y à jusante, e num ponto Z à montante, e num outro ponto W à jusante, e assim sucessivamente;

3. A natureza é resiliente e com alta capacidade de adaptação e, por mais que seus “caminhos naturais” sejam alterados por nós, ela sempre buscará um meio de retomar seu curso natural;

4. Os entes naturais no ambiente urbano nos prestam “serviços ecossistêmicos”, o que seria equivalente à função ecológica desempenhada em condição natural.

Dito isso, fica mais fácil compreender o real motivo de nossas cidades ficarem alagadas em dias de chuva, senão vejamos:

Para edificar casas e empreendimentos, bem como, para construir vias de acesso a essas edificações, realizamos alterações abruptas na natureza tais como: nivelamento de terreno; impermeabilização do solo; rebaixamento de lençol freático; canalização de rios; aterramento de lagoas; […] isso só mencionando o básico.

Ao realizar tais ações estamos alterando toda uma cadeia natural sistêmica, perdendo os serviços ecossistêmicos e produzindo problemas e prejuízos para nós mesmos.

A avenida por onde o seu carro não passa no dia de chuva, certamente outrora pode ter sido um rio ou um riacho afluente. Na cidade de Fortaleza esse é um exemplo clássico. Temos a Avenida Heráclito Graça (Foto da capa) que sempre fica intransitável em dia de chuva por conta do nível de água acumulado. Quem conhece a estrutura natural da cidade, sabe que ali em tempos pretéritos, corria o Riacho Pajeú (principal riacho histórico da cidade). Conforme já mencionado, a natureza sempre tenta retomar o seu curso natural. Logo…

Outras perdas de serviços ecossistêmicos também contribuem para os alagamentos: abaixo do asfalto dessas ruas e avenidas, existe um solo confinado, o qual outrora permitia que a água da chuva percolasse (infiltrasse) diminuindo assim os níveis de alagamento. As árvores arrancadas para permitir a construção dessas vias, teriam a capacidade de amortecer milhares de litros de água da chuva. Agora pense em todo esse contexto, ocorrendo repetidas vezes em todo o território.

Você então poderia me perguntar: não poderíamos ter construído as cidades? Não poderíamos ter construído vias?

Eu lhe respondo: claro que poderíamos e podemos!!! Porém, com o devido respeito aos limites da natureza e com o aproveitamento dos serviços ecossistêmicos devidamente incorporados no planejamento urbano desde sempre.

Mas isso… somente teria sido possível se as equipes de planejamento tivessem sido desde sempre multidisciplinares, envolvendo biólogos, geógrafos, urbanistas, engenheiros, e muitas outras especialidades. Porque absolutamente nenhuma ciência e nenhuma profissão é capaz de sozinha deter todo o conhecimento necessário para planejar e desenvolver uma cidade.

Nesse caso, as vias não seriam todas necessariamente asfaltadas, assim como alguém teria demonstrado tecnicamente os efeitos sistêmicos das canalizações, aterramentos e desvios de cursos d’água. Alguém também poderia ter informado sobre a importância de manter a biodiversidade representada pela vegetação e pela fauna, bem como demonstrado o tamanho da perda em serviços ecossistêmicos e o impacto econômico de tais decisões equivocadas.

Então a partir de agora se você ouvir alguém perguntando: “porque não pode dar uma chuvinha que já fica tudo alagado?” lembre-se de dizer que a culpa é da falta de infraestrutura e do papel de bombom… mas também lembre-se de dizer que a causa é a histórica ausência de planejamento urbano multidisciplinar e a falta de compreensão do QUE É e do quão grande é o valor da natureza!!!

Texto originalmente publicado em: https://www.linkedin.com/pulse/porque-minha-cidade-alaga-quando-chove-magda-helena-maia

Foto: Deivyson Teixeira

15

Jan

Oficina

O Porto Iracema das Artes está com inscrições abertas até 18 de janeiro para a oficina “Fábulas de Janeiro II – Literatura Liberdade”, com o escritor Joca Reiners Terron, abrindo a temporada de atividades formativas da escola em 2018.

Com carga horária de 15 h/a, a oficina, totalmente gratuita, vai debater a liberdade da escrita literária, refletir sobre a noção de “restrição” e fornecer novas estruturas para incentivar a criação.

Para inscrições e mais informações, acesse: http://www.portoiracemadasartes.org.br/porto-iracema-das-artes-abre-inscricoes-para-oficina-de-criacao-literaria-com-joca-terron/