16

Set

desBURROcratizar é preciso…

Os mais recentes “eventos” ambientais tem chamado a atenção das pessoas por meio das mídias, a exemplo da passagem dos furacões nos EUA, ou da tentativa de “vender a Amazônia” por aqui… contudo, eventos de menor magnitude também podem nos trazer boas reflexões a respeito do que andam distorcendo quando o assunto é licenciamento.

Lembro que em Abril deste ano, saiu uma notícia sobre o rompimento de uma barragem no Ceará, cuja principal consequência social foi o isolamento de uma comunidade por conta das águas que destruíram parte de uma estrada de acesso.

Mais abaixo postarei alguns vídeos e fotos sobre o evento em si, mas preciso iniciar essa postagem informando que a natureza sempre buscará retomar o seu lugar e/ou sua forma de origem!

Infelizmente boa parte dos empreendimentos no Brasil ainda são realizados sem qualquer controle ou licenciamento ambiental. Por aqui, ainda impera uma cultura da “esperteza” ou do famoso “jeitinho” ou até mesmo de “excesso de autoconfiança”, uma vez que se pensa que nada irá acontecer como consequência de atos irresponsáveis.

Para ficar mais lúdico e interessante disponibilizo a seguir o primeiro vídeo onde é possível verificar esquematicamente que ao interromper (barrar) o fluxo natural de um rio, ele assumirá uma nova dinâmica e tentará (de todas as formas) voltar à sua condição natural inicial. E é aí onde mora o perigo para nós!

Isso porque “a natureza sabe” o que é melhor para ela no que se refere à adaptação territorial e ao fluxo energético, para garantir otimização e resiliência em seus processos (coisa que também devíamos aprender com o meio ambiente).

https://www.youtube.com/watch?v=F6l9ZrADkE0&feature=youtu.be

O vídeo elaborado pelo Departamento de Recursos Naturais do Missouri demonstra que ao realizar o barramento e o desvio de um rio (processo utilizado na formação de açudes por exemplo) ocorrerá uma adaptação na mecânica dos fluidos e dos fluxos cujo resultado será uma tentativa de retorno à condição natural inicial.

Ou seja, aquele trecho onde “não passaria mais o rio” após o barramento certamente ganhará um novo uso (moradias, empreendimentos, estradas, etc) sem que se considere que a qualquer momento aquele ambiente voltará a “pertencer” ao rio.

Nas grandes cidades isso é bem comum em dias de chuvas, onde avenidas (geralmente construídas sobre rios ou riachos aterrados) ficam intransitáveis por conta do alagamento que nada mais é do que o rio tentando voltar a ser “o mesmo rio de antes”.

[Para saber mais sobre isso leia: https://12ambiente.wordpress.com/2017/03/02/porque-minha-cidade-alaga-quando-chove/]

Isso ocorre principalmente porque os empreendimentos em geral são realizados sem licenciamento ou sem análises ambientais confiáveis seja por amadorismo, falta de rigor técnico e/ou pressões externas.

Estima-se que atualmente no Ceará exista cerca de 300 barragens construídas sem licenciamento ambiental.

A coisa é tão séria que a todo momento temos notícias de tentativas de “desburocratizar licenciamentos” (entre aspas porque não passa de um conceito vazio de sentido), ou até mesmo eliminar este importante instrumento da Política Nacional de Meio Ambiente.

Ocorre que o problema não está no licenciamento… mas sim na falta dele!

Não que eu seja uma burocrata ou favorável à burocracia. Mas é preciso considerar também, que talvez o licenciamento tenha uma “imagem ruim”, por conta das instituições licenciadoras e também dos empreendimentos privados os quais podem não estar tecnicamente preparados para lidar com as questões ambientais e suas incertezas, ou  podem estar frágeis do ponto de vista ético, ou ainda ter gestores que não escutam suas próprias equipes técnicas.

Logo… o problema possivelmente não está NO licenciamento mas sim nas instituições e seus gestores!!!

Diante desse contexto, e para além da correção das questões éticas acima mencionadas, diria ser necessário e urgente desBURROcratizar instituições publicas e privadas, além de educar/alfabetizar/sensibilizar a sociedade como um todo em relação às questões ambientais (leia-se dinâmica da natureza), para que definitivamente todos compreendam que a natureza é SISTÊMICA e que toda e qualquer intervenção humana terá algum tipo de impacto ou consequência (de curto, médio ou longo prazo), inclusive para os próprios empreendimentos.

Some-se a tudo isso, as incertezas trazidas pelas mudanças climáticas globais e os impactos cumulativos gerados por décadas e décadas de negligência com o meio ambiente.

É urgente compreender que as análises ambientais devem ser realizadas em via de mão dupla, ou seja, buscando saber: 

1 – Quais os impactos do meu empreendimento para a natureza?; e

2 – Quais os efeitos sistêmicos adversos que o meio ambiente poderá trazer para o meu empreendimento e para a sociedade caso sua dinâmica seja alterada?

Resta-nos, portanto, compreender a importância de tratar as questões ambientais como fator crítico de segurança e bem estar social, além de um fator estratégico para os negócios. Assim teremos população, setor empresarial e instituições convivendo harmonicamente com o próprio habitat. Ou seja, finalmente aprendendo a viver dentro da própria casa!

Abaixo vídeo recebido pelo whats app mostrando o momento em que a estrada foi atingida pelas águas da barragem e a situação atual.

https://www.youtube.com/watch?v=GpQXbzLTdxo&feature=youtu.be

 

12

Set

Continue doando…

Nos últimos dias em Fortaleza fomos noticiados sobre a dificuldade que o Abrigo São Lázaro tem passado para conseguir manter centenas de animais domésticos (especialmente cachorros) em condições mínimas de bem-estar!

Uma campanha de doação formou-se naturalmente nas redes sociais de tal modo que conseguiu sensibilizar inclusive o próprio prefeito, cujos compromissos foram registrados em matéria disponibilizada ao final dessa postagem.

Contudo, é importante e extremamente necessário que todos aqueles sensíveis à causa continuem fazendo suas doações (de preferência mensalmente), pois não podemos “terceirizar” responsabilidades e permitir que o abrigo continue em situação de vulnerabilidade.

Quanto as ações prometidas pela Prefeitura, estaremos de olho para verificar a veracidade e a continuidade!!!

Infelizmente, por melhor que sejam as intenções, a desconfiança vem pelo fato de que a atual gestão raramente apresenta ações voltadas para o BEM ESTAR de quem (ou do que) quer que seja!

Essa cidade tem se tornado um permanente canteiro de obras… misturado com uma eterna feira de negócios!

Isso está acabando com nosso (já ínfimo) sentimento de pertencimento e com a nossa auto estima.

Mas, como ainda existe alguma esperança…

Abaixo disponibilizo o cartaz com os dados das contas bancárias para doação ao Abrigo São Lázaro!

Link para a página do Abrigo São Lázaro: https://www.facebook.com/saolazaro/

Link para a matéria sobre a visita do prefeito:

Prefeito Roberto Cláudio anuncia convênio com Abrigo São Lázaro

 

 

11

Set

Sobre o (não) valor da vida…

“Se a Lei não permite uso e ocupação da área é só mandar tocar ‘fogo no mato'”

“Se a lei não permite uso e ocupação vamos ‘financiar’ uma invasão”

“Se A LEI não permite é só substituí-la com um Decreto. Quem se importa com a legalidade?”

“Se a terra pertence a um povo é só mandar matar”

Porque tudo o que importa é o dinheiro e a manutenção do poder!!!

A VIDA é nada!!!

Essa é uma postagem rápida, resultante de uma reflexão sobre a notícia abaixo:

Ministério Público confirma massacre em tribo isolada do Amazonas

09

Set

Natureza Feminina

“É da natureza feminina cuidar, preservar e ser prudente!”

“É da natureza feminina amar e valorizar a vida!”

Escuto essas frases desde minha infância e hoje entendo claramente que toda a busca pela emancipação e valorização da mulher perante a sociedade é, dentre muitas outras coisas, a única alternativa que temos de mudar a realidade que está posta.

Não estou querendo dizer que há superioridade de qualquer gênero, mas sim, que chegamos a uma situação insustentável e que o único caminho possível é começar a ouvir as ideias daquelas que quase nunca tiveram voz na história.

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05

Set

Natureza – Produto ou Serviço?

Um dos maiores desafios vivenciados por gestores ambientais na atualidade reside na mediação dos conflitos entre os interesses econômicos e a qualidade ambiental em prol da coletividade.

O Brasil possui uma legislação mundialmente reconhecida como bem estruturada, porém, é comum encontrar situações adversas quando se tenta aplicar na prática os preceitos e diretrizes indicados na Política Nacional de Meio Ambiente (PNMA).

Apesar de se falar em falta de conscientização ou de educação ambiental em si, o mundo hoje já reconhece que a educação formal recebida universalmente foi atrelada (desde o período da revolução industrial) à ideia de que a Natureza é um “recurso natural”, quando na verdade deveria ter sido compreendido que a natureza é um ente vivo e MANTENEDOR DA VIDA.

Tomando como base essa percepção pode-se afirmar que a natureza é sim um recurso natural (para a indústria), mas também um ente prestador de Serviços Ecossistêmicos que garantem a vida.

De forma ilustrativa, pensemos nas árvores da seguinte maneira:

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02

Set

Querem acabar com o licenciamento…

Essa postagem é especialmente dedicada àqueles que à duras penas tentam cotidianamente fazer cumprir a legislação ambiental nesse País.

Começo esclarecendo que sou completamente favorável ao desenvolvimento econômico das empresas e das pessoas. Não há nada de errado em trabalhar, produzir coisas e/ou prestar serviços, ou ainda em ganhar dinheiro para viver confortavelmente.

O grande problema está quando se tenta burlar as leis pra “facilitar”… “dar um jeitinho”… para resolver o próprio problema, que muitas vezes, não condiz com os interesses da coletividade.

Com o nível de tecnologia que temos atualmente, bem como com a boa legislação ambiental brasileira, temos sim condições de promover desenvolvimento e sustentabilidade ambiental, mas para isso, precisaremos de uma boa caminhada no sentido da auto responsabilidade e da responsabilidade para com o outro.

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01

Set

A culpa é da população! (???)

Depois de algum tempo trabalhando e/ou apenas transitando em alguns órgãos públicos observei que em matéria ambiental – sobretudo no que se refere à limpeza urbana (gestão de resíduos) – sempre tem alguma ideia mirabolante ou aqueles que se consideram os “super gestores da área de resíduos”.

Contudo, somos obrigados a conviver cotidianamente com o lixo espalhado na ruas e com todos os riscos à saúde atrelados a este fato.

Diante desse contexto, não faltam aqueles que dão entrevistas (quase que diariamente) na TV ou rádio, alegando que a cidade está suja porque “a população precisa se conscientizar e se educar”.

O fato é que todos nós realmente precisamos mesmo contribuir com a limpeza das ruas da cidade, porém, como exigir educação e zelo quando simplesmente vivemos em uma cidade desigual, nada inclusiva e principalmente, uma cidade que não proporciona qualquer condição que leve ao sentimento de pertença?

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31

Ago

Paisagens e humanidades…

Mesmo diante de todos os encantos que as paisagens naturais tem a nos oferecer, nada parece superar a beleza da generosidade humana.

Em um de meus trabalhos mais recentes tive o prazer de realizar uma auditoria na praia de Flecheiras, localizada no município de Trairi – Ce e fiquei impressionada com o quanto o turismo está crescendo e proporcionando desenvolvimento econômico pra região.

Também não passou despercebida a “gourmetização” de alguns hotéis e restaurantes, o que é positivo por um lado devido a qualidade de alto padrão, mas por outro, guarda um caráter segregador se considerarmos os padrões e possibilidades de consumo da população local. (Cabe ressaltar que caso estas diferenças coexistam de forma integrada e harmoniosa a priori não parece haver problema algum.)

Mas não é sobre isso que quero falar nessa postagem.

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28

Ago

Auditando o paraíso

Para quem ainda não sabe, as auditorias são um tipo de vistoria técnica realizada por profissionais habilitados (por meio de cursos específicos) e cujo propósito é checar se um determinado empreendimento ou ambiente está de acordo com alguma norma específica para se conseguir uma regularização e/ou certificação.

Recentemente realizei uma auditoria em Jericoacoara, praia aclamada como paraíso para muitas pessoas e cuja vila é rodeada pelo Parque Nacional de Jericoacoara.

De fato, a paisagem é exuberante e excepcional e hoje, na vila podem ser encontrados hotéis, pousadas e restaurantes para todo e qualquer bolso, o que torna Jeri uma espécie de “Vila Cosmopolita”.

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