14

Out

Sustentabilidade 4.0

Muito se tem falado sobre a quarta revolução industrial que se traduz no conceito de Indústria 4.0 mas parece que nem todos entenderam que os conceitos diretamente relacionados – como o de Sustentabilidade, por exemplo – também passam por processos de transição e evolução.

Dito isso, o que seria então a Sustentabilidade 4.0?

Para começar gostaria de pactuar o seguinte entendimento: Sustentabilidade não se restringe às questões ambientais. Esse conceito é muito mais amplo e merece ainda mais atenção.

Por derivar do conceito maior de Desenvolvimento Sustentável, a Sustentabilidade pode ser compreendida como a capacidade de tornar algo sustentável ao longo do tempo – num horizonte planejado de longo prazo –, considerando para isso aspectos SOCIAIS, ECONÔMICOS e AMBIENTAIS.

Sabemos que os aspectos econômicos e financeiros – por razões óbvias – são aqueles que acabam ganhando grande atenção dos gestores porém, para vislumbrar uma indústria sustentável e para promover um desenvolvimento sustentável as empresas precisarão rever essa conduta.

E não apenas eu estou dizendo. A sociedade (leia-se consumidores) e as instituições públicas (leia-se reguladores) estão cobrando cada vez mais dos empresários.

Dito isso é preciso um entendimento sobre a Sustentabilidade 4.0 para então começar a construir caminhos nesse sentido. Para contribuir, apresento a seguir – de forma resumida – como se deu a origem e evolução dos conceitos relacionados à sustentabilidade de acordo com as revoluções industriais.

Primeira Revolução Industrial:

Caracterizada pelo descobrimento das utilidades do carvão como fonte de energia para máquinas à vapor e locomotivas. Uma grande revolução no transporte de mercadorias e surgimento de grandes cidades.

Surgimento da corrente de pensamento ecológica – Controle da Poluição

Nesse momento surgem as primeiras preocupações ecológicas relacionadas estritamente ao controle da poluição, ou seja, ganha notoriedade a necessidade de controle quanto ao expurgo de poluentes na natureza. Aqui a preocupação estava bem mais relacionada aos impactos à saúde da população do que aos impactos na natureza. Já no final do período e na transição para a segunda revolução industrial, as indústrias buscaram adotar práticas menos poluentes, aprimorando suas tecnologias na medida em que as instituições reguladoras passaram a atuar.

Segunda Revolução Industrial:

Caracterizada pelo aprimoramento das tecnologias já existentes, e pelo uso da eletricidade e do petróleo como fontes de energia, a produção de aço e alumínio e o advento das indústrias automobilística e bélica. Vale ressaltar também a ascensão do Fordismo como modelo de produção em massa para o atendimento da sociedade que se tornava cada vez mais consumidora.

Surgimento da corrente de pensamento conservacionista – Uso racional dos recursos naturais

Nesse período ganham força e visibilidade as noções de uso racional de recursos naturais e degradação ambiental além de questionamentos sobre desigualdade social. Há, portanto, uma ampliação das preocupações sobre o que é retirado na natureza e não apenas no que é expurgado nela.

Terceira Revolução Industrial:

Caracterizada pelo revolução técnico-científica informacional a terceira revolução industrial é marcada pelo uso de tecnologias tais como: informática, robótica, biotecnologia, telecomunicações, nanotecnologia, além da revolução na área de transportes. Trata-se ainda do momento que estamos vivendo onde a globalização e o modelo de capitalismo moldam a chamada divisão internacional do trabalho.

Surgimento da corrente de pensamento do Desenvolvimento Sustentável  – Tripé da Sustentabilidade (Ecologicamente Equilibrado + Socialmente Justo + Economicamente Viável)

Com os crescentes movimentos ecológicos conservacionistas (uso racional), surgem também os preservacionistas (não-uso) e para mediar esse conflito de percepções fica estabelecido e consolidado o conceito de Desenvolvimento Sustentável, onde o que se busca é um equilíbrio entre os interesses econômicos e sociais com o uso responsável e equilibrado da natureza com vistas a garantir boas condições de vida para as gerações futuras. Na prática das empresas, este conceito passa a ser chamado de Sustentabilidade e ganha uma correlação maior com os aspectos ambientais.

Muitas empresas passam a incorporar o conceito de sustentabilidade ambiental, porém ainda com a visão de redução de custos, pois de modo geral não percebem a sustentabilidade como estratégica e, portanto, negligenciam este setor enquanto investimento.

Também merece ser ressaltada a existência da chamada greenwashing (“uma mão de tinta verde) que significa que algumas empresas adotam uma imagem associada a sustentabilidade ambiental para efeitos de marketing porém em suas práticas reais nada é realizado.

Quarta Revolução Industrial:

Embora ainda não esteja efetivamente estabelecida, é possível perceber a chegada da Indústria 4.0 caracterizada pela crescente automatização dos processos de produção e pelo desenvolvimento de sistemas inteligentes para a tomada de decisões. A tendência é que o chamado “chão de fábrica” se funda com o campo de tomada de decisões uma vez que as máquinas poderão “aprender” e se auto aprimorar durante o processo. Os principais conceitos relacionados são: Internet da Coisas e Big Data Analytics, além dos aspectos críticos de segurança.

Surgimento da corrente de pensamento de Vida Sustentável  –Sustentabilidade 4.0

É aqui então que finalmente empresas começam a compreender 3 questões cruciais:

– As empresas precisão de profissionais altamente capacitados em matéria ambiental – e não me refiro a saber fazer um licenciamento ou um estudo ambiental – , capazes de ajuda-las a se moldar a uma Economia Circular emergente e a promover inovação ambiental com a incorporação de conceitos como: vida sustentável, serviços ecossistêmicos, ecodesign e sustentabilidade 4.0, por exemplo.

– A sustentabilidade (no seu sentido mais amplo) é não apenas estratégica mas também crítica para empresas que desejam crescer, se destacar e até se manter no mercado. Não havendo mais espaço para greenwashing uma vez que os consumidores estão mais atentos, exigentes e dispostos a CONSUMIR (leia-se pagar por) sustentabilidade.

– As empresas precisão estar cada vez mais conectadas com as ações globais, não podendo mais restringir sua atuação e REPUTAÇÃO à comunidade local. No caso da indústria um caminho fundamental é verificar uma possível adequação aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável – ODS da ONU (pretendo escrever um outro artigo enfatizando esse assunto).

Então é isso, se você chegou até o final desse texto eu agradeço e espero ter contribuído de alguma forma para a ampliação de visão sobre a sustentabilidade.

 

Magda Maya

Geógrafa – Dra. em Desenvolvimento e Meio Ambiente

Fundadora da Geoanalysis – Meio Ambiente e Inteligência Geográfica

 

PS:

Caso deseje saber mais sobre o tema por meio de palestras e/ou consultoria entre em contato pelo email [email protected]

Mais sobre Magda Maya: https://bit.ly/2IUMGJv

 

Lembre-se: se precisar usar esse texto ou seus trechos citar a seguinte referência: MAYA, M. H. Sustentabilidade 4.0. Artigo publicado na web em 14.10.2018. Disponível em http://oestadoce.com.br/blog/mayaambiental/sustentabilidade-4-0/. 2018.

 

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *