29

Nov

Macetes da natureza…

Recentemente fui convidada a participar de uma reunião multidisciplinar de stakeholders da cidade de Fortaleza, promovida pela Global Shapers Community, cujo objetivo era refletir e dialogar sobre “quão preparados estamos para a quarta revolução industrial”.

Sabemos que a emergente Indústria 4.0 se pauta essencialmente em inovação, informação e tecnologia, e esses mesmos elementos compõem, dentre outros, aquilo que começamos a chamar de ECOSSISTEMA DE INOVAÇÃO.

Consequentemente, uma das solicitações [email protected] Shapers foi que falássemos um pouco sobre o “Ecossistema de Inovação LOCAL”.

Pois bem… ótima oportunidade de trazer uma reflexão diferenciada!
Tendo formação na área ambiental e ao mesmo tempo passeando por esse universo de inovação, estou sempre com uma particular inquietação (para não dizer incômodo) por conta da utilização de determinados conceitos pertencentes a priori às ciências naturais.

É claro que não há qualquer problema no uso em si das palavras. O problema é que quase ninguém se ocupa em olhar para os seus significados e a partir daí aproveitar a excelente fonte de inspiração e aprendizado que a natureza nos oferece. Senão vejamos:

Começando com o conceito de ECOSSISTEMA é importante reconhecer não somente seu significado, mas também alguns de seus MECANISMOS DE REGULAÇÃO tais como: SIMBIOSE, COLABORAÇÃO, ADAPTAÇÃO E COMPETIÇÃO.

Nas ciências naturais um Ecossistema é definido como:

um conjunto formado pelas INTERAÇÕES entre componentes bióticos, como os organismos vivos: plantas, animais e micróbios, e os componentes abióticos, elementos químicos e físicos, como o ar, a água, o solo e minerais.

Se trouxermos o conceito para uma lógica antropossocial, podemos então falar de Ecossistema de Inovação conceituando-o da seguinte forma:

um conjunto formado pelas INTERAÇÕES entre organismos vivos: seres humanos em redes colaborativas, e componentes tais como informação, tecnologia, empreendedorismo, dentre outros.

É claro que esse conceito pode ser alterado, repensado, melhorado. O que importa na verdade é a compreensão de que o fator primordial não são os componentes em si, mas sim as INTERAÇÕES (que faço questão de destacar novamente).

É por meio das interações que os ecossistemas naturais REGULAM processos vitais, especialmente o consumo e dispêndio de energia, garantindo que em um mesmo ambiente haja colaboração, adaptação e competição, sendo esta última bem diferente do que normalmente entendemos por competir.

A competição na natureza serve primordialmente para tornar O ECOSSISTEMA mais forte e adaptado e não para que um único elemento da cadeia DOMINE todo o ecossistema. Logo, numa realidade humana, a competição será saudável e bem-vinda na medida em que o fortalecimento de um dos componentes, dispare processos de crescimento e fortalecimento de todos os demais, gerando um ciclo virtuoso.

Isso se faz por meio da COLABORAÇÃO (capacidade de realizar ações de forma cooperativa entre dois ou mais indivíduos) e da SIMBIOSE (associação a longo prazo entre dois ou mais organismos não necessariamente “da mesma espécie”) os quais em conjunto conseguem garantir a REGULAÇÃO do sistema.

Ou seja, na natureza, os elementos buscam a melhor eficiência nas interações com o objetivo de não desperdiçar ENERGIA com repetição de ações ou competições que não contribuam para o fortalecimento do ecossistema QUE É DE TODOS E DE NENHUM.

Então fica aqui a sutil contribuição desse elemento (pequenininho) que também faz parte desse pretenso Ecossistema de Inovação Local, e cujas ações tem objetivado gerar resiliência para garantir o fortalecimento, o crescimento e a sobrevivência de todos os demais.

Aprendamos com a natureza!

 

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