07

Mar

Sustentabilidade 4.0 – Um novo mindset sobre Sustentabilidade

Muito se tem falado sobre a quarta revolução industrial que se traduz no conceito de Indústria 4.0 mas parece que nem todos entenderam que os conceitos diretamente relacionados – como o de Sustentabilidade, por exemplo – também passam por processos de transição e evolução.

Dito isso, o que seria então a Sustentabilidade 4.0?

Para começar gostaria de pactuar o seguinte entendimento: Sustentabilidade não se restringe às questões ambientais. Esse conceito é muito mais amplo e merece ainda mais atenção.

Por derivar do conceito maior de Desenvolvimento Sustentável, a Sustentabilidade pode ser compreendida como a capacidade de tornar algo sustentável ao longo do tempo – num horizonte planejado de longo prazo –, considerando para isso aspectos SOCIAIS, ECONÔMICOS e AMBIENTAIS.

Sabemos que os aspectos econômicos e financeiros – por razões óbvias – são aqueles que acabam ganhando grande atenção dos gestores porém, para vislumbrar uma indústria sustentável e para promover um desenvolvimento sustentável as empresas precisarão rever essa conduta.

E não apenas eu estou dizendo. A sociedade (leia-se consumidores) e as instituições públicas (leia-se reguladores) estão cobrando cada vez mais dos empresários.

Dito isso é preciso um entendimento sobre a Sustentabilidade 4.0 para então começar a construir caminhos nesse sentido. Para contribuir, apresento a seguir – de forma resumida – como se deu a origem e evolução dos conceitos relacionados à sustentabilidade de acordo com as revoluções industriais.

Primeira Revolução Industrial:

Caracterizada pelo descobrimento das utilidades do carvão como fonte de energia para máquinas à vapor e locomotivas. Uma grande revolução no transporte de mercadorias e surgimento de grandes cidades.

Surgimento da corrente de pensamento ecológica – Controle da Poluição

Nesse momento surgem as primeiras preocupações ecológicas relacionadas estritamente ao controle da poluição, ou seja, ganha notoriedade a necessidade de controle quanto ao expurgo de poluentes na natureza. Aqui a preocupação estava bem mais relacionada aos impactos à saúde da população do que aos impactos na natureza. Já no final do período e na transição para a segunda revolução industrial, as indústrias buscaram adotar práticas menos poluentes, aprimorando suas tecnologias na medida em que as instituições reguladoras passaram a atuar.

Segunda Revolução Industrial:

Caracterizada pelo aprimoramento das tecnologias já existentes, e pelo uso da eletricidade e do petróleo como fontes de energia, a produção de aço e alumínio e o advento das indústrias automobilística e bélica. Vale ressaltar também a ascensão do Fordismo como modelo de produção em massa para o atendimento da sociedade que se tornava cada vez mais consumidora.

Surgimento da corrente de pensamento conservacionista – Uso racional dos recursos naturais

Nesse período ganham força e visibilidade as noções de uso racional de recursos naturais e degradação ambiental além de questionamentos sobre desigualdade social. Há, portanto, uma ampliação das preocupações sobre o que é retirado na natureza e não apenas no que é expurgado nela.

Terceira Revolução Industrial:

Caracterizada pelo revolução técnico-científica informacional a terceira revolução industrial é marcada pelo uso de tecnologias tais como: informática, robótica, biotecnologia, telecomunicações, nanotecnologia, além da revolução na área de transportes. Trata-se ainda do momento que estamos vivendo onde a globalização e o modelo de capitalismo moldam a chamada divisão internacional do trabalho.

Surgimento da corrente de pensamento do Desenvolvimento Sustentável  – Tripé da Sustentabilidade (Ecologicamente Equilibrado + Socialmente Justo + Economicamente Viável)

Com os crescentes movimentos ecológicos conservacionistas (uso racional), surgem também os preservacionistas (não-uso) e para mediar esse conflito de percepções fica estabelecido e consolidado o conceito de Desenvolvimento Sustentável, onde o que se busca é um equilíbrio entre os interesses econômicos e sociais com o uso responsável e equilibrado da natureza com vistas a garantir boas condições de vida para as gerações futuras. Na prática das empresas, este conceito passa a ser chamado de Sustentabilidade e ganha uma correlação maior com os aspectos ambientais.

Muitas empresas passam a incorporar o conceito de sustentabilidade ambiental, porém ainda com a visão de redução de custos, pois de modo geral não percebem a sustentabilidade como estratégica e, portanto, negligenciam este setor enquanto investimento.

Também merece ser ressaltada a existência da chamada greenwashing (“uma mão de tinta verde) que significa que algumas empresas adotam uma imagem associada a sustentabilidade ambiental para efeitos de marketing porém em suas práticas reais nada é realizado.

Quarta Revolução Industrial:

Embora ainda não esteja efetivamente estabelecida, é possível perceber a chegada da Indústria 4.0 caracterizada pela crescente automatização dos processos de produção e pelo desenvolvimento de sistemas inteligentes para a tomada de decisões. A tendência é que o chamado “chão de fábrica” se funda com o campo de tomada de decisões uma vez que as máquinas poderão “aprender” e se auto aprimorar durante o processo. Os principais conceitos relacionados são: Internet da Coisas e Big Data Analytics, além dos aspectos críticos de segurança.

Surgimento da corrente de pensamento de Vida Sustentável  –Sustentabilidade 4.0

É aqui então que finalmente empresas começam a compreender 3 questões cruciais:

– As empresas precisão de profissionais altamente capacitados em matéria ambiental – e não me refiro a saber fazer um licenciamento ou um estudo ambiental – , capazes de ajuda-las a se moldar a uma Economia Circular emergente e a promover inovação ambiental com a incorporação de conceitos como: vida sustentável, serviços ecossistêmicos, ecodesign e sustentabilidade 4.0, por exemplo.

– A sustentabilidade (no seu sentido mais amplo) é não apenas estratégica mas também crítica para empresas que desejam crescer, se destacar e até se manter no mercado. Não havendo mais espaço para greenwashing uma vez que os consumidores estão mais atentos, exigentes e dispostos a CONSUMIR (leia-se pagar por) sustentabilidade.

– As empresas precisão estar cada vez mais conectadas com as ações globais, não podendo mais restringir sua atuação e REPUTAÇÃO à comunidade local. No caso da indústria um caminho fundamental é verificar uma possível adequação aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável – ODS da ONU (pretendo escrever um outro artigo enfatizando esse assunto).

Então é isso, se você chegou até o final desse texto eu agradeço e espero ter contribuído de alguma forma para a ampliação de visão sobre a sustentabilidade.

Em outro textos falaremos sobre os 4 Rs da Sustentabilidade 4.0

 

Magda Maya

Geógrafa – Dra. em Desenvolvimento e Meio Ambiente

Fundadora da Geoanalysis – Meio Ambiente e Inteligência Geográfica

 

PS:

Caso deseje saber mais sobre o tema por meio de palestras e/ou consultoria entre em contato pelo e-mail ambientalmaya@gmail.com

Mais sobre Magda Maya: Clique aqui

 

Lembre-se: se precisar usar esse texto ou seus trechos citar a seguinte referência: MAYA, M. H. Sustentabilidade 4.0. Artigo publicado na web em 14.10.2018. Disponível em http://oestadoce.com.br/blog/mayaambiental/sustentabilidade-4-0/. 2018.

09

Jul

Por que guerra aos canudos?

Em meados de junho de 2018 uma grande rede de fastfood anunciou que deixaria de utilizar canudos de plástico em suas lojas do Reino Unido inicialmente e, em breve, em todas as unidades espalhadas pelo mundo.

Neste mês de julho uma cafeteria, também multinacional, anunciou decisão semelhante.

Não há como negar que FINALMENTE [e depois de muitos anos de luta dos ambientalistas] declaramos guerra aos canudos de plástico.

Mas você pode estar se perguntando: “por que estão se incomodando somente com os canudos? E quanto aos demais plásticos?”

Faço questão de explicar:

Primeiro, tivemos sim um período de “onda contra as sacolas plásticas”… onda esta que fez com que muitas pessoas passassem a adotar as ecobags como alternativa, de modo que hoje isso já é tão habitual que nem percebemos que houve toda uma movimentação para que essa conquista fosse possível (apesar de ainda termos muito o que melhorar).

Segundo, porque guerrear contra os canudos e as sacolas é na verdade guerrear contra o uso abusivo e irracional do plástico. Tão abusivo e irracional que segundo a ONU até 2050 teremos mais plástico do que peixes nos oceanos. Plástico esse que já está presente em sua alimentação, no sal marinho e nos frutos do mar.

Terceiro e falando especificamente sobre os canudos, podemos dizer que…

eles trazem consigo todo um SIMBOLISMO quanto à necessidade de avaliação de nossas atitudes individuais.

Você já parou pra pensar que depois de adulto quase nunca “precisamos” utilizar canudos? Você já parou pra pensar o quão desnecessário é tomar algumas bebidas utilizando canudos de plástico? Já parou pra pensar que talvez você esteja agindo no automático no lugar de pensar em suas próprias atitudes?

Reconhecer que NEM SEMPRE PRECISAMOS DE CANUDOS é reconhecer que podemos fazer algo pelo meio ambiente, de certa forma.

E quando enfatizo o “nem sempre” é reconhecendo que bebidas muito espessas como milk shakes, ou mesmo aqueles drinks com pedaços de frutas e gelo realmente são bem difíceis de serem bebidos sem auxílio de um canudinho.

A boa notícias é que existem várias alternativas para estes casos… mas todas elas dependem exclusivamente de sua ATITUDE PESSOAL, de sua capacidade de se importar efetivamente e já andar com seu canudinho reutilizável na bolsa, na mochila, ou onde for possível…

Para quem ainda não conhece essas alternativas, segue abaixo alguns links:

[Ressalto que não estou sendo remunerada por nenhum deles para fazer propaganda! O que interessa mesmo é que você adote uma prática sustentável]

Canudos de aço inox da Bee Green: https://beegreen.eco.br/

Canudos de vidro da Mentah Br: http://mentah.com.br/

Canudo de caule de mamoeiro [made in Ceará]:  https://www.instagram.com/mudameumundo/

Então? Tá esperando o que pra ir buscar o seu canudinho ecológico?

 

M. H. Maya

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31

Jan

Piloto automático…

Relatando pra vocês uma recente experiência onde me vi saindo do piloto automático!

Estava eu em mais um de meus almoços improvisados às 15h num desses fast foods da vida (que não recomendo de forma recorrente), quando me dei conta de que tinha recebido em minha bandeja:

  • um copo de plástico (com o suco)
  • uma tampa de plástico no copo
  • um canudo de plástico
  • o plástico embalando o referido canudo de plástico

 

Sim, depois de ter passado o final de semana usando meu canudo reutilizável, dessa vez não tive tempo, oportunidade e nem “rapidez de consciência” para recusar quase todos aqueles plásticos ainda no balcão, porque peguei minha bandeja no PILOTO AUTOMÁTICO.

Foi nesse momento de autoconsciência e auto responsabilidade que compreendi que

“ser sustentável não é coisa de quem quer salvar o planeta, mas sim atitude de quem quer sair do piloto automático”

O tal piloto automático nosso de cada dia, que nos faz consumir “coisas” sem nos dar conta do que estamos descartando.

O tal piloto automático que nos deixa agindo como se fôssemos um robô. Como se não tivesse consciência de si e das próprias ações.

Digo a vocês que tentar sair desse piloto automático é um esforço absurdo, mas pode te levar a um nível de auto consciência que irá repercutir positivamente em todos os campos de sua vida.

O importante é despertar e prestar atenção em si mesmo durante todo o dia.

 

Que tal experimentar essa atenção especial consigo e com o planeta por apenas alguns dias?

Te desafio a recusar todos os plásticos descartáveis que lhe oferecerem durante 07 dias, pra começar.

Você vai perceber: o quanto está ligado no piloto automático; o quanto de plástico utiliza sem se dar conta; e o quanto você pode fazer a diferença no planeta.

Agora falando um pouco mais sobre o plástico, a ONU já emitiu vários alertas informando que até 2050 teremos (proporcionalmente) mais plástico nos oceanos do que peixes!

Todo esse plástico retornará para nós… seja em praias poluídas, seja nos peixes e demais frutos do mar e até no sal marinho! Veja o texto “Plástico pra comida ou uma boa dose de educação”

Ahh! Antes de terminar esse diálogo com vocês, ressalto a questão do uso das sacolas plásticas no supermercado. Fiquemos atentos! Já existem vários supermercados que oferecem caixas de papelão para você acomodar suas compras.

E então? Topam o Desafio?

Relatem aqui nos comentários e nas minhas redes sociais!!!

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29

Jan

reclam… AÇÃO!

Nos últimos tempos tenho feito algumas reflexões sobre a forma como a temática ambiental é vista pela sociedade e, especialmente, como ela é abordada por alguns ambientalistas.

De fato existe uma preocupação muito forte por parte de quem possui uma consciência ambiental mais ampla e sistêmica, pois sabemos que todos os dias cerca de 7,6 bilhões de pessoas estão consumindo produtos e produzindo resíduos sistematicamente.

E mais… essas mesmas 7,6 bilhões de pessoas estão pensando “ah, mas somente uma garrafinha… somente um canudinho… que diferença vai fazer?”

Saibam que faz sim muita diferença sim… mas não é sobre “isso” que quero falar.

O que desejo a partir de agora é dividir com meus queridos leitores, algumas formas de AÇÃO para que seja possível que diariamente pelo menos mais UMA pessoa comece a pôr em prática ações ambientais simples e possíveis de manter no cotidiano.

Ou seja… menos reclamação e mais AÇÃO!!!

Pra começar então, quero mencionar que no final de semana passado me dediquei bastante a me divertir com meus amigos… e fiquei observando que sempre tem aquele drinkzinho básico que já vem num copinho descartável… e com um canudinho, que por sua vez vem embalado num plástico.

Já perceberam isso? (provavelmente não porque você acha que é “somente mais um canudinho bobo”).

Pois bem!!! Agora você vai notar e saber o que pode ser feito:

Alternativa 1: recusar o canudinho, porque é plenamente possível beber diretamente no copo.

Alternativa 2: levar um canudinho reutilizável de casa (sabe aqueles que vem em copos que quase todo mundo tem em casa? De plástico duro?). Nesse caso é preciso ter um cuidado especial com a higienização.

Alternativa 3: adquirir canudos reutilizáveis os quais já existem à venda no Brasil. Andei pesquisando e encontrei de vidro (lindos com mensagens de sustentabilidade) e de alumínio que vem com kit de limpeza e tudo mais.

 

No meu caso, nesse final de semana utilizei a alternativa 2.

E porque não?

(Olha aí do lado a foto do meu drink maravilhoso de seriguela, com canudinho que levei de casa)

A gente carrega tanta coisa na bolsa? Porque não carregar a sustentabilidade?

 

 

Então é isso! No próximo texto, mais uma dica… mas pode ser uma reclamação também né?

OBS: relatem aqui nos comentários ou nas minhas mídias o que andam fazendo por um mundo mais sustentável!!! 😉

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18

Out

Cada pessoa conta…

Há algum tempo fiz uma chamada aqui no blog e nas minhas outras redes oferecendo um espaço para que pessoas, empresas e instituições falassem um pouco sobre suas iniciativas sustentáveis.

Sempre que recebo estas iniciativas, posto na página correspondente que você pode acessar clicando aqui .

Recentemente recebi um relato, da cantora Adna Oliveira, que ficará também lá na página, mas que me inspirou para esta postagem para lembrar que CADA PESSOA CONTA nesse processo de tomada de consciência em prol da sustentabilidade.

Entender a relevância de nosso papel individual é entender que não importa o tamanho ou a escala de sua ação, ela sempre será benéfica para a coletividade e para as futuras gerações.

Falemos então da artista ADNA OLIVEIRA e seu relato a seguir:

Gostaria de compartilhar as iniciativas que venho desenvolvendo, de uma forma muito simples, rudimentar mesmo.
Mas, que tem me deixado muito feliz! 
Embora, sirva também para perceber a resistência e comodismo da maioria de nós, em relação as ações e práticas sustentáveis. 
Morando há um ano e meio na Praia do Preá, litoral leste, oeste do Ceará. 
Quero construir meu cantinho com o máximo de ações SUSTENTÁVEIS.
Seguem algumas já em prática.
1- Compostagem orgânica (separação do “lixo” da cozinha),
2- Uso de Bomba manual para retirar água do poço para aguar as plantas. (Estou buscando parceria para construir um Catavento caseiro),
3- Reutilização da grama capinada, para adubar o solo arenoso. 
4- Uso de pneus encontrados na rua para decoração de jardim e outros.
5- Uso de garrafas em geral para decorar jardim. 
Essas são algumas iniciativas, que venho desenvolvendo ainda de maneira meio tímida. Mas, quero maximizar essas práticas.
 
Adna continue nos incentivando a ser cada dia melhores!!!
São exatamente essas ações que fazem toda a diferença no mundo!!!
Obrigada por tudo!