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As Dores de Dilma

Rio- “A ministra sentou-se numa cadeira, para conversar com o médico. Falaram sobre o tratamento inadiável, doloroso e incômodo. O exame definitivo tinha chegado de um laboratório de Houston, nos Estados Unidos, naquela sexta, 17 de abril (2009).

Um breve silêncio foi quebrado por um suspiro longo: – “A vida não é fácil. Nunca foi”. A ministra seguiu para a entrevista coletiva. Parecia segura. Vestia um casaco de linho vermelho sobre a blusa de seda preta, o decote redondo acompanhava a curva do colar de pérolas. Era a Dilma de sempre”… Essa história está em um retrato forte e verdadeiro da ex-presidente Dilma: “A Vida Quer é Coragem”, do experiente e sério jornalista Ricardo (Batista) Amaral (Editora Primeira Pessoa – Sextante RJ).
Há a vida difícil e a brutal, às vezes militarmente bárbara. Ela contou:

— “Entrei no pátio da Operação Bandeirante (Exército, em São Paulo) e começaram a gritar: – “Mata!”, “Tira a roupa”!, “Terrorista!”, “Filha da Puta”! A pior coisa que tem na tortura é esperar, esperar para apanhar. Eu senti, ali, que a barra era pesada. E foi. Palmatória. Levei muita palmatória. Mandaram tirar a roupa. Não tirei. Eles me arrancaram a parte de cima e me botaram com o resto no pau de arara. Ai me tiraram a roupa toda. Fizeram choque, muito choque. Eu me lembro que, nos primeiros dias, eu tinha uma exaustão física que eu queria desmaiar. Não aguentava mais tanto choque. Comecei a ter hemorragia.

Choques nos pés, mãos, na parte interna das coxas, nas orelhas. Na cabeça é um horror. No bico do seio. Botavam uma coisa no bico do seio, que prendia, segurava… Não comer. O frio. A noite. Aguentei. Não disse nem onde morava. Não disse quem era o Max (Carlos Araujo, o marido)”.(22 dias de tortura e três anos de prisão).

“Pedro Roussef (pai da presidente Dilma) proporcionou uma vida de conforto à família. Seus negócios se estabilizaram e ele prosperou de vez, quando a alemã Mannesmann, maior fabricante de tubos de aço do mundo, decidiu construir a siderúrgica do Barreiro, na região industrial de Belo Horizonte. A inauguração da fabrica, em agosto (12) de 1954, foi a ultima aparição publica de Getulio antes do suicídio. Estava ao lado de JK.

Getúlio foi recebido, no centro de Belo Horizonte, com vaias de estudantes ligados à UDN e ao Partido Comunista. JK o levou para ser aplaudido pelos operários no Barreiro.Duas semanas depois, quando chegou à cidade a notícia do suicídio, multidões enfurecidas cercaram a sede do jornal do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Numa manobra desesperada, um estudante comunista fez um discurso inflamado contra os “verdadeiros responsáveis” pela desgraça do presidente morto: os trustes norte-americanos e os entreguistas da UDN” .

O jovem comunista juntou um latão de gasolina e começou o incêndio do consulado dos Estados Unidos Dilminha tinha seis anos”.
O que transcrevi, ai acima, tropeça na exatidão histórica. Realmente, “Getulio foi recebido, no centro de Belo Horizonte, com vaias de estudantes ligados à UDN e ao PCB, e JK o levou para ser aplaudido pelos operários no Barreiro (Cidade Industrial). Mas, não é verdade que “duas semanas depois, quando chegou à cidade a noticia do suicídio, multidões enfurecidas cercaram a sede do jornal do PCB)…. A sede cercada e quebrada foi a da UDN e seu jornal, o “Correio do Dia”.

E não é verdade que “o jovem comunista juntou às palavras um latão de gasolina e assim começou o incêndio do Consulado dos Estados Unidos, em Belo Horizonte”.De fato, houve o discurso, o latão de gasolina e o incendio do Consulado. Mas, quem fez o discurso não levou o latão nem começou o incêndio. Não daria tempo para o orador descer do palanque, um caminhão aberto, em frente às escadarias da Faculdade de Direito. Essa segunda tarefa foi cumprida por outros, comandados pelos dirigentes do Partido Comunista em Minas, Roberto Costa e Dimas Perrin, presos no local e condenados a um ano de cadeia.

O orador apenas leu a Carta-Testamento, deu a senha do fogo e ia saindo rápido, quando foi atacado e derrubado pela policia e perdeu o nariz. Sei bem, porque o “estudante comunista” que fez o “discurso inflamado” fui eu. (“A Nuvem – O Que Ficou Do Que Passou – 50 Anos de Historia do Brasil Geração”.
Dilma é uma contemporânea da Historia.

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