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Economia

Bancos financiam transição energética em países emergentes

terça-feira, 19 de março 2024

Os Bancos de desenvolvimento estão à frente da transição energética em países emergentes. Isso porque só 14% do total de investimentos em finanças climáticas em 2021 e 2022 foram para mercados emergentes, sem considerar a China. O dado é do levantamento do grupo de pesquisa Climate Policy Initiative (CPI). Assim, esse tipo de instituição atua como sustentação desses países na corrida pela transição energética.
No Brasil, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) é a instituição que mais financiou projetos de energia renovável no mundo desde 2004. Na última quarta-feira (13/03), o banco aprovou o novo Fundo Clima, que terá até R$ 10,4 bilhões para financiar medidas de combate às mudanças climáticas. Parte desse recurso vem da captação de US$ 2 bilhões no exterior com títulos soberanos sustentáveis lançados pelo Ministério da Fazenda.
Além disso, esse tipo de instituição foi responsável por metade dos investimentos climáticos em todo o mundo entre 2021 e 2022. O levantamento aponta que 67% dos investimentos climáticos de instituições financeiras de desenvolvimento nacionais e bilaterais foram para mercados emergentes, com quase todo esse valor permanecendo no país de origem ou sendo destinado a outros emergentes. Na mesma linha, 45% dos investimentos dos bancos multilaterais de desenvolvimento foram para países emergentes.
Ainda assim, o valor não é suficiente.
No final de fevereiro, em reunião paralela ao G20 com chefes de bancos multilaterais, em São Paulo, o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Ilan Goldfajn, disse que, se todo o financiamento multilateral disponível na América Latina e Caribe fosse destinado a ações climáticas, o montante cobriria apenas 3% do investimento necessário.
Mesmo a passos mais lentos, o Brasil caminha. No final de fevereiro, o governo federal anunciou que o BID vai contratar R$ 17 bilhões de instrumentos de proteção cambial no exterior e repassá-los, por meio do Banco Central, para instituições financeiras no Brasil. Com isso, o banco consegue obter essa proteção com custo menor do que seria obtido por um banco brasileiro. A BNEF, organização de pesquisa da Bloomberg, disse que dos dez países que mais receberam investimentos em transição energética em 2023, apenas dois são emergentes, sem contar a China: Brasil e Índia. Juntos, eles não representam nem 5% do investimento total. A pesquisa considera investimentos privados e públicos. A BNEF calcula que o Brasil tem potencial para produzir o hidrogênio verde mais barato do mundo até 2030, podendo custar menos ainda que o hidrogênio cinza, aquele produzido a partir de fontes fósseis.
De acordo com Luciana Costa, diretora de infraestrutura, transição energética e mudança climática do BNDES, a posição do país no mundo faz diferença. A localização “determina um custo maior de capital e essa é uma desvantagem estrutural que nós temos neste momento de transição energética”. São muitas as vantagens comparativas do Brasil, entre as quais sol, vento e água abundantes, maior floresta tropical do mundo, uma das maiores biodiversidades do planeta, grandes reservas de minerais críticos, um agronegócio forte e um sistema elétrico interligado, robusto e o mais importante limpo.

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