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Economia

BC reduz Selic a 10,75% ao ano e sinaliza só mais um corte

quinta-feira, 21 de março 2024

Com a nova redução do Copom, a taxa básica de juros caiu de 11,25% para 10,75%. Em decisão unânime, o colegiado do BC também alterou a comunicação sobre os seus próximos passos e sinalizou um corte da mesma intensidade apenas na próxima reunião.
Isso significa que o comitê prevê uma nova redução de 0,5 ponto somente no encontro agendado para maio, deixando de se comprometer com a magnitude dos movimentos depois disso. Dessa forma, o Copom ganha mais liberdade para mudar o ritmo de cortes à frente.
A orientação dada pelo Copom sobre o ritmo de queda da Selic foi alterada com a retirada do plural no trecho do comunicado que era aguardado com grande expectativa pelo mercado financeiro.
“Em função da elevação da incerteza e da consequente necessidade de maior flexibilidade na condução da política monetária, os membros do comitê, unanimemente, optaram por comunicar que anteveem, em se confirmando o cenário esperado, redução de mesma magnitude na próxima reunião”, escreveu o colegiado.
Cautela
Na avaliação do comitê, essa é a condução apropriada para manter a política monetária contracionista -que busca desacelerar o crescimento da economia- no processo de redução da inflação.
As palavras “cautela”, “moderação” e “serenidade” continuaram fazendo parte do repertório do comunicado. “O comitê avalia que as conjunturas doméstica e internacional estão mais incertas, exigindo cautela na condução da política monetária”, afirmou.
Esse discurso pode sinalizar uma possível redução de ritmo a partir de meados do ano. O Copom, contudo, reiteirou que a magnitude total do ciclo de flexibilização de juros ao longo do tempo dependerá da evolução da trajetória da inflação, dentre outros fatores.
O Copom manteve nesta quarta o ritmo de cortes aplicado desde o início da flexibilização de juros iniciada em agosto do ano passado. Até agora, já foram seis reduções consecutivas na mesma intensidade de 0,5 ponto percentual. Com isso, a Selic chegou ao menor patamar desde fevereiro de 2022, quando a taxa básica estava fixada em 9,25% ao ano.
A decisão veio em linha com a expectativa unânime dos economistas. Levantamento feito pela Bloomberg mostrou que o corte de 0,5 ponto percentual na taxa básica era a projeção consensual do mercado financeiro.
Mercado
Para Andrea Damico, economista-chefe da Armor Capital, a mudança no “forward guidance” [orientação futura] não significa uma alteração no plano de voo do colegiado do BC no curto prazo. Ela espera que o ritmo atual seja mantido em mais duas ou três ocasiões e projeta que, ao término do ciclo, a Selic atinja 8,75% ao ano. Por ora, não pretende revisar seu cenário.
“A gente acredita que ele [Copom] vai continuar nesse pace [ritmo] de 50 [0,5 ponto percentual], porque a gente vê a inflação [cheia] retomando a tendência de desinflação de serviços subjacentes e de núcleos [que retiram da análise itens mais voláteis para observar melhor a tendência de preços].”
Uma eventual desaceleração de cortes da Selic é esperada pela economista apenas no fim do ciclo. Na visão dela, isso não acontecerá em junho porque os juros ainda estão em um patamar bastante restritivo (acima da taxa de juros neutra, aquela que não estimula nem desestimula a economia).
No acumulado em 12 meses até fevereiro, a inflação oficial do Brasil, medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), atingiu 4,5% -teto da meta perseguida pelo BC.
A partir deste ano, a meta de inflação definida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional) é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Isso significa que o objetivo é considerado cumprido se oscilar entre 1,5% (piso) e 4,5% (teto).
“A inflação cheia ao consumidor manteve trajetória de desinflação, enquanto as medidas de inflação subjacente se situaram acima da meta para a inflação nas divulgações mais recentes”, escreveu o comitê.
No cenário de referência do Copom, as projeções de inflação para este ano e para o próximo se mantiveram em 3,5% e de 3,2%, respectivamente. O colegiado reconheceu que o cenário-base não se alterou substancialmente.
O Copom volta a se reunir nos dias 7 e 8 de maio para recalibrar o patamar da taxa básica de juros.
Com os efeitos defasados da política monetária sobre a economia, o BC passa a mirar com cada vez mais ênfase o alvo fixado para 2025, quando terá início o modelo de meta contínua após mudança no sistema de metas de inflação.

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