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Economia

Brasil terá déficit de 532 mil profissionais para transição energética

segunda-feira, 13 de maio 2024

O Brasil terá a partir do ano que vem um déficit de 532 mil profissionais em diferentes áreas tecnológicas para atender às necessidades da transição energética, que requer habilidades para lidar com a descarbonização da indústria. O dado projetado compõe parte de uma pesquisa da Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e de Tecnologias Digitais (Brasscom). O estudo tem sido utilizado pela Ford para explicar seus investimentos em formação de mão de obra local e tem o apoio de outras montadoras, fornecedores e startups, que vêm desenvolvendo programas de treinamento para não somente capacitar jovens trabalhadores, mas descobrir novos talentos na área.
A multinacional com foco em estudos sobre mercado de trabalho, a Gi Group Holding, entrevistou 6.700 profissionais da indústria automotiva em 11 países, para saber quais são as competências mais cobiçadas por suas empresas. No Brasil, 53% dos ouvidos afirmaram desejar mão de obra que saiba lidar com tecnologias de veículos elétricos. A média global ficou em 35,1%. Os conhecimentos para trabalhar com IA (inteligência artificial) e machine learning foram mencionados por 40% dos entrevistados no país -novamente acima da média (33,6%).
“O déficit já era algo esperado, mas acabou sendo potencializado devido à modernização dos veículos, que receberam itens de segurança e sistemas autônomos. Esse movimento já vinha acontecendo há algum tempo, e calhou de, no mesmo momento, ter início a eletrificação dos veículos em meio à transição energética. O setor automotivo vive esse desafio e compete com fintechs e startups. Além disso, a pandemia acelerou o processo de globalização da mão de obra especializada por meio do trabalho remoto. A consequência é que o Brasil não é o mais atrativo em termos de salário, então os profissionais moram aqui e trabalham para outros países”, disse Alexandre Dias, gerente da divisão de indústria na Gi Group Holding.
A mão de obra que começa a ser formada nas faculdades e nos cursos técnicos não é voltada exclusivamente para as montadoras. No caso da Ford, os jovens capacitados no programa Enter, lançado em 2023, são direcionados para o mercado de trabalho por meio da parceria com o Senai-SP. No primeiro ano, o programa ofereceu 200 vagas na área de tecnologia da informação e teve mais de 9.000 inscritos. A montadora afirma que cerca de 50% dos egressos das duas primeiras turmas já foram inseridos no mercado de trabalho, e a maioria seguiu com os estudos. Embora não tenha mais fábricas de automóveis instaladas no Brasil, a montadora americana mantém centros de pesquisa e desenvolvimento globais em São Paulo e na Bahia, além de empregar cerca de 1.500 engenheiros no país.
Apesar de os dados da pesquisa mostrarem um cenário positivo quando analisados como oportunidades de emprego, as informações divulgadas pela Ford não são boas. Com base em uma pesquisa do ManpowerGroup, o Brasil está entre os dez países com maior dificuldade em preencher vagas qualificadas, principalmente no segmento de tecnologia da informação. A multinacional cita ainda um estudo da Amcham publicado em dezembro de 2023. Dessas, 97% relataram dificuldades para contratar profissionais capacitados na área de tecnologia, sendo que 37% disseram ter muita dificuldade. Ainda segundo esse levantamento, 25% das companhias relataram que a falta de capacitação é a maior dificuldade para contratação. Com a transição energética em curso no país, profissionais com habilidades na área têm a tendência de serem aproveitados em vagas que, antes, estariam nas operações fabris. Mas para que isso ocorra, é necessário que a formação e o parque tecnológico da indústria nacional evoluam.

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