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18 dezembro 2014.
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Economia

Construtoras podem demitir quatro mil operários amanhã

quinta-feira, 18 de dezembro 2014

Conforme o jornal O Estado antecipou, em sua edição do dia 17 de novembro último, o programa habitacional Minha Casa, Minha Vida (MCMV) está virando um pesadelo para as construtoras do Ceará e de todo o Brasil, devido ao atraso no repasse dos pagamentos por parte do governo federal. Naquela oportunidade, cerca de duas mil demissões já haviam acontecido e, se não houver uma sinalização de solução para este problema, amanhã deve ser iniciado o processo para demitir outros três ou quatro mil operários da construção civil do Estado, que pode deflagrar uma situação caótica em diversos setores da nossa cadeia produtiva.

Temendo que uma verdadeira catástrofe venha a ocorrer no setor, especialmente às vésperas do Natal, a Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) reuniu, ontem, representantes dos vários sindicatos que compõem a cadeia construtiva, como o da construção civil, das cerâmicas, das madeireiras, de mármores e granitos, de minerais (areia, cal, argamassa), de britas e do metalomecânico, para debater o problema e buscar soluções (veja coordenada, abaixo). Afinal, de acordo com o que foi ajustado no início da implantação do programa, as construtoras teriam um prazo de 18 meses para entregar as unidades contratadas, recebendo um pagamento com lucro menor e sem reajuste, dois dias após a medição dos conjuntos habitacionais entregues. Este tipo de contrato chamou a atenção de muitas construtoras – especialmente de médio e pequeno porte que, com a atual situação –, estão sem condições de honrar seus compromissos. Muitas delas não têm dinheiro em caixa, sequer, para pagar o décimo terceiro salário de seus empregados. E, o que é pior, poderão sofrer penalidades impostas pelo próprio governo federal, que é o causador de toda esta situação.

 

SISTEMATICAMENTE

O problema surgiu a partir do final do segundo trimestre, quando começaram a ocorrer atrasos sistemáticos nos repasses dos recursos governamentais – através da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil –, provocando inúmeros transtornos às construtoras. Afinal, elas compram insumos, pagam funcionários, taxas, impostos, realizam serviços de drenagem, esgotos, arruamento, e na hora de receber seus pagamentos, isso não ocorre. A situação é tão crítica que, segundo o presidente do Sindicato da Indústria da construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE), engenheiro André Montenegro, muitos empresários estão à beira do desespero, chegando a fazer empréstimos, para saldar suas dívidas. E, a continuar esta situação, as demissões são inevitáveis. Os empresários querem, ao menos, que o governo defina as regras e normalize os pagamentos, pois, caso contrário, várias construtoras irão quebrar.

Ele destacou que, com regras claras, é possível aos empresários do setor se programar, conversar com os fornecedores, tentar gerenciar a crise, inclusive com os próprios funcionários. “Depois das eleições, os atrasos foram aumentando. O lucro das obras do MCMV é muito pequeno, pois são obras muito rápidas, e 90% das empresas que trabalham com o programa são de médio e pequeno porte, com um capital de giro muito pequeno. Elas medem e recebem. Quando param de medir, as consequências são gravíssimas, porque elas não têm capital de giro e condições de recorrer ao mercado financeiro. E quando recorrem, o lucro já foi embora, e o resultado está totalmente comprometido. Estamos reivindicando uma sinalização do governo federal para que tenhamos uma data de quando serão feitos os pagamentos e como serão as regras do jogo daqui para a frente”, explicou Montenegro.

Ele lembrou que as empresas estão se precavendo, pois algumas não têm dinheiro para pagar a folha deste mês e outras já demitiram nesta época de final de ano, que é muito triste. “O nosso apelo é que o governo federal sinalize as datas de pagamento e as regras do jogo. Estamos fazendo isso no Brasil como um todo, pois estima-se que o governo federal esteja devendo do Minha Casa, Minha Vida, em todo o País, cerca de R$ 3 bilhões. Aqui no Ceará temos cerca de 30 construtoras com repasses de recursos em atraso e, a continuar esta situação, até a próxima sexta-feira (amanhã), deverá ocorrer a demissão de três a quatro mil funcionários. Além disso, como os contratos não têm reajuste, então você já perdeu o ritmo da obra e tudo que atrasa está perdendo dinheiro”, asseverou o presidente do Sinduscon-CE.

Para os empresários do setor existem muitas dúvidas, especialmente no que diz respeito à transição da nova equipe econômica, que tem prejudicado o diálogo entre o governo federal e os empresários. Inclusive, já recorreram à bancada cearense em Brasília, mas não houve retorno positivo. “As informações são muito desencontradas. Fizemos incursões com vários parlamentares, mas todos, sem exceção, não têm informações precisas para falar. Existia uma esperança de, logo após a aprovação da questão do superávit primário, o governo federal poderia gastar e pagaria as construtoras, mas até agora nada. O cenário não poderia ser pior”, lamentou André Montenegro.

Para ele, uma pequena sinalização do Governo daria credibilidade e ferramenta de negociação a todos os empresários, com os seus fornecedores e possibilitaria a realização de um planejamento estratégico para o ano que está chegando. “Se ele nos chamasse e dissesse que não ia pagar este ano, mas pagaria dia dez de janeiro, poderia chamar meus fornecedores, diria que o dinheiro ia sair e negociaria. Poderia segurar minha mão de obra, mas como não tenho esta sinalização, tenho medo de continuar trabalhando e não ter dinheiro para pagar funcionários ou a rescisão. Então, a medida cautelosa foi essa e algumas empresas estão tendo custos de demissão, que não estavam previstos em nossos orçamentos, e depois o custo de retomada das obras será ainda maior”, completou Montenegro.

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