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8 maio 2017.
Fortaleza, Ceará, Brasil.

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Economia

Desemprego no setor madeireiro atingiu 45%

segunda-feira, 08 de maio 2017

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Dentre vários segmentos que vêm atravessando o contexto difícil, do ponto de vista político e econômico, está o setor industrial madeireiro, essencialmente ligado à indústria da construção civil. No Ceará, mas precisamente em Fortaleza, o Sindicato das Indústrias de Serrarias, Carpintarias e Tanoarias de Fortaleza (Sindserrarias) – uma das mais antigas entidades sindicais da indústria cearense, com 63 anos de atuação –, aponta que, em dois anos de recessão (2015 e 2016), 45% dos empregos foram fechados. Para falar dos desafios e perspectivas do setor – que abrange mais de 380 empresas no Estado –, o presidente da entidade, José Agostinho Carneiro de Alcântara, concedeu entrevista ao Jornal O Estado, destacando as recentes conquistas para o segmento e projetos para a cadeia produtiva.

O Estado – Qual foi sua trajetória até chegar à frente do Sindserrarias?
José Agostinho – Minha primeira experiência sindical foi como diretor do Sindilojas, e, três anos depois, fui convidado para o Sindserrarias, quando a gente entrou. Antes, eu havia montado uma associação, chamada Acepisa (Associação Cearense e Piauiense da Indústria Salineira) – que foi montada em Chaval, que é uma cidade fronteiriça entre os dois estados –, exatamente para unir os empresários da indústria salineira do Ceará. Como há muitos anos, também, já trabalhando no ramo de madeiras, além do salineiro, isso nos credenciou para ingressar na vida sindical.

OE – Quantas empresas atuam no setor no Ceará? Todas são associadas ao Sindicato?
JA – Nesse setor estamos com, aproximadamente, 380 empresas, a nível de Estado do Ceará, mas nem todas são associadas ao sindicato. Temos, atualmente, 48 associados, porque nosso sindicato tem atuação só em Fortaleza, porém nós estamos já com um processo de extensão de base, ampliação da nossa área de atuação – e esse processo está bastante avançado, já em fase de conclusão – e a gente pretende beneficiar, congregar e unir, também, as empresas do interior dom Ceará, que são várias.

OE – Quais as principais áreas de atuação dessas empresas?
JA – Dentre elas, em maior expressividade, temos a indústria de beneficiamento, ou seja, que beneficia a madeira de coberta e decoração, por exemplo. Temos, também, a parte industrial que atua na fabricação de esquadrias, portas e janelas de madeira. Há, ainda, o segmento que fabrica embalagens, que é a parte de paletes e outros produtos de embalagem de madeira, que, também, está dentro de nosso setor madeireiro e de serrarias.

OE – Como está o desempenho setorial diante do atual cenário econômico?
JA – Nunca se viu uma crise dessa proporção. E isso não é só nosso setor que visualiza isso, mas todos os setores tem observado, em sua maioria – porque tem alguns outros que vê a crise como oportunidade – mas essa crise tem sido muito perversa com o setor madeireiro. Nós estamos extremamente ligados à construção civil e tudo aquilo que abala esse setor reflete, imediatamente, no nosso segmento. Estamos vendo esse processo, essa situação, sem dúvida nenhuma, de forma muito preocupante. Por outro lado, toda crise oferece uma grande oportunidade, que é a reciclagem, busca pela inovação, saída do comodismo – e isso a gente tem procurado trabalhar bem.

E é exatamente por conta desse trabalho que tem sido feito, que, também pela prática e experiência – porque o empresário brasileiro é, exatamente, um mutante, um camaleão, procurado ficar na cor cinza quando precisa estar na cor cinza, e verde quando precisa ficar na cor verde. Nós estamos, exatamente, adaptados, há muito tempo, às crises que acontecem – e essa tem abalado muito –, mas, por conta dessas vacinas, dessa preparação, a gente tem visualizado esse momento como uma oportunidade, procurando mudanças. Às vezes comparo a crise com um vendaval, uma ventania que pega uma árvore e tira as folhas secas e estragadas, deixando só as verdes. Uma crise, geralmente, depura muito o mercado, tem esse lado positivo também. Os bons, as empresas estruturadas, conseguem se manter e ultrapassar esses momentos. São vendavais, necessários, às vezes, que maltratam, mas que têm seu lado positivo.

OE – Nesses dois anos de recessão, quais os impactos percebidos? Houve fechamento de empresas? Quantas cortes de empregos foram regisrados?
JA – Quanto a fechamentos de indústrias, tivemos três casos, apenas. Em um universo de, aproximadamente, 3.800 funcionários – em valores e números de 2014, que foi nosso último recenseamento – e, calculando junto com os empresários, a gente chega a uma conclusão de que, nessa proporção, tivemos um corte de aproximadamente, 1.700 empregos diretos – isso considerando os anos de 2015 e 2016. Se considerarmos as perdas na cadeia produtiva, os cortes são muito grandes, porque o setor madeireiro usa muitos insumos. Se cair a produção, cai a indústria de pregos, a indústria de cola, de resinas, enfim. Acredito que, para cada emprego direto gerado, tem outros quatro indiretos.

OE – Quais os principais destinos da produção? Há atuação no mercado nacional e internacional?
JA – Basicamente, nossa produção é voltada para o mercado interno regional – Capital e interior do Ceará –, com um pouco da produção, também, para fora do Estado. Nosso forte, mesmo, é trabalhar para as empresas daqui de Fortaleza mesmo. Exportações não temos, mas já tivemos em 2012 um treino, um teste, que não foi muito interessante.

OE – Quais setores mais absorvem a produção no Estado?
JA – A indústria do granito demanda muita madeira para embalagens, assim como indústria de um modo geral, que tem uma grande parceria com o Sindserrarias e a indústria madeireira. Paletes, por exemplo, toda indústria precisa. A grande parte, senão quase todos, dos produtos industrializados precisam de paletes, e são transportados paletizados. Então, a indústria de paletes tem uma grande contribuição.

OE – Quais os desafios do segmento, na atual conjuntura?
JA – O desafio do sindicato é exatamente a ampliação de sua base, ou seja, congregar mais, unir mais e aumentar seu quadro de associados, porque o potencial de mercado é grande. Outro grande desafio, que já estamos trabalhando, é o problema da mão de obra qualificada, que tem sido um gargalo na produção. Estamos trabalhando em parceria com o Sistema S (Fiec, Sesi, Senai e IEL) e estamos costurando parcerias com essas instituições para que a gente possa trazer treinamentos e qualificação dessa mão de obra. Além desses, temos como desafio, também, trabalhar a inovação do setor, por conta da cultura mesmo e das dificuldades que o próprio setor enfrenta – como, por exemplo, a burocracia e as dificuldades de editais e verbas para a inovação, direcionadas ao segmento madeireiro.

OE – Estando pelo terceiro mandato seguido à frente do sindicato, esse tem sido o mais desafiador por conta da crise? Nesse período, quais as principais conquistas para o fortalecimento e inovação do setor?
JA – Uma das primeiras conquistas foi a união do setor, que era um pouco desunido. Essa interação traz uma muitas vantagens, como a troca de ideias e experiências, o que ajuda bastante nessa união. Outra grande conquista foi oferecer serviços que a gente não tinha, até então, como assessoria jurídica, o que é bastante interessante. Também oferecemos, em parceria com a Fiec, oportunidades de conhecimentos externos, aos nossos associados, como missões estrangeiras e nacionais. Em outubro de 2015, tivemos dez empresários indo à China, na feira de Guangzhou, na China, e que trouxeram uma bagagem muito valiosa dessa viagem, e prospectaram muito conhecimento e muitas informações, inclusive fazendo negócios com empresas chinesas. As feiras internacionais e nacionais, com certeza, tem trazido uma grande abertura de conhecimento e informações para o segmento, que, até então, não tinha essa porta. Os empresários, quando faziam isso, era de forma independente, com custos muito mais altos e dificuldades muito maiores. Outro ponto positivo conquistado foi exatamente aproximar a empresa – e o próprio sindicado, como instituição representativa – dos órgãos públicos, que, até então, não havia essa proximidade das notícias, informações, palestras, haja vista que nosso sindicato tem cadeira no Cotema (Conselho Temático de Meio Ambiente, da Fiec). E, por conta disso, a gente tem trazido palestras e informações constantes dos setores ambientais para as nossas empresas, afiliados que, sem dúvida, têm uma importância muito grande em nosso setor, que é extremamente ambiental, pois trabalha com produtos gerados do meio ambiente.

OE – Qual a importância do associativismo, na sua visão?
JA – Sobre os sindicatos patronais ouvimos elogios por conta de outros sindicatos dessa categoria. Nessa oportunidade, queremos reforçar, às empresas, que ainda não são filiadas, que é muito importante essa união. Se não através de entidades de classe, é muito difícil se ter igualdade de negociações, até com o poder público. É muito importante o sindicato para que a gente tenha essa facilidade de negociação, diálogo junto aos órgãos, e as próprias empresas tenham benefícios, que através desses sindicatos são muito grandes, e quanto mais associados, mas o sindicato é fortalecido e, quanto mais fortalecido, mas benefícios traz para o setor.

OE – E quais projeções para este ano? Poderá haver crescimento?
JA – Para o ano de 2017, a gente está trabalhando para chegar na estabilidade, mas a expectativa e o otimismo estão na cabeça de todos os empresários. Agora, sendo bem realista, a gente observa que é possível, ainda, que haja uma pequena retração do setor madeireiro este ano.

Glossário

Palete. Estrado de madeira, que tambem pode ser confeccionado em metal ou plástico e que tem a finalidade de servir na movimentação de cargas como elemento de otimização logistica.

Sistema S. Termo que define o conjunto de organizações das entidades corporativas voltadas para o treinamento profissional, assistência social, consultoria, pesquisa e assistência técnica, que além de terem seu nome iniciado com a letra S, têm raízes comuns e características organizacionais similares.

Interação. Influência mútua de órgãos ou organismos inter-relacionados – na forma utilizada, poderes público e privado –; ação mútua ou compartilhada entre dois ou mais corpos ou indivíduos.

NONATO ALMEIDA
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