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Economia

Dólar sobe e alcança R$ 5,66 após novas críticas de Lula ao Banco Central

quarta-feira, 03 de julho 2024

O dólar subiu novamente e fechou em alta nessa terça-feira (02/07), atingindo R$ 5,665, aumento de 0,22%, e renovando seu maior valor desde janeiro de 2022. Durante a sessão, a moeda americana chegou ao pico de R$ 5,700 no início da tarde, mas perdeu força ao longo do dia. Esse movimento ocorreu em meio a novos comentários do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o Banco Central.

Em entrevista à rádio Sociedade da Bahia, Lula destacou que o Banco Central deve atuar como uma instituição de estado, independente do sistema financeiro. Ele voltou a criticar o presidente da instituição, Roberto Campos Neto, por seu suposto viés ideológico. “Precisamos que o Banco Central opere com autonomia, sem ser suscetível a pressões políticas. Um governo democrático permite isso, enquanto um autoritário deixa o mercado controlar a instituição”, afirmou Lula.

O presidente também mencionou que há um ataque especulativo contra o real e informou que retornará a Brasília na quarta-feira para discutir medidas a serem tomadas em relação à alta do dólar. Nos últimos dois meses, Lula fez pelo menos 14 declarações públicas sobre política fiscal e monetária em 10 diferentes dias, criticando a autonomia do Banco Central e seu presidente, além de levantar dúvidas sobre a intenção do governo de cortar gastos, o que impactou o mercado.

Após abrir em baixa, o dólar se fortaleceu ao longo da manhã influenciado pelos comentários de Lula. Especialistas do mercado indicaram que a possibilidade de intervenção governamental no câmbio gerou apreensão. “Embora os comentários de Lula não tenham impactado significativamente a Bolsa, devido à já conhecida instabilidade política e incertezas fiscais, o dólar continua em alta. A contínua despreocupação do governo com o déficit fiscal faz com que investidores retirem moeda estrangeira do país”, explicou Felipe Castro, planejador financeiro e sócio da Matriz Capital.

IOF
Mais cedo, antes do fechamento do mercado, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que o governo não tem planos de reduzir o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nas transações cambiais como medida para conter a valorização da moeda americana. Segundo ele, uma comunicação mais eficiente sobre o novo arcabouço fiscal e a independência do Banco Central são essenciais para evitar a desvalorização do real.
Haddad destacou a importância de melhorar a comunicação: “Não vejo outra alternativa além de focar na autonomia do Banco Central e na rigidez do arcabouço fiscal. Isso trará tranquilidade ao mercado. Devemos priorizar a comunicação”, explicou. Ele reforçou que o foco está em propostas fiscais a serem apresentadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para os anos de 2024, 2025 e 2026.
Hoje, Haddad terá uma reunião com o presidente Lula para discutir um plano de revisão de gastos e cortes de despesas, demonstrando preocupação com a recente alta do dólar. Na segunda-feira (1º), a moeda americana fechou a R$ 5,65 e, nesta terça-feira (2), chegou a R$ 5,68 por volta das 13h, após abrir em ligeira queda para R$ 5,63.
Atualmente, as operações cambiais, como compras com cartão no exterior, são tributadas em 4,38% pelo IOF. Para a compra de moeda estrangeira em espécie, a alíquota é de 1,1%, com previsão de ser zerada até 2028. Empréstimos de até 180 dias eram taxados em 6% até 2022, quando a taxa foi eliminada. Essa redução na tributação cambial faz parte dos compromissos do Brasil para ingressar na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). “Não sei de onde surgiu o rumor sobre o IOF. Estamos focados em uma agenda fiscal e trabalhamos com o presidente Lula em propostas para cumprir o arcabouço nos próximos anos”, disse.

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