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Economia

Endividamento é maior em famílias com renda de até três salários mínimos

quarta-feira, 08 de maio 2024

Nos últimos meses, o Brasil testemunhou um aumento contínuo no endividamento das famílias, com a taxa alcançando 78,5% em abril, conforme revelado pela Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic). Realizada mensalmente pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a pesquisa indica um acréscimo de 0,2 ponto percentual em comparação com o mesmo período do ano anterior. Esse aumento sugere uma demanda crescente por crédito, com mais pessoas recorrendo a várias formas de empréstimos, incluindo cartões de crédito, cheques especiais, carnês de loja, créditos consignados, empréstimos pessoais, cheques pré-datados, e financiamentos de carros e casas.
A inadimplência manteve-se estável em 28,6%, mas o percentual de consumidores que reportaram incapacidade de pagar suas dívidas vencidas atingiu um pico anual de 12,1%. Este é o maior índice registrado no ano e veio acompanhado de um crescimento de 0,4 ponto percentual entre as famílias consideradas “muito endividadas”, que agora representam 17,2% da população, o maior nível desde janeiro.
As projeções da Confederação indicam que o endividamento deve continuar em ascensão, o que exigirá maior atenção ao risco de aumento da inadimplência, especialmente no fim do ano”, disse o presidente da CNC, José Roberto Tadros.
De acordo com o economista-chefe da CNC, Felipe Tavares, a pesquisa referente ao mês de abril mostra que a população de renda menor foi a principal responsável pelo aumento do endividamento geral. Os dados revelam que as famílias com renda até três salários mínimos tiveram avanço de 0,7 ponto percentual no endividamento, chegando a 80,4% do total. Enquanto isso, para as famílias com renda entre três e cinco salários, o crescimento foi de 0,4 ponto percentual, levando a 79,7%. Já as famílias com renda entre cinco e dez salários tiveram aumento de 0,5 ponto percentual, atingindo 75,5% de endividamento. Por fim, aquelas com mais de 10 salários foram as que menos aumentaram seu nível de endividamento: 0,3 ponto percentual, elevando o indicador a 71,7%.
Observando as faixas de renda, notou-se que as famílias com renda inferior a cinco salários mínimos estão mais endividadas este ano em comparação ao anterior. Em contraste, as famílias com rendimentos entre cinco a dez salários mínimos e aquelas que ganham mais de dez salários mostraram uma redução no seu nível de endividamento. A queda mais notável ocorreu entre os mais ricos, com rendas superiores a dez salários mínimos, onde o endividamento diminuiu de 75,3% para 71,7%.
Quanto às dívidas em atraso, a situação é variada. Enquanto as famílias com renda média alta (cinco a dez salários mínimos) viram um aumento na inadimplência de 20,7% para 22,2% entre março e abril, aquelas que ganham mais de dez salários tiveram um leve aumento de 14,3% para 14,6%. Por outro lado, as famílias com menor renda observaram uma diminuição na inadimplência, caindo para 35,8%, um valor abaixo tanto do mês anterior quanto de abril de 2023, onde os índices eram de 36,4% e 36,3%, respectivamente.
Em relação às modalidades de crédito mais utilizadas, o cartão de crédito continua sendo a principal fonte de endividamento, empregado por 87,1% dos devedores. No entanto, formas de crédito como carnês e cheques especiais estão se tornando menos comuns entre os consumidores. Destaca-se ainda o financiamento imobiliário, que apresentou o maior crescimento anual. Este aumento deve-se, em grande parte, à redução das taxas de juros médias para essa modalidade, que em fevereiro de 2024 alcançaram o patamar mais baixo desde fevereiro de 2022, fixando-se em 8,87%.
Esse panorama do endividamento familiar no Brasil ilustra uma complexa rede de fatores econômicos e financeiros que influenciam o comportamento dos consumidores e a acessibilidade ao crédito no país. As variações nas taxas de inadimplência e as preferências por diferentes tipos de crédito refletem as mudanças nas condições econômicas e nas políticas de crédito, que continuam a moldar a economia doméstica.

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