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Economia

Governo avalia flexibilização na validade dos alimentos

sexta-feira, 18 de junho 2021

Como forma de se aproximar do setor de supermercados, o governo federal planeja criar uma equipe de trabalho que avalia uma proposta que vise flexibilizar a regra que trata do tempo de validade dos alimentos no Brasil. A recomendação é adotar um modelo que libere as vendas destes produtos com o preço abaixo do valor de mercado e que possa realizar doações a partir de um prazo determinado. A atitude foi divulgada ontem (17), após o pedido da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), que promoveu o Fórum da Cadeia Nacional de Abastecimento.


Uma das convidadas do evento foi a ministra da Agricultura Tereza Cristina que reafirmou a intenção de se criar um grupo para debater essa flexibilização e estipulou um prazo de 15 dias para que o governo apresente um parecer acerca da proposta. “A gente poderia fazer uma adaptação, sem precarizar nada. Podemos rever uma série de fatores e gargalos, principalmente em relação à validade dos nossos alimentos. A pandemia nos trouxe esse tema de maneira perceptível, temos que agir rapidamente”, disse a ministra.


Também presente no fórum, o ministro da Economia Paulo Guedes afirmou que sua pasta também vai fazer parte da equipe de avaliação. Na visão dele, poderia ser interessante vincular a iniciativa ao anúncio da reformulação do Bolsa Família. Desta maneira, seria possível efetuar uma ligação entre o combate ao desperdício no país ao programa social. Ainda em sua fala, Guedes propôs que as sobras dos alimentos consumidos em estabelecimentos ou domicílios sejam encaminhadas para pessoas vulneráveis.

Analogia
O ministro ainda comparou o prato de um brasileiro com a refeição de um europeu, sugerindo que apesar dos enfrentamentos a guerras mundiais em que a população sofreu, a quantidade de comida presente nos pratos era relativamente menor. “E os nossos aqui, nós fazemos almoços onde às vezes há uma sobra enorme. Isso vai até o final, que é a refeição da classe média alta, até lá há excessos”, complementou o ministro.
O modelo que pretende ser utilizado se aproxima do adotado em outros países, conhecido como best before, que permite o consumo de alimentos que ainda são considerados seguros para o uso, mesmo após o vencimento. No Brasil, a data de validade é usada como parâmetro para o consumo, depois do prazo ele não pode ser ingerido.
“Como utilizar esses excessos que estão em restaurantes e esse encadeamento com as políticas sociais, isso tem que ser feito. Toda aquela alimentação que não for utilizada durante aquele dia no restaurante, aquilo dá para alimentar pessoas fragilizadas, mendigos e desamparados. É muito melhor do que deixar estragar essa comida toda”, disse Guedes.

Consumo
Acerca dessa possibilidade, muitas famílias podem acabar cedendo por alimentos que ultrapassem a data de validade, por conta da sugestão de preço menor. Porém, não são todas as pessoas que pretendem fazer consumo deles, como a dona de casa Liduina Silva que afirmou que não vai confiar na procedência dos alimentos após o vencimento, já que todos os itens passam por processos que asseguram sua qualidade até a data presente na embalagem.
Na percepção da dona de casa, isso dificulta o acesso das famílias a produtos de qualidade. “Se eu não tiver dinheiro, eu não tenho o direito de ter uma alimentação saudável? Porque a partir do momento que o alimento passa da data de validade, ela perde a qualidade, então ele deixa de ser saudável”, pontua Liduina.

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