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Economia

Governo quer além do hidrogênio exportar produtos verdes

quarta-feira, 20 de março 2024

A política de comércio exterior brasileira, dentro do contexto de transição energética, não se restringe a exportar hidrogênio verde. Vai além. Mira a busca de investidores e a abertura de mercado para os chamados produtos industrializados de baixo carbono.
O posicionamento ficou claro em evento na embaixada do Brasil em Berlim, que reuniu representantes do setor empresarial e dos governos brasileiro e alemão.
O encontro faz parte da agenda paralela do BETD24 (10º Diálogo de Transição Energética de Berlim), fórum na capital alemã que reúne nesta semana mais de 2.000 especialistas de 90 países para tratar de alternativas aos combustíveis fósseis.
No terreno do diálogo diplomático ocorreu um debate quase velado sobre como Brasil e Alemanha buscam se posicionar na transição.
O embaixador do Brasil na Alemanha, Roberto Jaguaribe, abriu as discussões lembrando que representava um país beneficiado por uma “sustentabilidade natural extraordinária”. Cerca de 90% da matriz de energia elétrica é limpa e praticamente 50% da matriz energética total é sustentável.
“Isso nos dá a possibilidade de sermos grande parte da solução para os problemas de transição energética. A facilidade de produção adicional de energia renovável é evidente. Temos várias centenas de gigawatts disponíveis a curto prazo”, afirmou o embaixador.
O governo brasileiro também foi representado por Rodrigo Rollemberg, secretário de Economia Verde, Descarbonização e Bioindústria do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços).
Rollemberg fez questão de detalhar que o Brasil está aprovando uma série de leis para dar suporte institucional aos estrangeiros que queiram investir localmente e aproveitar as fontes de energias renováveis, como a lei das eólicas offshore e a regulamentação do mercado de carbono.
Os alemães também deram o seu recado. “Precisamos de hidrogênio, hidrogênio e hidrogênio”, afirmou Kristina Haverkamp, diretora-gerente da Agência Alemã de Energia, resumindo qual é a expectativa em relação ao Brasil.
A Europa não tem fontes renováveis tão fartas, então, busca importar o produto de regiões como o Nordeste brasileiro. Nesse caso, o gás pode ser transportado em navios, a baixa temperatura, ou na forma de amônia verde, que, reprocessada no destino final, libera a energia.
É preciso reorganizar a cadeia de produção e a estrutura de logística em nível global, com investimentos bilionários, para viabilizar o transporte de energia.
Uma corrente de especialistas argumenta que enviar apenas hidrogênio ou amônia verdes para outros países é aprisionar o Brasil na posição de mero exportador de commodity.
Depois de se posicionar como vendedor de soja, milho e carnes in natura, na transição energética do século 21, o país passaria a fornecedor de água, sol e vento —com a injustiça social adicional de enviar para países ricos energia subsidiada, pois a geração limpa conta com benefícios bancados pelos consumidores de energia brasileiros.

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