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Economia

Haddad diz que ata dissipou desconfiança de divisão no Copom

quarta-feira, 15 de maio 2024

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse, nessa terça-feira (14/05) que considera que a divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) dissipou toda e qualquer desconfiança de uma divisão política entre os diretores do Banco Central (BC). Haddad avaliou o tom do documento como “técnico e adequado”. “Houve uma desconfiança sobre uma possível divisão política entre os diretores do BC, mas a ata foi muito técnica, muito adequada, e está em linha com o que eu de fato esperava”, afirmou o ministro.

Segundo o ministro, o texto da ata “fala por si”. Ele defendeu que o Banco Central deve mirar o centro da meta oficial de inflação, definida em 3,5% para este ano, destacando que a margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos só deve ser utilizada em situações excepcionais.
“A tensão do mercado se dissipou com a ata, conforme nós prevíamos. Tinha mais rumor do que verdade. Está tudo tranquilo agora. A ata fala por si mesma. É bem técnica e justifica os dois posicionamentos com muita clareza. Todo mundo que leu, entendeu que as questões estão bem colocadas”, argumentou Haddad.

O debate em torno de possível “racha” envolvendo o Copom ocorreu em razão da divergência com relação ao percentual de redução da Taxa Selic, considerada a taxa básica de juros s da economia) em apenas 0,25 ponto percentual na semana passada, passando de 10,75% para 10,5% ao ano. Essa decisão não foi unânime, com o corte de 0,25 ponto sendo aprovado por 5 votos a 4.

O presidente do BC, Roberto Campos Neto, desempatou a decisão ao votar por um corte de 0,25 ponto. Além de Campos Neto, votaram por essa redução os diretores Carolina de Assis Barros (Relacionamento Institucional), Diogo Abry Guillen (Política Econômica), Otávio Ribeiro Damaso (Regulação) e Renato Dias de Brito Gomes (Organização do Sistema Financeiro), indicados pelo governo anterior.

Votaram por uma redução de 0,50 ponto percentual os diretores Ailton de Aquino Santos (Fiscalização), Gabriel Muricca Galípolo (Política Monetária), Paulo Picchetti (Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos) e Rodrigo Alves Teixeira (Administração), indicados pelo atual governo.
O texto da ata divulgada nesta terça destacou que o principal ponto de divergência entre os diretores do BC foi o impacto, sobre a credibilidade da autoridade monetária, de descumprir os comunicados anteriores, que indicavam corte de 0,5 ponto na reunião deste mês. Os diretores que votaram pelo corte de 0,25 ponto e o presidente Campos Neto entenderam que esse corte era condicionado à manutenção do cenário econômico, que mudou desde a reunião anterior, em março.

No entanto, os diretores concordaram em outros pontos, como a necessidade de haver uma política monetária contracionista (que restrinja a atividade econômica) e a preocupação com o crescimento das expectativas de inflação, com o cenário internacional mais adverso, com a persistência da inflação de serviços e com possíveis impactos do aquecimento do mercado de trabalho sobre os preços.

“O Comitê avaliou que os dados referentes à inflação corrente se mostraram benignos, tanto na inflação cheia quanto nos núcleos de inflação. Após uma sequência de surpresas altistas, notou-se arrefecimento dos núcleos de inflação, embora em níveis acima da meta. Alguns membros mostraram maior preocupação com a inflação de alimentos no curto prazo, enquanto outros seguiram enfatizando o papel da inflação de serviços. A tragédia no Rio Grande do Sul, além dos seus impactos humanitários, também terá desdobramentos econômicos e o Comitê seguirá acompanhando”,diz parte da ata.

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