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Economia

Inteligência financeira vem para inovar gestão

quarta-feira, 20 de março 2019

Terceirizar a parte contábil das empresas tem sido uma solução para muitos, principalmente em tempos de redução de custos com pessoal e corte de gastos – seja em micro, pequenas, médias ou grandes empresas. Contudo, uma nova proposta surge além de terceirizar a parte contábil, orientando o melhor direcionamento de recursos, visando oportunidades e planejamento estratégico: inteligência financeira. E isso voltado para as empresas menores e startups – em forte ascensão no Ceará. Essa é a ideia do economista cearense Luíz Marques, especialista em finanças corporativas e economia internacional – com formação, também, em comércio exterior. Em entrevista exclusiva ao Jornal O Estado, ele relata como viu a oportunidade de atuar nesse nicho e destaca como a inovação pode contribuir para o crescimento sustentável das empresas.

O Estado. Há quanto tempo ingressou no mercado, com essa proposta?
Luíz Marques. O negócio é novo e me inseri no final do ano passado. Então, estamos com um pouco menos que seis meses, embora venha trabalhando a ideia nos bastidores já há bem mais tempo. Como economista e motivador de melhores planejamentos financeiros, analisei o mercado como um todo, e o mercado cearense, de maneira específica. Inicialmente, conheci vários tipos de perfis, em coworking, e quais deles poderia melhor adaptar nessa primeira fase. Nessa segunda etapa, abrimos um escritório no (shopping) RioMar. O site da empresa é www.lucrum.com.vc, e foi escolhido de propósito, (com a ideia de) um site comercial ‘Lucrum com você’ – quero dar a ideia de que a minha empresa está junto com a sua.

OE. Como surgiu a ideia?
LM. Sempre quis ajudar a economia do meu estado; sempre quis, de alguma forma, contribuir para a melhoria de empresas. E como trabalhei e empresas grandes e bancos privados, então, vi que tem uma inteligência muito grande nessas empresas. E pensei por que uma micro e pequena empresa, ou um microempresário, não poderia ter isso em eu negócio – com as devidas proporções? Se uso uma margem de contribuição para fazer um estudo em uma grande empresa, por que um microempresário não pode? Então, primeiramente, pensei em consultoria, mas, ao mesmo tempo, não gostei na ideia, porque seria mais um. Por mais que fizesse os melhores investimentos em marketing, e por mais que tivesse a maior rede de contatos valiosos que fossem agregados ao meu negócio, ainda assim iria ser só mais um – e já tem muita consultoria aqui e, inclusive, que faz um trabalho bacana. Então, sempre quis fazer algo diferente, trazer inovação, de certa forma.

OE. E como seria a proposta, além de consultoria financeira?
LM. Então, comecei a fazer um funil do que ia fazer. O que move o Brasil hoje são as pequenas, médias e grandes empresas, e muitas de nossas criatividades estão vindo dessa base, que é a que menos tem solidez – já que dados do Sebrae mostram que mais da metade delas fecham em cinco anos. Então, essa classe de empresas são as que mais queria ajudar, da forma que posso – com minha expertise financeira e a bagagem profissional que tenho – trazendo inteligência para esse pessoal, que não a tem, muitas vezes, por falta de tempo, experiência ou conhecimento e habilidade financeira. Então, por mais que a ideia daquele empresário seja boa, por mais que tenha inúmeros clientes, se não fizer o dever de casa, uma hora a conta vai chegar.

OE. Teria algum porte específico de atuação?
LM. Um pequeno modelo de negócio com foco em terceirização do (serviço) financeiro para pequenas e médias startups, e micro, pequenas e médias empresas. Tento me diferenciar das empresas já tradicionais que existem e prestam consultoria financeira. E, querendo ou não, faço um pouco de consultoria financeira, mas realmente meu objetivo é administrar a rotina financeira das empresas e levar inteligência financeira – já que, como absorvo o lado financeiro deles, então, não quero só executar a parte operacional, ou seja, fazer contas a pagar, a receber, fazer conciliação bancária, gestão de fluxo de caixa etc. Vou além: faço a parte operacional, mas também dou inteligência para a pequena e média empresa, como planejamento financeiro, orçamentos com cenários pessimistas e realista – e demais cenários que a pessoa acha conveniente. Através de dashboards e relatórios, geramos um tracking de resultados – se (o planejado) está dentro daquilo que está se realizando (senão, o porquê). Eu tento dar o controle financeira para o gestor/empresário.

OE. E como você viu a oportunidade de oferecer inteligência financeira às empresas no Ceará?
LM. Hoje, acontece muito de, no Ceará – de forma muito genérica, como no Norte e Nordeste do País – termos muitas empresas, com boas ideias, que acabam quebrando por “n” motivos, como, por exemplo, custo-Brasil, fatores externos e internos. Quanto a fatores internos – onde posso trabalhar – comecei a perceber que haviam muitas empresas com ideias boas, porém a falta de know-how do cara que está à frente da empresa faz com que ela morra cedo demais. A falta de tempo também. Às vezes, um escritório de Advocacia, por exemplo, um advogado não tem que entender de finanças, mas se ele absorve aquela informação, aquela função porque é o dono e não tem confiança em ninguém, nem tempo para fazer entrevista ou dinheiro para contratar gente, ele acaba absorvendo aquilo e fazendo, de forma muito simplória, função financeira – pagar contas, emitir notas de serviço entre outros, mas não é tão simples assim.

OE. E como funciona a inteligência financeira nas empresas que terceirizam essa área?
LM. Essa questão da inteligência financeira é um fio meu dentro da empresa, porque, além de ter detectado essa dor que os empresários não estarem conseguindo realizar o operacional com qualidade – por não ter know-how ou, às vezes, não ter dinheiro para bancar uma folha de pagamento, seja com funcionário –, a gente sabe que, se pagamos R$ 1 mil a um funcionário, o custo é mais de R$ 1,7 mil (com encargos trabalhistas e tudo o que o funcionário vai lhe custar) por mês. Tem uma série de barreiras que impede as empresas saírem de micro para pequena, de pequena para média e, muitas vezes, de média para grande empresa. E, falando um pouco desse mundo de startups – que vem ganhando cada vez mais notoriedade, principalmente aqui no Ceará –, tem-se muita criatividade. Então, a produtividade deve estar aumentando dia a dia. A parte financeira, a parte chata, fica comigo. Juntamente com a parte de inteligência, acabo trazendo algumas oportunidades de mercado que, por trabalhar com finanças, a gente acaba enxergando, seja enxugar o processo (acarretando em menos custos e mais produtividade), alocar melhor dinheiro que sobra em caixa para fazer investimentos mais arrojados, enfim.

OE. E essa ideia de terceirização teve algum parâmetro, algum modelo já existente?
LM. Existe uma sigla pra isso – que, nos Estados Unidos, é um mercado bem sólido –, que se chama Financial Process Outsourcing (FPO), que nada mais é do que a terceirização dos processos financeiros. E é isso que a Lucrum é, um FPO, uma terceirizadora de processos financeiros. Às vezes aqui no Brasil, a gente tem uma cultura de pensar no hoje e o amanhã deixa para amanhã. Em finanças não é assim. A gente tem que estar pensando no hoje e amanhã, aprendendo com o ontem, então, tento pegar tudo isso da empresa, com a parte da inteligência, e, fazendo o acompanhamento do dia a dia da empresa, a gente vai captando algumas oportunidades de melhoria – já que, como vou fazer a gestão operacional dela, então tenho como entender a saúde dela, os gargalos ou como potencializar uma receita, enxugar um processo.

OE. E como tem sido a receptividade dessa proposta?
LM. É uma novidade. E, no Ceará não tem uma empresa que seja especializada nisso, então, estou vindo com uma certa inovação e é um desafio grande, até porque estou enfrentando uma barreira cultural. O empresário pode achar linda a ideia, e vai se deparar com a seguinte barreira: se sou o financeiro dele, deverei ter o livre acesso ao extrato da conta dele, agendar pagamentos e recebimentos, fazer conciliação bancária, enfim. Não vou apertar o botão, não pago e não faço nada. Apenas vou ter o perfil de visualização e de organização. Ele (o empresário) é quem aperta o botão. Tem certas empresas que estão em um nível de bagunça e de imaturidade organizacional tão alto que, muitas vezes, o empresário tem vergonha. A gente trabalha por um bem que tem que ser comum, e meu objetivo é transformar a empresa dele seja uma máquina de produtividade, e fazer com que a empresa dele cresça e o empresário queira a mesma coisa. Estou trazendo um novo modelo de negócio para o Ceará, inicialmente, melhorar a vida das micro, pequenas e médias empresas e, em paralelo, participar fortemente da ascensão das startups, melhorando, ainda mais, seu crescimento.

OE. E quanto a custos, é mais barata a terceirização?
LM. O serviço de terceirização é mais barato do que se contratar pessoas. A ideia é essa. A proposta é pela metade (do custeio) entregar o dobro (produção), já que a equipe desempenha funções operacionais, enquanto dou inteligência financeira. É um serviço que não é caro, então, trago inovação e preço. Se observarmos, muita gente terceiriza contabilidade – e, falando de pequenas e médias empresas, são raras as empresas que tem um setor contábil –, geralmente em algum escritório. Quem não tem ou conhece um contador que faça determinados serviços pra você e toma conta de sua empresa? Isso é terceirizar. E as pessoas fazem isso porque veem muito mais valor em pagar uma nota de serviço para um contador do que contratar uma pessoa para fazer aquele serviço para a empresa. Então, terceirizar o financeiro pode ser visto de forma econômica e produtiva, e é mais ou menos esse tipo de barreira que estou tentando quebrar e fazer com que as pessoas enxerguem isso.

Glossário

Dashboards. Painéis que mostram métricas e indicadores importantes para alcançar objetivos e metas traçadas de forma visual, facilitando a compreensão das informações geradas.

Tracking. Monitoramento periódico sobre determinado tema para entender as variações que ocorrem ao longo do tempo. Dessa forma, marcas e empresas podem antecipar os períodos de altas e baixas e se preparar com muito mais segurança para as mudanças.

Know-how. Conhecimento específico na realização de uma tarefa prática ou na solução de um problema prático; a experiência prática na realização de uma tarefa, isto é, a capacidade de realização com êxito utilizando conhecimento de como executar alguma tarefa.

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