32 C°

.
Fortaleza, Ceará, Brasil.

aniversario
aniversario

Economia

Lula critica gestão de Campos Neto à frente do BC; dólar fecha em alta

quarta-feira, 19 de junho 2024

Em entrevista, Lula fez duras críticas e ressaltou “Temos uma coisa desajustada: o comportamento do Banco Central”.

Presidente Lula em entrevista na manhã desde terça-feira (17) / Foto: Ricardo-Stuckert-PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez severas críticas à gestão de Roberto Campos Neto à frente do Banco Central (BC) em entrevista a uma rádio nessa terça-feira (18/06).

Na ocasião, Lula ainda levantou suspeitas sobre a proximidade de Campos Neto com a oposição, sugerindo que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, pode ter mais influência sobre o BC do que o próprio governo federal.

“A única coisa que está desajustada no Brasil agora é o comportamento do Banco Central. Temos um presidente do BC que não mostra autonomia e tem um clo presidente.

Lula também destacou sua vasta experiência como chefe de Estado, citando a nomeação do economista Henrique Meirelles, que liderou o BC de 2003 a 2011. “Duvido que Roberto Campos tenha mais autonomia do que Meirelles tinha,” comentou, criticando a proximidade de Campos Neto com Tarcísio de Freitas.

Lula mencionou que Campos Neto foi convidado a integrar a equipe econômica do governador paulista durante um evento em São Paulo. “Não foi um encontro casual; foi uma homenagem organizada por Tarcísio.

Certamente, o governador está satisfeito com a taxa de juros em 10,5%,” observou Lula. Para ele, a atual taxa de juros é injustificável e não condiz com a realidade econômica do Brasil, reconhecida internacionalmente por seu otimismo.

“Tenho discutido com líderes globais e representantes de instituições financeiras como FMI, Citibank e Santander, que apontam o Brasil como um dos destinos mais promissores para investimentos,” disse Lula.

Lula argumentou que, com a inflação sob controle, a taxa de juros deveria ser reduzida para fomentar investimentos no setor produtivo. Ele criticou a abordagem do Banco Central, que, segundo ele, inventa justificativas baseadas em uma hipotética inflação futura. “Precisamos lidar com a realidade presente,” afirmou.

CENÁRIO ATUAL
O presidente Lula também abordou as aparentes contradições nas políticas fiscais e econômicas do país. Ele criticou aqueles que, enquanto condenam os gastos governamentais, apoiam desonerações para setores lucrativos.

Lula destacou a recente taxação de pequenas importações, geralmente feitas por pessoas de baixa renda, enquanto compras de até US$ 2 mil feitas por viajantes ao exterior permanecem isentas.

“O que vemos são os ricos se beneficiando de isenções e criticando os gastos que beneficiam os pobres,” disse Lula. Ele se mostrou disposto a discutir seriamente o orçamento com diversos setores da sociedade, mas frisou que as soluções não devem penalizar os mais humildes.

Lula mencionou a recente aprovação de desonerações para 17 setores da indústria, questionando a falta de contrapartidas para os trabalhadores, como garantias de emprego ou aumento salarial. “Essas desonerações só serviram para aumentar os lucros, sem nenhum compromisso com os trabalhadores,” lamentou.

Ele também destacou o impacto das isenções fiscais na Previdência Social, que já consome quase R$ 1 trilhão. Lula afirmou que a responsabilidade de encontrar uma solução recai sobre os empresários beneficiados e o Senado.

“Se não houver um acordo, as desonerações serão eliminadas conforme a decisão da suprema corte. Espero que haja maturidade para se chegar a um consenso,” concluiu.

REFLEXOS
Como reflexo das palavras do presidente, bem como em razão da expectativa de o Comitê de Política Monetária (Copom) manter inalterada a Selic, a taxa básica de juros), cuja decisão será anunciada hoje, o dólar subiu 0,20% e atingiu R$ 5,432 nessa terça-feira (18), virando no fim da sessão após ter passado a maior parte do dia em queda.

A manutenção da taxa Selic em 10,50% foi também prevista pelo boletim Focus: agora, economistas consultados pelo BC esperam que não haja mais nenhum corte nos juros até o final do ano. A projeção é 0,25 ponto percentual maior do que projetada no último ajuste de expectativas, após duas semanas sem alterações.

hoje

Mais lidas

WP Twitter Auto Publish Powered By : XYZScripts.com