32 C°

.
Fortaleza, Ceará, Brasil.

aniversario
aniversario

Economia

Menor IDH entre os 30 países com maior carga tributária é do Brasil

quinta-feira, 23 de maio 2024

O Brasil ostenta um indicador que não agrada: possui o menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) entre os 30 países com maior carga tributária, ocupando a última posição no índice de retorno de bem-estar à sociedade, conforme calculado pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT). Criado em 2011, este índice mede a relação entre tributação e benefícios para a população.
O levantamento, baseado em dados de 2022, mostra que o Brasil tem uma carga tributária de 32,4% do Produto Interno Bruto (PIB), ocupando a 24ª posição entre as maiores tributações, e um IDH de 0,760.
A composição do índice leva em conta dois números: a carga tributária, com um peso de 15%, e o IDH, com uma ponderação de 85%. De acordo com esses critérios, é pouco provável que o Brasil saia da última posição no ranking, onde está há 13 anos, desde o início da divulgação do indicador.
Para melhorar sua posição, o Brasil precisaria de um crescimento significativo do IDH ou, mais difícil ainda, de uma redução dramática da carga tributária, o que poderia comprometer o funcionamento da máquina pública e o pagamento dos benefícios sociais. A Grécia, penúltima colocada na lista, tem uma carga de 41% do PIB, mas um IDH bem superior ao brasileiro (0,893).
“O valor arrecadado com os tributos continua sendo muito mal aplicado no Brasil. Apesar de termos uma carga tributária digna de países desenvolvidos, nosso IDH reflete um desenvolvimento muito precário”, afirma João Eloi Olenike, presidente-executivo do IBPT.
O tributarista destaca que, por este critério, o Brasil perde para países do próprio continente. O segundo pior IDH na lista é o do Uruguai (0,83), que tem uma carga de 26,5% do PIB e está na 9ª colocação no ranking. A Argentina, com um IDH de 0,849 e uma carga de 34,4% do PIB, ocupa a 22ª posição após cair da 13ª devido à piora no primeiro indicador em 2022.
Uma análise da Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão do Senado, apontou que o Brasil possui uma carga tributária elevada para uma economia em desenvolvimento, explicada em boa medida pelo tamanho dos seus gastos sociais. A despesa social representa entre 50% e 70% da carga tributária nos países da OCDE. No Brasil, corresponde a cerca de 60%.
Benefícios previdenciários, Bolsa Família, abono salarial, seguro-desemprego e BPC somam 65% da receita líquida do governo. Despesas com pessoal representam quase 20%, enquanto saúde e educação consomem mais 13%, sem considerar a despesa com servidores dessas áreas. A receita líquida do governo, o valor que sobra após as transferências obrigatórias a estados e municípios, cobre 89% da despesa federal. Os outros 11% são financiados pelo aumento da dívida.

hoje

Mais lidas

WP Twitter Auto Publish Powered By : XYZScripts.com