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Economia

Nem-nem: Ceará tem quase um milhão de jovens desocupados

quinta-feira, 30 de maio 2024

O Brasil possui um total de 34 milhões de jovens entre 14 a 24 anos, que correspondem a 17% do total da população do país. Desse montante, 5,4 milhões vivem a rotina do chamado nem-nem, ou seja, nem estudam e nem trabalham. Já o Ceará possui 1,5 milhão de pessoas nessa faixa etária. Desses, apenas 38,8% estão ocupados (593 mil), e quase um milhão vivem na desocupação (936 mil). Em 2019, por exemplo, ano pré-pandemia, eram 45,8% ocupados, o que demonstra uma queda na quantidade de jovens que desempenham alguma função laboral. O indicador figura o estado na 24ª posição entre os 27 estados do país com pessoas ocupadas nessa faixa etária. O estado tem uma das maiores taxas do país de informalidade entre jovens. De acordo com os dados do Ministério do Trabalho, entre os jovens que estão ocupados no Ceará 62,8% estão em trabalhos informais. É a quarta maior informalidade do país, atrás apenas de três estados: Maranhão (72%), Pará (67,3%) e Bahia (64,4%). Os dados mostram que faltam oportunidades para esses jovens, que vivenciam uma geração sem acesso à educação e ao trabalho formal. É o caso, por exemplo, da Mariana Pereira, que está com 19 anos e precisa ajudar em casa com as irmãs mais novas para a mãe poder sair para o trabalho. “Terminei o segundo ano do ensino médio e larguei e não pude fazer mais cursinho. A minha mãe precisa trabalhar para comprar comida para a gente. Sonho em um dia fazer faculdade, mas antes preciso arrumar um trabalho para ajudar em casa. Vou fazer isso assim que minhas irmãs crescerem”, contou. O levantamento, da Subsecretaria de Estatísticas e Estudos do Trabalho, do Ministério do Trabalho e Emprego, foi divulgado durante o evento Empregabilidade Jovem, promovido pelo Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), e condensado com base em estatística do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A subsecretária de Estatísticas e Estudos do Ministério do Trabalho e Emprego, Paula Montagner, ao analisar os dados nacionais, disse que essa realidade se deve a vários fatores e atinge, principalmente, as mulheres, que representam 60% do total desse público. “Há muita dificuldade de as mulheres entrarem no mercado de trabalho, em especial, mulheres jovens. Por outro lado, há esse apelo para que as jovens busquem alguma outra forma de ajudar a sociedade, que é ter filhos mais jovens, além de um certo conservadorismo entre os jovens que acham que só o marido trabalhando seria suficiente”, disse. Iniciativa Com o intuito de combater a evasão escolar entre os jovens de baixa renda, o governo federal lançou recentemente o programa Pé-de-Meia. Esse programa oferece incentivos financeiros para que esses jovens permaneçam matriculados e concluam o ensino médio. O Pé-de-Meia estabelece o pagamento de incentivos anuais de R$ 3 mil por beneficiário, totalizando até R$ 9,2 mil ao longo dos três anos do ensino médio. Adicionalmente, há um bônus de R$ 200 para os participantes do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) na última série. No entanto, de acordo com Paula Montagner, os resultados desse programa entre os jovens só serão perceptíveis nos próximos anos. Na avaliação do especialista em finanças, Helder Cavalcante, esses números são bastante reveladores sobre a situação dos jovens no Brasil, especialmente no contexto econômico e social atual. “Primeiramente, é preocupante notar que uma parcela significativa da população jovem está fora tanto do sistema educacional quanto do mercado de trabalho, caracterizando o fenômeno conhecido como “nem-nem”. Essa situação pode ter várias causas, incluindo a falta de acesso à educação de qualidade, barreiras de entrada no mercado de trabalho, desigualdades socioeconômicas e até mesmo desmotivação decorrente de um ambiente econômico desafiador”, disse. O caso do Ceará, segundo ele, reflete um cenário ainda mais delicado. “Com uma população jovem considerável, a maioria encontra-se desocupada. A taxa de ocupação de apenas 38,8% entre os jovens cearenses é alarmante e coloca o estado em uma posição desfavorável em comparação com o restante do país. Esses números ressaltam a urgência de políticas públicas voltadas para a inserção e capacitação desses jovens no mercado de trabalho, bem como medidas que incentivem a continuidade dos estudos. Investir na educação e em programas de qualificação profissional é essencial para que esses jovens possam contribuir de forma significativa para o desenvolvimento”, disse.

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