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1 março 2018.
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Economia

Otimismo dos especialistas volta a subir no 1° bimestre

quinta-feira, 01 de março 2018

Acompanhando a tendência de melhora nas expectativas, observada desde o segundo semestre de 2017, a confiança dos especialistas em economia de Fortaleza voltou subir no início de 2018, registrando alta de 4,2% no primeiro bimestre – depois de recuar 8% no último bimestre de 2017. Segundo o Índice de Expectativas dos Especialistas em Economia (IEE) – que ouviu mais de 130 especialistas em economia no Ceará, de diferentes setores – o otimismo variou de 110,6 para 115,3 pontos, graças à melhora de sete dos nove indicadores analisados, segundo o levantamento divulgado, ontem, pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Ceará (Fecomércio-CE), juntamente com Conselho Regional de Economia (Corecon).

Contrariamente ao comportamento de queda observado no bimestre anterior (novembro e dezembro), a volta do otimismo no primeiro bimestre de 2018 (janeiro-fevereiro) contou com a alta observada em taxa de inflação (de 103,3 para 169,8 pontos); taxa de juros (de 125,4 para 163,4); gastos públicos (de 68,8 para 121,3); taxa de câmbio (76,3 para 106,4). Ainda no campo do otimismo, mas apresentado redução, estão o cenário internacional (de 143,8 para 130,7); evolução do PIB (de 156,3 para 122,8); e oferta de crédito (de 123,3 para 104,5 pontos).

Pessimismo
O 23º levantamento da série bimestral mostra que os analistas revelaram pessimismo com relação ao nível de emprego, que caiu para o campo do ceticismo (de 132,1 para 91,1), sendo que os salários reais tiveram o pior resultado, de 66,5 para 53 pontos – distanciando-se, ainda mais, da zona neutra de 100 pontos. Conforme a metodologia, cada uma das variáveis analisadas gera três índices: de percepção presente, futura e de expectativa geral.

Considerando a soma das variáveis, o índice geral avançou da 22ª para a 23ª pesquisa, ao passar de 110,6 para 115,3 pontos. A pesquisa mostra, ainda, que o otimismo dos analistas sobre o comportamento futuro das variáveis também subiu, ao passar de 112,8 para 114,8 pontos (1,8%), variação que apenas reduziu, um pouco, a queda anterior de 7,8%. Além disso, cabe destacar que a percepção otimista sobre o desempenho presente das variáveis registrou expansão de 6,6%, alcançando 115,7 pontos contra os 108,5 da pesquisa anterior.

Análise
Ao comentar os resultados do levantamento, o vice-presidente do Corecon, Ricardo Rocha, destacou que a pesquisa está alinhada com outras de expectativa, que apontam um maior otimismo nesse início de ano, “e é até natural que, nesse período, seja um pouco maior, e vai se confirmando, ao longo do ano, muitas coisas”. Para o especialista, o maior otimismo se deu, especialmente, “em função da melhora, embora que suave, da economia brasileira”.

Com relação aos indicadores que recuaram, Ricardo observa que o mercado de trabalho responde, com mais de defasagem à dinâmica de recuperação da economia, mas além disso, “essa redução da taxa de desemprego se deve em função do aumento do emprego informal, que tem qualidade inferior comparado ao formal”. Para o especialista, o mercado de trabalho ainda deve responder com mais lentidão nos próximos meses.

Apesar da inflação menor, os salários reais aparecem junto com o emprego, na linha de pessimismo nas expectativas. “Essas são variáveis que revelam o alcance social da dinâmica econômica, que trilham o poder de compra da população em geral. Infelizmente, são elementos que ainda precisam apontar um melhor desempenho e esperamos uma perspectiva melhor”, destacou Rocha.

No radar: mercado, eleições e perspectivas

Na visão do economista Ricardo Rocha, 2018 será um ano de bastante volatilidade na economia brasileira, nas expectativas dos agentes econômicos, percepções, e mesmo no comportamento de algumas variáveis do mercado financeiro, “como o dólar, que poderá ter algum solavanco grande para cima ou para baixo, ou a própria Bolsa – em função dessa nossa dinâmica política interna, que será pautada pelo calendário”. Em outras palavras, “a política ainda vai interferir na dinâmica do comportamento econômico e nas expectativas dos agentes”, prevê o especialista.

O economista destacou que o PIB de 2017 – a ser divulgado hoje pelo IBGE – deve chegar em 1% de alta, pondo fim aos anos de recessão, sendo, já para esse ano, a previsão de 3%, segundo a pesquisa Focus. “Temos outros indicadores, como de consumo crescendo, expansão do crédito, a própria economia mundial, com uma performance melhor enfim. Temos indicadores internos – como juros e inflação menores, ânimo no consumo e investimento produtivo – e os agentes externos também melhores, com a perspectiva do FMI para um crescimento de mais de 3,5% da economia mundial esse ano. Então, a princípio, nesse início de ano, vem se confirmando as expectativas e a melhor dinâmica da economia, que já se identificou no segundo semestre do ano passado”, relatou Ricardo.

No próprio mercado financeiro, até a última terça-feira (27), Rocha mencionou a rentabilidade da bolsa brasileira, acumulada em 15% esse ano, “e estamos entre as três bolsas com maiores valorizações do mundo”. Apesar de todas as dificuldades políticas, incertezas e sustos de eventos inesperados, e o próprio ano eleitoral no País, “a economia tem mostrado uma resiliência, uma capacidade de avançar, e as expectativas são bem melhores este ano”, finaliza o vice-presidente do Corecon.

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