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sexta-feira, 21 de janeiro de 2022.
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Economia

Portaria virtual reduz em até 80% custos de condomínios

Um problema que atinge muitos, senão todos, os condomínios é o alto custo orçamentário com mão de obra, seja ela terceirizada ou não, motivo mais que suficiente para os elevados valores das taxas condominiais. E, em Fortaleza, isso não é diferente, ao ponto de qualquer reforma estrutural, por vezes, exigir dos condôminos a temida taxa extra. Para ajudar na redução dos custos e proporcionar uma folga no orçamento desses empreendimentos, a portaria virtual surge como solução que propõe, além da melhoria do serviço e segurança, uma economia mensal que pode chegar a 80%.

No Brasil, esse sistema está em funcionamento há cinco anos, chegando à capital cearense há cerca de dois – fruto da iniciativa pioneira da empresa Hiseg, que resolveu apostar nesse nicho. “Diante dessa crise e dos problemas econômicos que o País está passando, todos estão em busca de reduzir custos e, infelizmente, tem que ser na carne, ou seja, na mão de obra, que é a parte mais pesada de uma empresa, um condomínio etc. A portaria virtual veio para trazer mais segurança e mais conforto, com todos os processos bem estruturados”, destaca o presidente da empresa, Harrison Pinho Júnior.

Economia
A tecnologia baseou-se em um modelo de negócio já existente, adaptando-a para portarias. “Ela funciona em condomínios com até 60 ou 70 unidades (apartamentos), no máximo, porque o fluxo de acessos – carros e pedestres – é bem maior. Em condomínios menores, em que o custo é mais alto, é perfeito pra gente”, destacou Harrison. Ele adianta que, na configuração atual, um operador controla até quatro estabelecimentos “e é aí onde mora a redução dos custos, porque, em vez de ter um para cada empreendimento, esse valor é rateado entre quatro ou cinco”.
Segundo o executivo, geralmente, em condomínios mais antigos, ou com um apartamento por andar – em que o custo é muito caro –, “uma portaria presencial custa, em média, R$ 13 mil a R$ 14 mil, enquanto a portaria virtual custa em torno de R$ 5 mil a R$ 6 mil, com 24 horas e livres de encargos, pois não existe isso”, detalhou Harrison. Ele relatou que o primeiro condomínio no Ceará a usar a tecnologia, começou só com 12 horas por dia (horário diurno), suficiente para economizar R$ 60 mil. “Mensalmente, a redução gira em torno de 80%, com uma média de R$ 7 mil a R$ 9 mil por mês”, reforça.

Segurança
Além da economia, a qualidade do serviço aliada à tecnologia são evidentes. Harrison aponta que estudos feitos em São Paulo, mostram que 70% dos porteiros noturnos dormem. Isso, segundo ele, “é muito perigoso e um custo desnecessário. Com os nossos operadores isso não ocorre, pois eles são treinados a não liberar quem não esteja realmente autorizado a entrar. A segurança do estabelecimento não está só em câmera e alarme, mas também em quem entra”.
Ainda quanto a acessos, cada morador tem seu controle cadastrado (veículos), assim como os pedestres, que recebem um cartão com chip, também cadastrado em seu nome. Para garantir o funcionamento ininterrupto da portaria, são instalados links dedicados de fibra ótica. Com isso, o operador pode recepcionar quem chega nos empreendimentos e registrar todo o processo, da chegada à saída. “Toda a interfonia é estruturada, bem como a parte de nuvem (gravação de imagens e voz). Nossos servidores estão no Canadá, gravando tudo referente à portaria virtual. E há um diferencial: na portaria presencial, tudo é registrado em papel e pode vir a se perder, mas com a gente não, pois é gravado e monitorado, com vídeos e áudios, isento de falhas” explica Harrison Júnior.
Outra vantagem foi apontada diante de uma situação de invasão. Para Júnior, esse é um grande ponto forte, pois com o porteiro presencial rendido, não há o que fazer. “No sistema virtual, nossos operadores estão seguros e têm a liberdade de acionar os moradores, ou a Polícia, tomando todas as atitudes cabíveis”.

Perspectivas
Diante da crescente demanda, Harrison comemora os números já alcançados e projeta crescimentos vultosos. Hoje, a empresa já atende a 11 empreendimentos, sendo dez condomínios residenciais e um corporativo. “Nesse ano crescemos 80% e a meta, até o final do ano, é dobrar, e a gente acredita que tem demanda e mercado”, salientou o executivo da Hiseg. “Pela ótica dos empreendimentos, nossa expectativa de economia nos condomínios, este ano, é de mais de R$ 800 mil, dinheiro esse que pode ser revertido em melhorias no local, por exemplo”, estimou. Para ele, essa é uma tendência irreversível em condomínios menores, que nos próximos anos, mudarão para a portaria virtual.

Dispositivo eletrônico aumenta a eficiência
A portaria virtual surgiu mais para atender condomínios residenciais. Só que, com a demanda crescente e os custos ficando muito altos, a visão empreendedora de Harrison Júnior foi mais além, e foi dado início às operações nas empresas, quando sugiu o aplicativo Outkey. “Há cerca de 40 dias estamos na Academia Cearense de Tênis (ACT), que comprou nossa ideia e estão usando nosso aplicativo que controla todos os acessos. Com ele, pode-se abrir o portão, avisar quando está chegando e várias outras funcionalidades. Então, eles têm usado tanto a portaria virtual como o aplicativo, e isso tem melhorado muito, tanto a segurança como o atendimento dos clientes, dos sócios”, ressaltou o diretor presidente da Hiseg.

Através do aplicativo é possível ver todos os registros e controle total de acessos com praticidade através de computador, smartphone ou tablet. “Quando tem algum evento ou festa no condomínio, por exemplo, a gente pede para o morador enviar a lista antecipadamente, ou através do aplicativo informar as pessoas que ele está esperando. Quando o operador vê, no tablet, quem são as pessoas, vai agilizar o processo quando elas chegarem. Isso vai ficar formalizado e vai dar mais agilidade nos acessos”, detalha a diretora operacional da Hiseg, Sarah Castro de Lucena.

Expansão
Lançado há três meses, só no Estado do Ceará, já são mais de 1,2 mil usuários e 25 estabelecimentos, tendo, em média, 2,5 mil notificações/mês de entradas, liberação de visitantes, entre outras possibilidades. Com o rápido crescimento, o idealizador resolveu abrir uma empresa dedicada ao app. “Ele funciona tanto em conjunto com a portaria virtual, sendo que é um produto à parte. Se um cliente da portaria virtual entrar em contato e querer o aplicativo, a gente abre, pois possibilita melhores processos”, completa Júnior.
“Nossos condomínios tem um aplicativo que nenhuma outra portaria ou empresa do País inteiro tem. A gente é a única empresa que tem esse aplicativo, que está aberto a todos os estados”, pondera Harrison. Em Fortaleza, pelo menos 500 condomínios estão na mira da empresa, e, em 2017, a pretensão é de entrar no mercado de São Paulo, “um mercado 100 vezes maior do que o Ceará”, finaliza o executivo.

NONATO ALMEIDA
economia@oestadoce.com.br

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