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Uma fé que move montanhas

quarta-feira, 13 de abril 2022

Por Yasmim Rodrigues

Anna Pimentta conta sua história de resiliência e empreendedorismo em Fortaleza

Nascida em Quixeramobim, filha do agricultor Geraldo Pimentta e da costureira Maria do Socorro Pimentta, Anna Pimentta foi acostumada desde os 7 anos a trabalhar na roça. De acordo com ela, foi ali, ainda criança, que aprendeu a não ter medo de trabalhar. “Aprendi a ser forte, aprendi a ter muita coragem”, relembra. Coragem esta, que seria necessária mais tarde, durante a construção da carreira de Anna.

Durante os anos 90, Anna Pimentta começou a trabalhar com a publicidade com Eliezio Almeida, pioneiro na Publicidade de Ordem Legal, área responsável por proporcionar transparência aos serviços prestados por empresas públicas e privadas por meio de anúncios e editais. “Eu tinha 22 anos, ele faleceu 2 anos e pouco depois que eu tinha iniciado o trabalho, mas ele me ensinou tudo”, afirma.

Foto: Larissa Nobre

Com uma veia empreendedora, Anna começou a sonhar mais alto e fundou a sua própria agência de Publicidade Legal com um sócio. “Não deu certo e eu segui só. Depois, devido a alterações sociopolíticas, as publicações ficaram escassas e eu praticamente quebrei”, conta. Naquele momento, a agência passou a funcionar no apartamento da jovem empreendedora, o que não ajudou na melhora do cenário da empresa. 

Mais tarde, com o incentivo do cunhado, Antônio Faustino, Anna consegue abrir um novo ponto comercial, dessa forma nasce a D&M Publicidade. “Eu e a minha sócia Débora Myurra começamos praticamente do zero. Ela foi uma guerreira, o meu braço direito e enfrentou tudo e todos. Assim, as coisas foram melhorando, até que um tempo depois tivemos um novo obstáculo”, relata.

A empreendedora explica que houve um período em que ocorreu uma mudança repentina no mercado e a empresa não estava preparada. “Além disso, uma parte importantíssima da minha equipe, a Clevanira Rocha, responsável por cuidar das publicações das prefeituras, faleceu, foi um baque para todos nós. Dessa forma, ficamos apenas com 1 prefeitura e eu tive que dar as contas de todo mundo”.

Com muita resiliência e fé, Anna Pimentta, formada em Marketing e Gestão desde 2010, reergueu sua empresa e enxergou no trabalho uma forma de superar adversidades da vida como a perda dos pais. “Eu sempre disse que caio e levanto quantas vezes for preciso”, pontua. Após uma reestruturação, a empresa começou a florescer e se tornou a potência que é atualmente. O Jornal O Estado conversou com a empreendedora, que entre altos e baixos, acabou se tornando um exemplo marcante da força e da capacidade da mulher cearense.

OE: Durante toda a trajetória de altos e baixos, qual você considera que tenha sido o pior momento da sua carreira?

AP: Houve dois, o momento que as publicações zeraram e tivemos a perda da Clevanira. E teve um recente, quando uma empresa concorrente tentou nos tirar do mercado. Foi um momento muito difícil, eu fiz, inclusive, uma promessa para conseguir sair disso, prometi me despir de toda a minha vaidade, por isso,  eu passei a máquina no cabelo.

OE: O que você considera que mais mudou na publicidade desde o início da sua carreira até agora?

AP: Muita coisa melhorou, mas na época as publicações eram mais valorizadas. Existia muita dificuldade na época em relação a comunicação, nós íamos em Maranguape e Maracanaú buscar editais, hoje não, o cliente revisa e autoriza rápido, antes esse material era feito todo na mão.

OE: Você acredita que no mercado tem espaço para todos?

AP: Tem espaço para todos. Há empresas que não aceitam bem isso, mas existe sim mercado para todos.

OE: O que você diria para quem quer começar a construir a carreira agora?

AP: Não é fácil, é preciso ter muita fé e muito trabalho. É necessário respeitar as empresas da concorrência que estão há mais tempo no mercado. Não há espaço para aventureiros, que aparecem somente na época dos balanços, por exemplo. Você tem que valorizar o cliente independente do tipo de publicação.

OE: A Publicidade de Ordem Legal está adaptada às novas tecnologias?

AP: Eu acredito que já estamos adaptados. Não estamos tendo dificuldades com o online e o digital, achamos que ia ser muito difícil, mas o certificado facilitou tudo.

OE: O que diferencia a D&M das outras agências que podemos encontrar em Fortaleza?

AP: O nosso diferencial é o lado humano, a D&M é uma família, sempre falo que eu sou um polvo e minha equipe são meus tentáculos. Além disso, acho que é importante não enxergar o cliente como uma fonte de ganhar dinheiro, sempre falo para os meus clientes que tê-los é uma honra e, às vezes, tem cliente que não sabe o quanto é importante. 

OE: Como é fazer parte da D&M?

AP: Eu sou muito grata por todo mundo que ficou por aqui. Estamos juntos para tudo, na alegria, na tristeza, na saúde e na doença, com dinheiro ou sem dinheiro, estamos sempre juntos.

OE: Quais são seus planos para o futuro?

AP: Eu quero continuar trabalhando com muita fé e, se eu cair, me levantar de novo. Acho que na nossa área ainda tem muito a se fazer nos próximos anos. Não pretendo me aposentar tão cedo. Fora da publicidade, tenho vontade de abrir um outro empreendimento e escrever meu livro. Vem novidade por aí.

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