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Prefeito José Sarto destaca desafios e avanços de sua gestão em Fortaleza

quarta-feira, 13 de abril 2022

Por Anderson Cid

Em menos de um ano e meio de gestão, o prefeito de Fortaleza José Sarto (PDT) já teve que administrar a cidade em momentos decisivos, que devem ainda ser lembrados por vários anos, como o processo de vacinação contra a covid-19 e a reabertura econômica após o arrefecimento da pandemia. Em entrevista para O Estado, o chefe do Executivo municipal destacou os principais desafios enfrentados por ele desde que assumiu a Prefeitura, os projetos que vêm sendo tocados pela gestão, avaliações sobre alianças partidárias e disputas internas e expectativas para as eleições deste ano no estado do Ceará. Confira:

O Estado. Em meio à pandemia, Fortaleza foi uma das cidades em que a população aderiu massivamente à vacinação, o que não aconteceu no mundo inteiro. A quê senhor credita isso?
José Sarto. O Brasil é uma referência em vacinação e as campanhas na nossa cidade também já eram bem sucedidas. Desde o início da pandemia, o então governador Camilo Santana e eu, aqui em Fortaleza, trabalhamos orientados pela ciência e o tempo todo defendemos a vacina como importante estratégia na luta contra a covid-19. Houve vários esforços para incentivar a vacinação aqui em Fortaleza, de comunicação, de logística, gestão de equipes, realização de mutirões.

Até os agendamentos, que no início pareceram algo complicado, foram se mostrando uma boa estratégia para atendimento de públicos prioritários e organização. À medida que recebíamos maior quantidade de doses, fomos ampliando também o número de pontos de vacinação. Essa foi a nossa prioridade. Foram pouquíssimos os dias em que não houve vacinação. Com todos os nossos esforços e o histórico da imunização na cidade, os fortalezenses mostraram boa adesão à campanha contra a covid-19 também.

OE. O enfrentamento à covid-19 exigiu muito dos governantes e da população, mas em muitos casos também deixou um legado para os serviços de saúde em âmbito local. O que ficou, nesse sentido, para a capital cearense no futuro?
JS. O que fica como principal legado é a nossa capacidade de gestão, de estabelecer estratégias para lidar com situações críticas e apresentar respostas rápidas à população. A gente teve de lidar com uma segunda onda, que nos levou a aumentar o número de leitos de enfermaria e UTI, que nos fez reorganizar a rede hospitalar para se adequar às características de uma pandemia, mantendo pacientes de outras enfermidades em alas diferentes dos pacientes com Covid-19. Houve também iniciativas como a do Governo do Estado, de ter adquirido um hospital que, posteriormente, passou a ser um hospital para realização de cirurgias eletivas etc. É um legado de gestão, de estratégia, mas também de estrutura, com novos equipamentos à disposição dos fortalezenses.

OE. É de se imaginar que a crise sanitária tenha forçado governantes a priorizar a saúde na atual administração. Mas, para além dessa área, o que senhor destacaria como marco da sua gestão, do início de 2021 para cá?
JS. O marco foi trabalhar para reverter os efeitos da pandemia, para amenizar, mitigar, tanto quanto possível, os efeitos no âmbito social, principalmente entre a população mais pobre. Então nós realizamos um pacote de proteção social, com investimento de R$ 31 milhões, que beneficiou mais de 392 mil pessoas.

A retomada das aulas presenciais também veio acompanhada de novos equipamentos, como tablets e chips para os estudantes, que ficam com esse legado. Por mais que os alunos não estejam mais nas aulas remotas, virtuais, esses equipamentos são ainda muito úteis para auxiliar no aprendizado deles. Também mantivemos o ritmo de melhorias na mobilidade urbana, com expansão de ciclofaixas e ciclovias, com novos terminais de ônibus. Além disso, a gente vem ampliando políticas bem-sucedidas de governos anteriores, como as Areninhas. Apesar da pandemia, continuamos realizando muita coisa, implantando muita coisa para colher no futuro. Fortaleza se notabilizou por ter o maior investimento público entre as capitais do Nordeste. Temos sido citados diversas vezes como uma das capitais que mais têm gerado empregos. Então, acredito que a grande marca é termos passado por um ano muito difícil, com muitos desafios, mas com bom ritmo de realizações. Temos aí um cenário, que, embora difícil, aponta para melhor situação da cidade na área da economia.

OE. A Prefeitura tem se debruçado sobre programas para incentivar o empreendedorismo, na esteira de uma crise econômica. A que passo está a execução dessas iniciativas no momento atual?
JS. No ano passado, lançamos o programa Nossas Guerreiras, que é o maior programa de crédito orientado do País. Estamos fornecendo crédito de até R$ 3 mil para 17 mil mulheres de baixa renda, chefes de família. Prefeitura e Governo do Estado estão investindo juntos cerca de R$ 55 milhões. Até hoje, 347 mulheres já receberam o recurso, enquanto 4.807 mulheres já fizeram a capacitação e estão aptas a fazer o financiamento.

Além do Nossas Guerreiras, a Prefeitura de Fortaleza está ampliando o projeto Meu Bairro Empreendedor para diversos bairros da Capital. O projeto já beneficiou Bom Jardim, Grande Mucuripe (Vicente Pinzón e Serviluz), chegando agora aos bairros Vila Velha, Pirambu e Messejana, onde estamos realizando obras. Essas ações devem estimular a criação ou ampliação de negócios, promovendo a circulação de dinheiro no bairro, estimulando empregos e novos negócios. Temos ainda o Fortaleza Capacita, em parceria com o Sebrae, que vai qualificar mais de 30 mil empreendedores, sendo 25 mil por meio de capacitações gerenciais e outros 5.640 através de consultorias.

OE. O período de retomada também põe em evidência a área da educação, com a volta às escolas. Como o senhor avalia que tem sido esse processo em Fortaleza?
JS. Depois de quase dois anos sem aulas, a retomada traz certo nível de tensão e ansiedade sobre como vai ser o processo, o que é natural. Mas conversamos com toda a comunidade escolar e demos todo o apoio necessário. A gente lançou aquele pacote de volta às aulas, com uma série de ações e benefícios para isso se dar da forma mais tranquila possível. Dedicamos equipes de agentes escolares, que nos ajudaram a atrair os alunos de volta às salas de aula, minimizando os riscos de evasão e abandono. Posteriormente, concedemos uma série de avanços para os professores, para valorizar e estimular professores.

OE. Tratando de casos específicos, qual o senhor diria que foi o momento mais desafiador de seu governo até hoje?
JS. Logo que assumi a gestão, já se iniciava a segunda onda da covid-19 em Fortaleza. A pandemia já havia dado uma trégua, e aí tivemos que reorganizar nossa rede de atendimento e, ao mesmo tempo, montar toda a logística de vacinação. Então acredito que o maior desafio foi implantar essas duas frentes de trabalho, já nos primeiros dias de governo. Além de atender a população, porque as pessoas estavam doentes, montamos uma estratégia para vacinar.

OE. E qual foi, por sua vez, o maior aprendizado ganho na cadeira do Paço Municipal?
JS. O maior aprendizado é que você não faz nada sozinho. Você precisa ter uma equipe comprometida, abnegada, que se entrega ao serviço público com dedicação, amor e é isso que faz com que um governante seja bem sucedido. Você pode ter as melhores ideias e intenções, mas você precisa de uma equipe para liderar e conseguir os resultados que almeja.

OE. O que já é possível adiantar com relação a iniciativas futuras da gestão, daqui até 2024?
JS. A pandemia arrefeceu, nós estamos voltando a retirar a máscara em locais públicos, a nos encontrar com mais liberdade. A economia está tendo perspectivas melhores de reabertura, mas esse momento pós-pandemia traz imensos desafios. Na área da saúde, devido à suspensão das cirurgias eletivas, inclusive por recomendação do Ministério Público, nós temos aí uma demanda reprimida que precisa ser enfrentada. Já era um desafio muito grande lidar com a grande demanda que temos aqui, já que a grande maioria da população depende do SUS. Com esse acúmulo dos dois anos de pandemia, isso se agravou. Então a gente precisa entregar para a população uma estratégia eficiente, humanizada, para que a gente avance e consiga superar essa fila. Isso é primordial. Em segundo lugar, é preciso continuar o trabalho de incentivo, capacitação, para que a economia siga melhorando como está. Para isso, a Prefeitura tem realizado investimentos públicos em grandes obras, o que vai atrair recursos da iniciativa privada e tornar o ambiente de negócios de Fortaleza cada vez melhor.

OE. Estamos em ano de eleição e muito se comenta sobre a expectativa de uma campanha exaltada ou até violenta. Acredita que isso deve valer para o pleito no Ceará também?
JS. As últimas eleições mostraram essa polarização e também foi assim em Fortaleza. Nós temos um grupo político que acredita em um projeto, que tem serviço prestado, tem experiência, tem time e tem mostrado pra população que é capaz de enfrentar os problemas, de inovar e de continuar nesse caminho de crescimento pro Ceará e em Fortaleza. Por outro lado, nos últimos anos, existe aqui no Ceará uma alternativa que é pautada pelo ódio, pelo obscurantismo, pela política que promove e já promoveu o caos aqui em Fortaleza e no Estado do Ceará, realizando motins, por exemplo. Então infelizmente a gente imagina, pelo cenário que está posto, que isso provavelmente vá se repetir.

Mas a gente vai fazer o debate. E acho que o eleitor cearense é maduro o suficiente para saber o que é melhor e não vai querer se aventurar. Acredito também que o governador Camilo Santana fez um grande trabalho e aquele candidato que o Camilo apoiar deve ter essa chancela, a população deve reconhecer isso.

OE. Em meio a tensões dentro da base, o PT ganhou, na sua gestão, um espaço que não tinha antes na estrutura administrativa. Qual a importância de o PDT estreitar relações com o PT no momento atual?
JS. PDT e PT têm muito mais convergências do que divergências e a história mostra isso. Se você consultar a história dos últimos anos em Fortaleza e no Ceará, essa troca de apoio e essas alianças têm sido muito frequentes e bem-sucedidas. Essa aproximação, esse espaço que o PT ganha na gestão está em sintonia com essa história que os dois partidos têm aqui no Ceará.

OE. O senhor já declarou que apoia o nome do ex-prefeito Roberto Cláudio para a candidatura pedetista ao Governo do Estado. Acredita que ele tem melhores chances de vencer a disputa interna no PDT?
JS. Como disse antes, manifestei uma opinião pessoal. Conheço o Roberto Cláudio desde a Assembleia Legislativa, quando ele ingressou na política como um jovem deputado. Depois, tornou-se presidente da Assembleia e prefeito de Fortaleza. Fez um grande trabalho, foi reeleito e foi reconhecido pela população.

Conseguimos nos eleger com o apoio do Roberto Cláudio, que saiu muito bem avaliado da gestão. E ele está rodando o Ceará, está conversando com todo mundo, discutindo e aprofundando os conhecimentos dele sobre o nosso estado. Acredito nele como o nome mais bem posicionado e capacitado nesse momento, muito embora nossa governadora Izolda Cela, o presidente da Assembleia, deputado estadual Evandro Leitão, e o deputado federal Mauro Filho sejam grandes quadros do PDT. Isso mostra que estamos muito bem servidos. As possibilidades são todas muito boas para o Estado do Ceará. Mas eu, pessoalmente, defendo a candidatura do Roberto Cláudio, por tudo o que já disse, pela experiência, capacidade de diálogo e de trabalho, e até mesmo pelo conhecimento que a população tem dele e do trabalho que ele já prestou.

OE. Para encerrar: Fortaleza é uma cidade bastante plural e viva. Na ocasião deste aniversário, qual o senhor considera que seja um traço definidor da nossa cidade?
JS. O traço definidor de Fortaleza é a nossa gente. É esse povo que molda a nossa cidade, pelas dificuldades que enfrenta, mas também pelas alegrias que essa cidade proporciona. Então, como você mesmo diz, Fortaleza é uma cidade muito plural, diversa, que tem por característica esse povo trabalhador, acolhedor e alegre.

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