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Gastronomia - por: Danielle Gondim

Chefe Dani Gondim viaja pela gastronomia Espanhola no texto “Entre Tapas e Pintxos” e traz uma receita fácil e deliciosa,venha conferir

sábado, 10 de julho 2021

Entre Tapas e Pintxos 
Meu irmão, em um período de sua juventude, morou em alguns países da
Europa. Dentre eles a Espanha. Em um outro momento, depois de ter voltado
daquela sua aventura exterior, ele passou por uma grande aflição, todos nós
passamos: a descoberta de um câncer raríssimo e severo, aos 25 anos de
idade. Depois de uma longa e difícil batalha e de ter controlado a doença, um
dos seus primeiros desejos foi o de que suas pessoas pudessem ver com seus
próprios olhos as belezas que um dia ele teve a chance de conhecer,
principalmente nossos pais.  
 Há tempos eu já tinha desejo de conhecer a Espanha, por ser um país de
muita referência para gastronomia. Organizamos a viagem em família e
partimos rumo à Barcelona, Sevilla, La Rioja, região que ele havia morado,
Granada e eu iria sozinha para San Sebastian, cidade do país Basco. 
 Decidi contar para vocês um pouco dessa inesquecível viagem, porque a
Gastronomia na Espanha é algo à parte e que merece ser mencionada. A
maneira com que eles tratam o alimento, suas técnicas, são impressionantes,
mas vou lhes falar ao longo do texto. Vamos ao percurso.
Desembarcamos em Barcelona, e ” as cores de Almodóvar”,  de Gaudí e
Miró já me saltaram os olhos. Uma explosão cultural, de encher a alma. Os
restaurantes com suas tapas coloridas e cheias de ingredientes puros. A
comida espanhola é assim. É o ingrediente por ele mesmo. Um bom pimentão,
um bom peixe, um bom camarão e jamón sempre. Não precisa de mais. Tudo
já tem muito sabor. E é isso que amo na gastronomia desse país e na cozinha
mediterrânea, em geral. Não precisa de nada que mascare o sabor do
alimento, nada, só precisa que ele seja bom. 
Chegamos em Sevilla. A cidade que mais me marcou, não sei bem dizer o
porquê, mas achei acolhedora. Posso fechar os olhos e me ver de novo no pôr
do sol, na Praça de Espanha, e depois nas ruazinhas que me levaram a uma
outra praça, agora num bairro não tão nobre e em plena segunda feira encontro
pessoas bailando ao ar livre, felizes ao som de qualquer música espanhola. 
Adoro caminhar pelas cidades e imaginar que sou uma nativa. Exatamente
assim, ainda em Sevilla, conheci as inúmeras espécies de tomates e azeitonas
daquela terra. Descobri também que eu não sabia o que era azeitona. Eu não
conhecia o verdadeiro sabor. Porque só as comia em conserva e é muito
diferente,  confesso que até um dia desses nem gostava. Existem das mais
doces às mais amargas, quase intragáveis e eles comem achando bom. Mas
eu nunca esqueci o gosto. Podia comer todo dia. Os tomates, de todos os
formatos, tamanhos, cores e texturas que se possa imaginar. Pimentões então,
nem se fala. Que riqueza! Já que falei das azeitonas, não posso deixar de falar
do “ouro líquido” dos espanhóis, seus azeites. Dos mais frutados, aos amargos,
picantes, são motivo de orgulho nacional . A mala, é claro, que veio cheia de
garrafas. Dava vontade de beber. 

Já em La Rioja , chegamos à região adorada de meu amado irmão. Logroño,
foi a cidade específica que ele morou, a terra dos vinhos espanhóis e dos bares
de pintxos. Das incríveis vinícolas, a Marques de Riscal foi inesquecível. Uma
história antiquíssima, que se mistura a uma arquitetura moderníssima. Coisa
literalmente de outro mundo!
Nos bares de pintxos , além de servirem os vinhos, é claro, conheci uma
outra bebida, que para mim, que não curto muito álcool, achei apaixonante.
Falo do mosto. É o sumo da uvas antes do processo de fermentação.  Que
coisa deliciosa! Ao se pedir um pintxo (petiscos normalmente espetados com
um palito), eles já lhe oferecem um copo de mosto ou vinho. E do que são
feitos esses petiscos? São champignons Paris enormes , assados e recheados
com queijo,  croquetas de Jamón, batatas bravas, pães cobertos com
marmeladas de frutas vermelhas e queijo de cabra, tortillas de batatas no pão.
Um outro clássico, que chama pan tumaca, que nada mais é que pão com
tomate ralado e azeite. Tudo muito simples, mas com muito sabor. E já
perceberam que se come muito pão nesse país, né? Pão vai com tudo. E são
pães firmes, de casca dura. Chegou no restaurante e já lhe trazem. 
Por fim, a família foi para Granada conhecer o paraíso que é Allambra e eu
fui sozinha para San Sebastian fazer um curso no renomado
Basque Culinary Center. A cidade é conhecida como a capital da gastronomia
espanhola e é uma das cidades de maior concentração de estrelas Michelin por
metro quadrado do mundo. A modernidade está lá. As técnicas mais
mirabolantes, chefes como os Arzak, pai e filha, Martin Berazategui, Pedro
Subijana, Andoni Luis Aduriz fazem da gastronomia desse lugar a mais atual.
Eles simplesmente mostram ao mundo, o caminho a ser seguido. E assim pude
conhecer um verdadeiro Bacalao Al pil pil, uma das minhas receitas preferidas
na vida,  que recebi das mãos de um discípulo dos irmãos Rocca, outros
desses gigantes, lá pelas bandas da Espanha. 
Para matar a saudade desse país que pretendo voltar, ou quem sabe até
para ficar um tempo e beber mais dessa fonte e também em homenagem ao
meu amado irmão, que hoje continua em processo de cura, mas muito bem,
trago para vocês a receita de seu pintxo preferido. 

Foto: Arquivo Pessoal


Blanco y Negro: queso de cabra con jamón y frambuesa.

  • 1 unid Pão tipo firme e de casca dura ( estilo espanhol, italiano ou mesmo
    português) 
  • 150 g queijo de cabra
  • 100 g Geleia de framboesa
  • 100 g de jamón espanhol
  • Azeite de boa qualidade, o quanto baste
    Modo de preparo:

Corte o pão na diagonal, fatias grossas e uniformes, passe azeite nas fatias de
pão, cubra com fatias do queijo e leve ao forno para que doure. Ao retirar,
coloque o jamón e por último a geleia de framboesa e delicie-se com uma boa
taça de vinho. 

  • Blanco y Negro, na verdade, é o nome do bar que vende esse pintxo, que não
    tem nome batizado oficialmente. Tomei aqui a liberdade de batizá-lo com o
    nome do próprio bar, predileto do meu irmão.

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