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Adoção

388 esperam na fila para adotar em Fortaleza

terça-feira, 12 de outubro 2021

O que é esperar para você? O que significa o tempo de espera por algo que se quer muito? O tempo é relativo, é claro. E ele funciona de forma diferente para cada um de nós. A depender do que se espera, o tempo pode trabalhar a favor, mas em muitos casos ele é o grande vilão. E é isso que vivem 388 pretendentes à adoção de crianças e adolescentes na comarca de Fortaleza. A dor da espera.


É essa espera vivenciada pelo casal Luciana Vasconcelos Lima, professora e advogada e Antônio Genésio Vasconcelos Neto, administrador. Eles entregaram a documentação no Setor de Cadastro do Fórum Clóvis Beviláqua em abril deste ano e já estão habilitados no Sistema Nacional de Adoção. “Estamos com boa expectativa e à medida que vamos conhecendo, estudando mais e ouvindo os profissionais, vamos ganhando mais informação e desmistificando muitas coisas. A decisão de nos habilitar foi um processo. Entendemos que a adoção é um processo que está dentro do projeto de parentalidade mais amplo. Nós temos o desejo de ser pai e mãe e aumentar a nossa família com filhos. Na medida que fomos abrindo o nosso coração e amadurecendo foi muito natural o processo de decisão”, disse Luciana que espera por duas crianças de até cinco anos de idade.

O casal ajuda a engrossar as estatísticas dos pretendentes à adoção e que aguardam o tão sonhado filho do coração chegar. Fortaleza possui um total de 21 instituições de acolhimento e mais de 400 crianças vivendo nesses locais. Vivem coletivamente, sem a individualidade que a vida em uma família poderia oferecer. Sem a atenção dos pais na hora do café ou com as tarefas escolares, como geralmente é a rotina de uma criança.

Do outro lado da situação há 43 crianças e adolescentes vivendo em abrigos espalhados pela cidade e que também vivem uma espera. Elas estão aptas à adoção. Para eles o tempo é mais cruel. Muitos chegam bebês às instituições de acolhimento e passam a infância inteira vivenciando o tempo que não passa. Assim, alguns chegam à fase da adolescência e veem cada vez mais distante o sonho de ter uma família. Desse total, 29 são meninos e 14 são meninas.
A vida para essas crianças e adolescentes dentro das instituições de acolhimento, nem de perto pode ser comparada à vida em família. As crianças não têm atenção individualizada, pois dividem a atenção das cuidadoras que atuam da forma como podem. A pandemia do novo coronavírus foi mais uma imposição às dificuldades para eles.

“Na realidade, a lei, o Tribunal de Justiça do Ceará e o Conselho Nacional de Justiça orientam aos juízes para que haja prioridade permanente aos casos de crianças e adolescentes acolhidos, trazendo alguns prazos que o legislador considerou como ideal para que a situação seja resolvida. A depender do caso concreto, seja por recursos da defesa dos pais, necessidade de perícias psicossociais, expedição da cartas precatórias ou outras situações processuais, alguns processos podem demandar mais tempo”, explicou a juíza coordenadora das Varas da Infância e Juventude de Fortaleza, Mabel Viana Maciel.

Ainda segundo a magistrada, “o ideal é que crianças e adolescentes fiquem o mínimo possível em abrigos, mas os prazos prescritos na legislação não podem se sobrepor a preceitos constitucionais. Tentamos, à medida do possível, resolver as situações que nos são apresentadas no menor tempo possível, reavaliando cada situação no máximo trimestralmente. E essa avaliação é precedida de relatório técnico, oitiva do Ministério Público e da Defensoria Pública”, disse.

Dados nacionais
No país inteiro há, atualmente, 29.330 crianças acolhidas, destas, 4.229 estão aptas à adoção. Um total de 17.088 foram reintegradas às famílias desde 2020. Enquanto isso, há 32.889 pretendentes disponíveis e à espera de uma criança para adotar. Os dados foram atualizados no dia 5 de outubro de 2020 por meio do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA).

Impacto da pandemia
Segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em 2019, foram 3.143 adoções no país. Em 2020, foram registradas 2.184 e, em 2021, o número caiu para 1.517. Os dados são referentes até à segunda quinzena do mês de setembro.*Dados estatísticos referentes até o dia 6 de outubro de 2021

CANAIS DE ATENDIMENTO DO FÓRUM CLÓVIS
BEVILÁQUA
• E-mail: cadastro.adocao@tjce.jus.br
• WhatsApp: (85) 3278-7701 e (85) 3278-3578

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