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Abril Laranja: mês de combate à crueldade animal; Fortaleza possui cerca de 40 mil animais abandonados

quinta-feira, 25 de abril 2024

Quem não tem ou já teve um animal de estimação? Seja na infância ou na fase adulta. Ter os pets como companhia traz inúmeros benefícios, principalmente quando criança, pois ajudam no desenvolvimento, promovendo a responsabilidade nos cuidados tanto com outros animais, quanto com outras pessoas. Além de contribuírem para o bem-estar físico e mental.


No último censo de 2021 do Instituto Pet Brasil (PIB), os dados revelaram que o Brasil é o terceiro país com mais animais de estimação do mundo, sendo 149,6 milhões. Liderando esse número, os cães, são os mais populares, com 58 milhões, seguidos das aves, 41 milhões, e por último os gatos, 27 milhões. Entretanto, nem todos os animais têm a mesma sorte de terem um lar e serem amados e cuidados por uma família. A realidade do abandono é um problema mundial. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), somente em 2022, cerca de 30 milhões de animais, entre gatos e cães, foram abandonados nas ruas do Brasil.

Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

Muitos são os motivos para o abandono, que vão desde problemas comportamentais dos pets, mudanças na vida dos tutores, falta de preparo para cuidar dos animais, ou até mesmo por que o animal deixou de ser interessante. O abandono é considerado crime no Brasil desde 1998, com a Lei Federal 9.605/98. Buscando uma maneira de frear um pouco essa prática, em 2020, a Lei Federal 14.064/20 aumentou as penalidades para casos de maus-tratos, com reclusão de dois a cinco anos, multa e proibição da guarda, especialmente em situações envolvendo cães e gatos. Porém, nada disso adiantou, e os casos de abandono só aumentam.


Atualmente em Fortaleza, existem pelo menos 40,8 mil animais nas ruas, segundo o levantamento da Coordenadoria Especial de Proteção e Bem-Estar Animal (Coepa). Em julho de 2023, o governador Elmano de Freitas, atendendo aos pedidos das ONGs, criou a Secretaria da Proteção Animal no estado, e nomeou na época como secretário o deputado federal, Célio Studart.


“A Secretaria da Proteção Animal (Sepa) visa fortalecer a Política Estadual de Proteção Animal, sendo responsável pelo desenvolvimento e implementação de políticas públicas efetivas e sustentáveis para os animais e o meio ambiente. Atualmente, a pasta conta com dois programas em andamento, o PataCeará e o Vet+Ceará”, destaca o deputado.


Uma das pessoas que visa mudar um pouco a realidade dos animais de rua aqui em Fortaleza, é Apollo Vicz, ele é protetor, ativista animal e representante do maior abrigo no estado do Ceará, o abrigo São Lázaro. Atualmente o local abriga cerca de mil e duzentos animais. Segundo Apollo, sua paixão por animais vem desde a infância, porém, quando tinha 13 anos, uma atitude lhe fez chegar até o abrigo São Lázaro. Por um tempo, o jovem, devido sua orientação sexual, foi expulso de casa pelo pai e foi morar na rua, sendo adotado pela fundadora do abrigo.


“Tudo começou na minha infância. Desde criança tenho essa sensibilidade para com os animais. Meu primeiro contato com foi sapos, eu lembro de ver muitos sapos sem vida nas ruas, atropelados. Então comecei a pegar os sapos e levar para o quintal da minha casa. Eu tinha 6 anos. E, ainda no fundamental, resgatava filhotes caninos e felinos e levava para casa com a minha irmã, Luana Nocrato. Sempre sem especismo. Aos 13 anos fui adotado pela fundadora do Abrigo São Lázaro, Rosane Dantas. Eu nunca mais parei de salvar vidas”, relembra.


O abrigo São Lázaro existe desde 1993, sendo mais de três décadas dedicadas ao resgate, cuidado e à promoção da adoção para esse animais, sendo incalculável o número de animais resgatados. “Já contabilizei uma vez, só que assim, não dá pra contar tudo em 30 anos, mas na época que comecei, até hoje, já foram 16 mil adoções. Mas o abrigo fez muito mais, muito mais que isso, muito mais”, afirma Apollo.

Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

“Para quem está de fora, pensa que o ato de resgatar um animal é um dos processos mais simples, outros abandonam confiando no trabalho das ONGs, entretanto a realidade é completamente diferente, como afirma Apollo. “O processo de resgate é muito complicado e cheio de obstáculos. A começar pelo transporte para realizar o resgate, tudo é um custo. O animal resgatado precisa realizar uma série de exames para detectar se o anjinho tem algum problema de saúde contagioso que possa prejudicar os demais animais da ONG, como a cinomose, que poderia causar um surto viral infectando todos os animais. Vacinação, alimentação, castração (quando temos condições), a maioria dos animais são resgatados em estado crítico e precisam de cuidados clínicos veterinários e material de primeiros socorros como: gaze, esparadrapo, pomada cicatrizante, rifocina, etc. Fora os medicamentos para dar continuidade ao tratamento. Um custo alto”, diz.


Embora todas as dificuldades encontradas para a realização deste trabalho, Apollo destaca que tudo é realizado com amor, sem receber nada em troca, além do carinho e gratidão dos animais que são resgatados. “O Abrigo São Lázaro, assim como os demais abrigos e protetores, eles fazem esse trabalho por amor. A gente realiza esse trabalho por puro amor e livre espontânea vontade, mas a gente não recebe mais esse convênio”, finaliza.

Ong Apa
Assim como Apollo, Stefani Rodrigues também luta pela causa animal. Ela continuou o legado que seu pai deixou, e em 2015, fundou a ONG Anjos da Proteção Animal (APA). Hoje existem aproximadamente 600 animais. Para Stefani, uma das maiores dificuldades enfrentadas hoje, é a falta de doação para a alimentação dos animais, sem contar nos abandonos realizados na porta do próprio abrigo.

“A maior dificuldade que enfrentamos no abrigo, é a falta de doação de alimentação (ração). Nossos animais comem quase todos os dias cuscuz com canjiquinha, onde temos que deixar pré-cozido, de um dia para outro. Além de todas as dificuldades anunciadas em nossa página no Instagram, ainda existem pessoas querendo se desfazer dos seus animais porque irão mudar, animal cresceu demais, que está velho, que está com carrapatos ou doentes. Fora, os abandonos que existem na porta do abrigo”, destaca.


A protetora faz questão de destacar que a APA é uma das instituições que mais consegue adoções, promovendo as festas de adoção, que inclusive acontecerá no próximo sábado (27), no Shopping RioMar Papicu. Esta ação visa dar uma segunda chance para esses animais que já sofreram.


“Hoje, somos a instituição que mais consegue adoção. Fazemos festas de adoção todos os finais de semana. Tem sábado, que temos (voluntários), que nos dividir para 03 locais. Porque temos adoção como oportunidade de encontrarmos uma segunda chance para milhares de animais negados por amor para eles. A falta de compaixão mata, machuca, destrói o emocional e psicológico. E nós como ONG e protetores, proporcionamos para eles, a oportunidade de mostrar que ainda existem pessoas boas. Oferecermos o nosso melhor. Adotar é um ato de amor. Os animais não precisam falar, basta eles olharem para saber o que a gente quer dizer”, afirma Stefani.

Por Dalila Lima

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