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Adpec e Anadep promovem conscientização por meio de campanhas de combate ao racismo

quinta-feira, 27 de janeiro 2022

2021 foi um ano marcado por denúncias de racismo no estado do Ceará. O número de denúncias realizadas nos 8 primeiros meses do ano foi 55, o que quase o igualava a quantidade registrada em todo o ano de 2020, quando foram relatadas 58 ocorrências. Ao longo de 2021, a Associação Nacional das Defensoras e Defensores Públicos (ANADEP) realizou uma série de ações em combate ao racismo no país, tema que também foi trabalhado localmente pela Associação das Defensoras e Defensores Públicos do Ceará (ADPEC).

Foto: Reprodução/Pexels

Porém, Eduarda Paz, defensora pública e representante no Ceará da Comissão de Igualdade Racial da ANADEP, afirma que ainda há um longo caminho a ser percorrido para a superação definitiva do racismo. “Há uma tentativa de tornar o assunto mais democrático. No entanto, a atividade policial, o racismo estrutural e a própria configuração do capitalismo indicam a permanência do racismo. Para se superar o racismo não basta boa vontade, é necessária uma transformação revolucionária da sociedade”, opina.


Entre outras ações, a ADPEC realizou um clube de leitura com encontros mensais destinado aos associados sobre obras literárias que debatessem o racismo e estimulassem em diferentes perspectivas o combate ao preconceito. Para a presidente da ADPEC, Andréa Coelho, a relevância do trabalho desenvolvido em momentos como estes, se dá pela transformação da sociedade através do debate. “Essas inúmeras ações trazem para nós a certeza de que estamos no caminho certo e que devemos debater cada vez mais esses assuntos que são pertinentes e que transformam a sociedade. Agora vamos colher os resultados dessa campanha, que vale ressaltar, atingiu todos os estados nacionais, e encontrar defensoras e defensores mais atentos às pautas que visam combater o racismo em todas as suas esferas, além de refletir em questões dentro da própria defensoria”, pontuou.

De acordo com Eduarda Paz, o Ceará teve um engajamento notável na campanha durante todo o ano de 2021. “Tivemos ainda, a formação para os defensores atuarem no combate à discriminação racial. Foi muito interessante e ficamos felizes em observar o engajamento das defensoras e defensores do Ceará diante da campanha”, orgulha-se. Para ela, a introdução do diálogo com a população e o jurídico, apesar de não ser suficiente para alterar estruturalmente uma sociedade, é um bom caminho para promover o conhecimento fora do senso comum. “Faz muita gente acordar e questionar. É o início de um processo de mudança”.

O movimento negro é dividido em diversas organizações da sociedade civil e promove intensas discussões sobre o racismo. Fato este, que para a representante da Comissão de Igualdade Racial da ANADEP, possibilita reações no legislativo e no judiciário. “Vemos ultimamente a alteração de entendimento jurisprudencial na publicação do estatuto contra o preconceito racial. Isso obriga o executivo e o judiciário a manter o diálogo com a sociedade civil”, conta.
O assunto é complexo e delicado, tendo raízes profundas que se manifestam em diferentes níveis no dia a dia do brasileiro. Apesar de árdua, a luta contra o racismo deve ser estimulada e o Ceará é um representante histórico e simbólico neste tema. “O Ceará tem um papel importante, aboliu a escravatura antes mesmo do Brasil. Assim, se reconhece uma tentativa de estar à frente em suas ações. O Ceará pode servir de exemplo para o combate do racismo no Brasil. Temos um.movimento negro poderoso por aqui”, afirma Eduarda Paz.

Por Yasmim Rodrigues

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