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terça-feira, 30 de novembro de 2021.
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Adoção

Amor, sentimento que se constrói

O tempo teve o papel de fazer florescer o amor entre a funcionária pública Seráfia Fernandes, 49, e sua filha Ana Alice, que hoje possui três anos de idade. Parecia simples, mas não foi. Houve muitas dificuldades até que as trajetórias delas se cruzassem com harmonia e equilíbrio. O afeto se construiu com muito esforço e resiliência. Se não houve o clichê “amor à primeira vista”, o transcorrer dos dias as aproximou até torná-las inseparáveis.

Elas se conheceram em 2019, quando Seráfia buscava adotar uma menina para poder canalizar seu afeto materno contido. Ela sempre havia sonhado em ter uma filha para cuidar e crescer, mas não contava que apareceriam percalços pelo caminho.


Em 2015, a funcionária pública chegou a tentar fazer Fertilização In Vitro (FIV), mas não teve êxito. Nesse contexto, ela decidiu adotar uma criança para expressar o amor que tinha para dar. Providenciou toda a documentação necessária, fez entrevistas e assistiu palestras. Ouviu que poderia demorar muito, mas não desistiu. “Já cheguei a escutar comentários preconceituosos sobre adoção, mas sempre vi a possibilidade com bons olhos”, ressalta.
No momento em que menos esperava, depois de quatro anos e meio na fila por sua sonhada filha, surgiu a oportunidade. “Ao receber a ligação do Fórum Clóvis Beviláqua informando que minha vez havia chegado, senti muito nervosismo. Aquele frio na barriga. Nem pensava mais nisso com frequência. Eu já tinha idade até um pouco avançada, mas não pensei duas vezes e aceitei”, afirma a mãe.

Primeiros contatos
Seráfia e Ana Alice trocaram os primeiros contatos em dezembro de 2019, no abrigo infantil “Casa Jeremias”, local em que a criança vivia. A mãe esbanjava amor para dar; a filha, por sua vez, mostrava medo do desconhecido. “Nas primeiras vezes em que nos encontramos, ela demonstrava ter certo medo de mim, era muito tímida. Era difícil lidar, não esperava que isso pudesse acontecer”, confessa Seráfia.
A funcionária pública tinha dificuldade em encontrar a melhor abordagem para conhecer e se vincular à sua filha. O diálogo era complicado, Ana Alice se fechava em seu mundo particular e não mostrava abertura para o futuro. “Minha família foi muito importante para eu não desistir. Todos me deram muita força. Às vezes eu chegava desanimada em casa e recebia apoio para seguir”.
Seráfia conta que as energias começaram a entrar em equilíbrio quando ela decidiu expressar, de modo mais contundente, que estava lá para ser mãe da criança. “Quando comecei a falar e demonstrar os meus sentimentos, ela venceu o medo e compreendeu que eu estava ali por ela. A verdade é que o amor é um sentimento que se constrói, e nós construímos entre nós”.

Desafios: pandemia e construção de laços
Após três meses de contato, Ana Alice foi morar com sua mãe em março de 2020, no período em que teve início a pandemia do coronavírus no Brasil. O contexto de turbulência desafiou Seráfia a se reinventar. “Foi um período complicado, porque eram várias questões acontecendo ao mesmo tempo: pandemia, maternidade, desafios de uma nova realidade. Quando chegou em casa, ela era muito apegada a mim, não mostrava interesse de ter contato com mais ninguém. Então, precisei de ajuda psicológica para lidar com as situações”.
Segundo a mãe, os maiores desafios da transição de Ana Alice para a vida em casa giraram em torno da adaptação à convivência com seus familiares. “Como antes ela não tinha contato com homens, foi um pouco difícil se familiarizar com meu pai e meu irmão. Só queria o meu colo, não olhava para mais ninguém. Hoje em dia, já ama muito todos”.

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