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CE pode ter 1.210 novos casos de câncer colorretal anuais até 2025

sexta-feira, 29 de março 2024

De acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), o Ceará pode registrar 1.210 novos casos de câncer colorretal por ano até 2025. Tal doença, é responsável por 12% das mortes causadas por câncer em todo Brasil e é, atualmente, o terceiro tipo de tumor mais frequente em território nacional, se desconsiderarmos os casos de câncer de pele não melanoma. “A boa notícia é que a detecção precoce da doença é possível. A maioria dos tumores evolui a partir de lesões benignas, os pólipos adenomatosos, que são uma lesão que surge como uma espécie de ‘bolinha’ no intestino, por um período de 10 a 15 anos, existindo, portanto, um período pré-clínico detectável bastante longo”, explica o coloproctologista do Instituto do Câncer do Ceará (ICC), Dr. Fábio Santiago.
O especialista alerta que os principais fatores de risco para a enfermidade estão relacionados com questões como o sedentarismo, a obesidade, o baixo consumo de fibras, frutas, vegetais e carnes magras, bem como a hábitos como beber bebidas alcoólicas e fumar. Há ainda outras características que merecem atenção redobrada, como pacientes que possuem doença inflamatória intestinal crônica, ou doença de Crohn, Diabetes Mellitus Tipo 2 e condições hereditárias. “O câncer colorretal é mais comum em pessoas com mais de 50 anos, mas a idade não é determinante já que, devido ao ritmo de vida atual, em que as pessoas têm se alimentado de maneira cada vez mais inadequada, consumindo muitos alimentos industrializados, observa-se o aumento do surgimento desse câncer em pessoas mais jovens”, aponta.
O oncologista do ICC, Dr. Heládio Feitosa, lembra que a obesidade e o sedentarismo não estão relacionados somente com o câncer colorretal, mas com diferentes formas da doença. “A obesidade faz com que haja um aumento do risco de câncer colorretal, assim como risco de câncer de mama e outros. Isso está muito relacionado à produção de mais radicais livres no organismo. Essa associação vem também em conjunto com o tipo de alimentação. A gente sabe que alimentações ricas em fibras, frutas e vegetais tendem a diminuir a produção de radicais livres e é exatamente o contrário do que ocorre com os alimentos processados ou ultraprocessados e com o consumo excessivo de carne vermelha”, detalha, acrescentando que as fibras promovem um trânsito intestinal mais saudável, fazendo com que a comida fique menos tempo em contato com a mucosa do intestino. “Há uma provável correlação entre o tempo em que o alimento passa em contato com a mucosa, principalmente aqueles que produzem muitos radicais livres, e a maior chance de desenvolver o câncer de intestino”, afirma.
O Dr. Santiago detalha que, no início, o câncer colorretal pode não apresentar sinais. Por isso, alterações envolvendo o hábito intestinal, por exemplo episódios de diarreia e constipação, ou mudança no formato das fezes, devem ser investigadas por um profissional da saúde. Além desses, também são sintomas de alerta a sensação de nunca estar com o intestino vazio e sangramento nas fezes, bem como perceber fezes muito escuras; cólicas ou dor abdominal persistente; fraqueza e fadiga; perda de peso e anemia.
A prevenção desse tipo de doença está diretamente ligada à adoção de hábitos mais saudáveis e à realização de exames preventivos, como a colonoscopia. “O procedimento é recomendado para qualquer pessoa com 50 anos ou mais, tendo ou não sintomas, tendo ou não histórico familiar de câncer. Nos casos em que há relação genética com o surgimento da doença, a recomendação é já começar a investigação com colonoscopia a partir dos 40 anos ou 10 anos a menos que o familiar acometido”, orienta o coloproctologista do ICC.
Segundo ele, durante o exame, caso seja encontrado algum pólipo, já se pode fazer a retirada e prevenir que a lesão se torne um câncer no futuro. “A remoção do pólipo previne o surgimento do câncer. Por isso, a colonoscopia é tão importante e deve-se perder o medo e o tabu em relação a esse exame. Ele pode ser desconfortável no preparo, já que a medicação pode levar à diarreia, pois o intestino tem de ficar limpo para o exame ser bem-sucedido, mas pode ser crucial para evitar um problema muito maior”, defende o Dr. Santiago, lembrando que existem outros exames diagnósticos complementares como a tomografia computadorizada e exames genéticos para detectar a síndrome de Lynch.

Por Yasmim Rodrigues

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