32 C°

.
Fortaleza, Ceará, Brasil.

aniversario
aniversario

Geral

Dia Nacional da Adoção é celebrado com um grupo de pais e crianças no Parque do Cocó

segunda-feira, 27 de maio 2024

O Dia Nacional da Adoção é comemorado todos os anos no dia 25 de maio. A data foi criada no Brasil através da lei nº 10.447, decretada em 2002, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, e é uma forma de conscientizar as pessoas a respeito da importância da adoção. Mas essa data já foi celebrada bem antes de 2002, durante o I Encontro Nacional de Associações e Grupos de Apoio à Adoção, que aconteceu em 1996, no Brasil. E, até hoje, grupos de apoio à causa, como Coppa, Acalanto e Rede Adotiva, unem-se num chamado à reflexão e à conscientização a respeito da importância da adoção. Este é o mês da Adoção sendo utilizado para chamar a atenção da população sobre esse ato, mostrando que ainda existe um número considerável de crianças almejando encontrar um lar.
Em meio à natureza do Parque do Cocó, famílias se reuniram para celebrar a vida de crianças recebidas e amadas incondicionalmente. Famílias construídas através do amor responsável, da adoção legal, independente do laço biológico. Crianças que encontraram seu lar,
e pais que verdadeiramente as amam. O clima de alegria e de esperança dos que ainda não realizaram o sonho de serem pais, uma vez que existem muitas crianças e adolescentes acolhidas nos abrigos, a espera de uma família.
De acordo com o Sistema Nacional de Adoção, em 2023, cerca de 4 mil crianças estavam na fila para serem adotadas e a maior parte delas possuindo uma idade superior a cinco anos. A adoção cumpre o propósito de garantir o direito de cada criança e adolescente de viver em família.
A adoção é um processo legal, que regulariza a intenção de uma pessoa de ser pai ou mãe de uma criança gerada por outra pessoa. Legalmente esta criança passa a ser filho e se torne parte de sua família para sempre. E essa ação tem uma ligação direta e relacionada de pai e filho, sendo assim, quando alguém é adotado, significa que você está amando verdadeiramente e eternamente esta criança como seu filho. De acordo com a Constituição Federal de 1988, em seu Artigo 227, é determinado o seguinte: É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.
Portanto, podemos entender que o processo jurídico que regulamenta a adoção é a forma como o Estado brasileiro encontra para garantir que crianças órfãs, ou que não têm acesso a condições ideais em suas famílias biológicas, tenham acesso a todos esses direitos mencionados nesse artigo de nossa Constituição.
A família que adota, além de realizar uma ação de amor, está assumindo um compromisso legal, no qual ela se responsabiliza em dar tudo o que uma criança ou adolescente necessita. É um compromisso de amar eternamente, respeitar, cuidar, dando condições de bem crescer e viver uma vida digna.

Adoção em Fortaleza
Antônio Anderson e Andreia estão juntos há 14 anos. Andreia conta que sempre teve a vontade de adotar uma criança e, por esta razão, Anderson também despertou o interesse. O casal relata que ficaram na fila do Cadastro de Adoção durante quatros anos, um longo tempo. E reclamam do processo que é tão demorado . “Acredito que poderia ter sido mais rápido. Durante todo o processo, eles fazem as visitas para conhecer o casal e saber se estamos aptos para receber a criança e, durante isso, entregamos nas mãos de Deus. O que nos conformava durante essa espera era que ela ia chegar quando Deus permitisse”, afirma Antônio Anderson, residente de Fortaleza.
Ainda segundo Antônio, o sentimento de ser pai de uma criança é inexplicável. Ele conta que, no dia em que ia receber seu futuro filho, passou o dia chorando de tanta emoção. “Quando recebemos a notícia que íamos fazer a aproximação para conhecer o bebê, passei o dia chorando, e durante o momento em que fui no abrigo e peguei ele nos meus braços, era como se ele tivesse nascido naquele momento”, concluiu.
O promotor de Justiça, Dairton Oliveira, presente ao evento, apoiando os grupos de adoção, afirmou que o tempo de espera da fila de adoção é insensibilidade do sistema de justiça e que a criança é que deve ter o direito de ter uma família. “O problema do tempo de espera na fila para adoção é intrinsecamente insensibilidade do sistema de justiça. Não adianta justificar, é isso mesmo. Nós tivemos aí uma pandemia em que todo mundo justifica o atraso de adotar uma criança em Fortaleza, por exemplo, pois teria passado a ter mais tempo por causa da pandemia. Porém, o interior do Estado reverteu, o interior do Estado cresceu dentro do período pandêmico. Em alguns estados do país, a pandemia foi questão de melhora nos níveis de adoção. Então a gente começa a perceber que é tudo sensibilidade do sistema de justiça para um negócio chamado biologismo. O que é o biologismo? É você achar que sangue forma família. Se o sistema, ou quem está à frente do sistema entender que sangue forma família, essa criança vai penar, penar e penar dentro dos acolhimentos, até que o último parente dela diga que não quer. Isso é um grande problema. Então, na hora que você reverte a situação e entrega para essa criança o direito a uma família, e não o parente ter direito à criança, tudo muda”, afirma.

Por Ismael Azevedo

hoje

Mais lidas

WP Twitter Auto Publish Powered By : XYZScripts.com