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Adenomiose uterina: doença benigna pouco conhecida que atinge cerca de 10% das mulheres em idade fértil

terça-feira, 30 de abril 2024

Muitas mulheres sempre associaram o período menstrual com dor, outras passam por esse ciclo sem se queixarem, entretanto, o nível da dor sempre deve ser um alerta de que algo está errado. Apesar das informações estarem mais acessíveis hoje, a menstruação ainda é vista como um tabu e muitas mulheres acabam sofrendo em silêncio, por sentirem vergonha desse período e não buscam ajuda.


As fortes dores durante a menstruação, sensação de peso na região pélvica, fluxo intenso e dor na relação sexual, pode ser um sinal de endometriose ou adenomiose. As duas são bem frequentes, entretanto a adenomiose é bem menos conhecida pelo público feminino do que a endometriose, é o que explica a Dra. Camila Marques Azevedo, Ginecologista e sexóloga da Clínica Sollirium.


“A adenomiose geralmente é menos conhecida em comparação com a endometriose e outras condições ginecológicas. Isso ocorre em parte porque os sintomas da adenomiose podem ser semelhantes aos de outras condições. Além disso, muitas mulheres podem não apresentar sintomas ou podem atribuir os sintomas que experimentam a outros problemas de saúde, o que pode levar à subnotificação e subdiagnóstico da adenomiose. No entanto, a conscientização sobre essa condição está aumentando, e profissionais de saúde estão se tornando mais adeptos ao diagnóstico e tratamento da adenomiose”, destaca a médica.

Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

Conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), a adenomiose afeta uma em cada dez mulheres, representando uma condição comum durante o período reprodutivo.
De acordo com a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), a adenomiose atinge entre 31% e 61% das mulheres entre os 40 e os 50 anos, no entanto, a doença também pode afetar mulheres mais jovens. Cerca de 150 mil mulheres são diagnosticadas com adenomiose anualmente no Brasil.


Segundo Dra Camila, a adenomiose refere-se à presença das células do endométrio infiltradas no miométrio, ou seja, ao invés de crescer para fora do revestimento do órgão, elas crescem para dentro do músculo uterino, o que causa fortes dores, fluxo intenso, ciclos menstruais prolongados e irregulares e, em estágios mais avançados, dificuldade para engravidar.


“A adenomiose uterina é uma doença inflamatória na qual o tecido que normalmente reveste o útero, chamado de endométrio, cresce no interior da parede muscular do útero (miométrio). Isso pode causar aumento do útero, dor e distensão abdominal acíclica (mesmo fora do período menstrual), dor na relação sexual, dor pélvica intensa durante a menstruação, cólicas menstruais mais fortes e sangramento menstrual abundante. Ela pode afetar a fertilidade e aumentar o risco de complicações durante a gravidez”, explica a médica.


Entretanto, a médica também destaca que, muitas mulheres não apresentam sintomas, ou tem sintomas leves, o que pode passar despercebidos, algumas passam anos assintomáticas, chegam a descobrir a adenomiose uterina em uma consulta de rotina, ou exames de imagem por algum outro motivo.
“Muitas mulheres com adenomiose não apresentam sintomas ou têm sintomas leves que podem ser facilmente confundidos com outras condições uterinas. Algumas mulheres podem até permanecer assintomáticas durante anos e descobrir a adenomiose apenas durante exames de imagem realizados por outros motivos, como avaliação de infertilidade ou durante procedimentos cirúrgicos”, afirma a Dra.


A Coordenadora de marketing, Lanara Pinheiro, (28), descobriu ter adenomiose há 1 mês. A jovem relata que desde muito nova sempre sofreu muito no período menstrual, desde cólicas intensas a dores nas costas, entretanto ela afirma que achava normal, pois sua mãe também apresentava o mesmo problema, e poderia ser apenas hereditário. No entanto, após conhecer pessoas que tinham adenomiose, e conhecer mais sobre a doença, Lanara resolveu buscar um diagnóstico mais preciso.


“Desde muito novinha sempre tive problemas com minha menstruação, muitas dores de cabeça, dores nas costas, fluxo muito alto, mas não tinha informação, como minha mãe sofria dos mesmos problemas, eu considerava tudo aquilo normal. Mas após conhecer algumas pessoas com adenomiose fiquei curiosa em saber mais sobre, então marquei um mapeamento e descobri a condição”, relata Lanara.

Foto: Reprodução/ Arquivo pessoal

Lanara afirma que ao receber o diagnóstico, foi tomado por um misto de sentimentos, por ainda não ser mãe, ela destaca que sente muito medo em relação a sua fertilidade, mas destaca que segue com o tratamento certinho para se preparar para esse momento.
“É um misto de sensações, por ainda não ser mãe, tenho muito receio sobre minha fertilidade, e saúde reprodutiva, sei que será um desafio, mas estou me tratando, preparando meu corpo e meu psicológico para esse momento”, destaca a jovem.

Diagnóstico
Realizar o diagnóstico da adenomiose uterina não é uma tarefa fácil, tudo isso porque os sintomas podem ser confundidos com outras doenças ginecológicas como endometriose ou miomas uterinos. Além disso, a patologia não pode ser diagnosticada apenas com exames físicos ou uma ultrassonografia comum.


“O diagnóstico de adenomiose geralmente é feito com base nos sintomas da paciente, exame físico, história clínica detalhada e alguns exames complementares. Os principais métodos utilizados para diagnosticar a adenomiose são: avaliação dos sintomas, exame pélvico, ultrassonografia transvaginal, ressonância magnética (RM), biópsia endometrial”, afirma.

Tratamento
A médica destaca que o tratamento para a doença varia de acordo com cada paciente, a gravidade dos sintomas e se a paciente deseja ter filhos, no caso de mulheres jovens que ainda não tem.
“O tratamento da adenomiose uterina pode variar de acordo com a gravidade dos sintomas e os objetivos reprodutivos da paciente. Alguns dos métodos de tratamento incluem medicamentos analgésicos ou anti-inflamatórios para aliviar a dor e as cólicas menstruais. Além disso, terapias hormonais, como contraceptivos orais, dispositivos intrauterinos liberadores de progesterona ou injetáveis de progestogênio, podem ajudar a controlar os sintomas, reduzindo o crescimento do tecido endometrial. Implante subdérmico (Implanon) como alternativa terapêutica e também agonista de GNRH (zoladex), QHE é um medicamento que induz menopausa temporária”, finaliza dra. Camila.
Em casos graves ou quando os sintomas não respondem ao tratamento medicamentoso, a cirurgia pode ser uma opção, sendo ela a cirurgia conservadora, ou até mesmo quando a mulher não desejar ter mais filhos, a histerectomia.


No caso de Lanara, o tratamento foi pensado e decidido por ela e sua ginecologista, além disso, a jovem também mudou seus hábitos alimentares, com uma dieta voltada exclusivamente para o tratamento da adenomiose.
“Minha ginecologista mudou meu anticoncepcional por um contraceptivo que além de prevenir futura gravidez, trata a doença, e estou com uma nova dieta voltada para o tratamento da doença, evitando café, chocolates, e comendo mais verde e bebendo bastante chá que ajudam bastante”, finaliza.

Sintomas

Cólica menstrual intensa

Dor na relação sexual

Aumento do fluxo menstrual, 

Inchaço na barriga

Dor ao evacuar ou prisão de ventre

Dificuldade de engravidar

Tipos de adenomiose

Focal: quando há um foco em uma área muito bem definida.
Difusa: afeta todo o útero e não uma área específica. É o mais frequente.

Por Dalila Lima

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