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Especialista alerta para os riscos do consumo excessivo

terça-feira, 19 de março 2024

Você é daqueles que não ficam sem um docinho durante o dia? Ou conhece alguém assim? Não há quem resista a bolos, biscoitos, chocolates e refrigerantes. Tem pessoas que, no meio da madrugada, procuram uma loja aberta para comprar alguma guloseima. Entretanto, outros recorrem a este alimento nos momentos de ansiedade e incerteza, como forma de acalmar ou apoio. Esses comportamentos, embora não comprovados, podem ser um alerta para o vício em açúcar, que, além de fazer mal à saúde, pode provocar, em casos de abstinência, sintomas variados. A coordenadora do Departamento de Nutrição do Centro Universitário Celso Lisboa, Juliana Pandini, explica que um dos mais comuns é a irritabilidade.
“Flutuações de energia pela rápida absorção e queda de açúcar no sangue, e o uso de açúcar para lidar com estresse, ansiedade e emoções negativas também são alguns sinais do vício. Nesses casos, é importante buscar orientação profissional médica ou nutricional para avaliação e possível apoio no controle do consumo”, afirma.
Segundo a nutricionista Elaine Fernandes, os açúcares são carboidratos, sendo a principal fonte de energia para o nosso corpo. “A função do açúcar, assim como de todo carboidrato, é fornecer energia ao nosso organismo. Através deles conseguimos ter disposição para realizar as tarefas do dia a dia”, explica a nutricionista.
Uma pesquisa divulgada pelo Ministério da Saúde na última quinta (7), revelou a quantidade do consumo de doces entre brasileiros. Conforme os dados, mais de 20% dos brasileiros consomem doces cinco ou mais dias na semana. As informações fazem parte da Pesquisa Vigilância de Fatores e Riscos e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel).
Um dos dados alarmantes é o elevado consumo de sucos industrializados e refrigerantes, também ricos em açúcares, integrando 19% da ingestão diária. Recentemente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) atualizou as recomendações sobre o consumo diário de açúcares livres, aqueles adicionados a alimentos e bebidas, além dos naturalmente presentes em frutas, legumes e leite, seja inferior a 10% do valor energético total da dieta.
A Organização também sugere que as pessoas reduzam o consumo de açúcar para menos de 5% do valor energético total, o que pode trazer benefícios adicionais à saúde, principalmente quando o assunto é a prevenção da cárie dentária. A nutricionista explica esse cálculo, com base em uma dieta de 2 mil calorias. “No geral, 50 gramas por dia, mas isto inclui açúcares “escondidos” como maltodextrina, glucose, xarope de guaraná e outros tipos de açúcares”, destaca Elaine.
Este consumo em abundância está associado à acessibilidade. Hoje em dia, doces, principalmente o chocolate, é fácil, barato e rápido comprar uma trufa, por exemplo, ainda mais com a ajuda da internet. Há quem diga que o excesso de açúcar também pode causar dependência, além de todos os outros malefícios. Apesar de não existir evidência científica sobre a compulsão, o uso abusivo de açúcar não deve ser incentivado. Representando perigos extremos à saúde caso seja consumido de maneira exagerada.
“Ainda não há estudos randomizados que avaliaram o vício do açúcar em humanos (a maioria foi feita com animais). Acredita-se que alguns indivíduos possam desenvolver dependência alimentar e apresentem sintomas semelhantes aos do abuso de drogas, incluindo perda de controle e abstinência, porém é raro ver um indivíduo ter desejos e cometer loucuras por um pacote de açúcar. O mais comum é a vontade de comer um doce saboroso que apresenta diversos ingredientes além do açúcar. Por isso, é fundamental ressaltar que existem poucos estudos e existe um desafio metodológico em traduzir os resultados para humanos, visto que esses raramente consomem açúcar isoladamente”, ressalta a nutricionista.
Diante dos perigos do consumo excessivo de açúcar para o nosso organismo, é fundamental uma avaliação rigorosa dos alimentos que consumimos e também sobre nossos hábitos de vida. É importante que seja realizada uma alimentação variada, com poucos produtos industrializados e livre de excessos. Aliada a essa alimentação, é essencial que atividades físicas sejam praticadas regularmente.

Substituição saudável
Entretanto, existem maneiras saborosas e saudáveis para montar uma dieta balanceada. Juliana destaca que uma boa opção é substituir o açúcar refinado por alternativas naturais e menos processadas. “É importante lembrar que mesmo alternativas mais saudáveis devem ser consumidas com moderação. A melhor escolha pode depender das suas preferências pessoais e das necessidades dietéticas de cada um, por isso é bom consultar um nutricionista”, destaca a coordenadora.
Além disso, ficar de olho nos rótulos de alimentos e escolher opções mais saudáveis também é importante para não ultrapassar os limites diários de açúcar no sangue. Como muitos alimentos industrializados têm excesso do produto, é importante ficar atento.

Doenças ligadas à
ingestão do açúcar
Além de doenças crônicas, o excesso de açúcar contribui para envelhecimento precoce, ansiedade, sobrecarga renal e intestinal, perda de memória e falta de concentração. De acordo com a profissional, o consumo excessivo de açúcar está associado a diversos prejuízos de saúde, como obesidade, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e até declínio cognitivo. “É crucial moderar o consumo de açúcar e adotar uma dieta equilibrada para preservar a saúde a longo prazo”, defende juliana.
O açúcar afetará cada órgão de diferentes formas, como por exemplo e no pâncreas, existe um limite na quantidade de insulina a ser liberada. Caso este volume seja ultrapassado, a glicose não será mais utilizada pelas células e será armazenada diretamente nos músculos e no fígado, além de virar células de gordura. Já no coração, as reservas de gordura podem se mover para as artérias coronárias e formar os radicais livres, provocando lesões nas paredes arteriais e causando coágulos conhecidos como trombos (ou trombose).

Outros problemas
Problemas ligados ao metabolismo (diabetes, gota obesidade);
Doenças cardiovasculares (hipertensão arterial, infarto e derrame);
Câncer ( câncer de mama, próstata e pâncreas);
Mortalidade por todas as causas;
Asma em crianças;
Transtorno de déficit de atenção / hiperatividade (TDAH);
Alterações na densidade mineral óssea;
Cárie e erosão dentária;
Depressão;
Doença hepática gordurosa não alcoólica.

Por Dalila Lima

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