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Estudantes indígenas comentam dificuldades ao realizarem sonho de fazer faculdade

quarta-feira, 21 de fevereiro 2024

Passando por percalços ao longo de sua história, os indígenas do território brasileiro ainda enfrentam muitas dificuldades nos tempos modernos, lutando diariamente contra o preconceito e a falta de oportunidades que por muito tempo foi esquecido por grande parte da sociedade brasileira.
A busca diária por seus direitos vem perpassando diferentes áreas, sendo uma delas a educação, buscando mostrar de modo abrangente a importância dos povos originários na construção e desenvolvimento do Brasil. Tentando jogar uma luz na trajetória e esforço desse povo.

Como forma de avançar na questão, cada vez mais indígenas entram nas universidades, tentando ocupar espaços considerados inalcançáveis no passado. Para conseguir isso, adversidades e provações são superadas, onde pode ser citado o fator financeiro que afeta muitos estudantes dos povos originários em razão da maioria deles serem oriundos de pequenas aldeias pobres. Tendo que se deslocar para as capitais ou outras cidades de seus estados para fazer os estudos. O Ceará não é uma exceção à regra, com muitos indígenas cearenses passando pelo mesmo problema.

Um deles é o estudante do quinto semestre de medicina do Instituto de Educação Médica (IDOMED), Robson Passos, que pertence ao povo Kanindé e vem de uma família de agricultores pobres do interior do Ceará. “Desde muito criança já sabia que queria ser médico, embora soubesse que era muito importante trabalhar na roça para ajudar meus pais e avós, eu não gostava do serviço. Então, sempre me dediquei muito aos estudos porque sabia que isso poderia mudar as nossas vidas. Convencer a minha mãe a ir para a cidade estudar e se afastar dos velhos costumes da aldeia não foi fácil. Mas eu sabia que meu sonho era medicina. Não consegui tirar da mente, então continuei estudando”, comentou.

Robson ainda comentou a importância de sua conquista para o seu povo, destacando a quebra de estereótipos que muitos têm em relação aos indígenas e sua cultura. “Estamos ocupando cada vez mais espaços. Infelizmente muita gente ainda acha que o indígena é para viver na mata, seminu ou nu, tem pele escura e cabelo liso com corte arredondado. Então, eu estar em certos lugares colabora para a mudança de pensamento e erradicação de preconceitos. Meu sangue, costumes e crenças e a minha família não vão ser apagados nunca pelo fato de eu usar calça ou ocupar uma vaga em um curso de medicina, jamais”, ressaltou.

Mas não é apenas o aspecto financeiro e a distância que os estudantes indígenas têm em sua lista de dificuldades. A saudade da família atinge muitos que precisam deixar parentes queridos em sua terra natal, precisando vencer o apego ao solo e a aldeia em busca de oportunidades melhores em locais distantes e muitas vezes desconhecidos.
Em relação ao fato, a estudante Gerly Sousa, da Aldeia Gameleira, no município de Canindé, explicou o intenso desafio que passa ao ficar longe de seu filho, mas salientou a contribuição que faz ao seu povo na constante luta por novos espaços para o povo indígena.
“Hoje minha maior dificuldade é ter que passar uma semana longe do meu filho de 2 anos todos os meses, para que eu possa vim estudar na capital. Pois me desloco da minha aldeia uma vez no mês e passo a semana juntamente com mais parentes de várias aldeias do Estado do Ceará. Mas poder retribuir para meu povo através da educação, toda uma luta foi travada há vários anos, não tem preço. Muitos indígenas poderão se inspirar em mim e juntos fazermos a diferença”, finalizou.

Por Welisson Castro

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