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Fortaleza inicia aplicação de vacinas contra poliomielite

segunda-feira, 27 de maio 2024

A partir desta segunda-feira, 27, as vacinas contra a paralisia infantil já estão disponíveis para a população de Fortaleza nos 119 postos de saúde da cidade. Até o próximo dia 14 de junho, pais ou responsáveis de crianças menores de 5 anos terão a oportunidade de reforçar a proteção dos pequenos contra a poliomielite.
A doença foi registrada pela última vez em território brasileiro em 1989, mesmo assim, anualmente há um esforço nacional em prol da vacinação para evitar que o problema volte a ocorrer. “A ausência de registro de casos se deve exatamente pela vacinação ao longo de todos esses anos. Globalmente, estamos muito próximos da erradicação, mas o vírus selvagem da poliomielite ainda circula em pelo menos dois países, o Afeganistão e o Paquistão. Além disso, as condições sociais muito desfavoráveis do continente africano sempre representam um grande risco de recrudescimento nas regiões mais pobres”, explica o infectologista pediátrico do Hospital São José (HSJ), Robério Leite, acrescentando que o vírus já foi encontrado nos esgotos de Nova Iorque, de Londres e de Campinas. “A ameaça está muito próxima e com baixas coberturas vacinais, o risco de infecção aumenta muito”, alerta.
A coordenadora de imunização de Fortaleza, Vanessa Soldatelli, lembra que campanhas anuais são importantes também para a atualização da caderneta de vacinas. “Por conta da correria do dia a dia, alguns pais acabam esquecendo ou não encontram tempo para levar suas crianças aos postos de saúde. Nos períodos de campanha, existe uma mobilização muito grande tanto na mídia nacional quanto na local para que todas as pessoas tenham essa informação”, destaca.
No entanto, de acordo com o infectologista do HSJ, atualmente, o aumento de movimentos contrários às vacinas são uma preocupação para os profissionais da saúde. “Cresceu muito a desinformação e, com a internet e as redes sociais, a disseminação de notícias mentirosas dos grupos antivacinas chega com muito mais facilidade e intensidade, em escala global. Hoje temos que enfrentar esse problema se quisermos alcançar coberturas vacinais que protejam nossas crianças e nossa população. É algo realmente criminoso, pois coloca muitas preciosas vidas em risco”, lamenta.
Soldatelli ressalta que sempre existiram mitos em relação à imunização e diversos outros temas da saúde, mas que as notícias falsas ainda estão entre os principais fatores que prejudicam a adesão às campanhas de vacinação. “Para esclarecer em relação a isso, as vacinas que são colocadas tanto na rede pública quanto na particular, são testadas pelo Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde e validadas pela Anvisa. Então, todas podem ser utilizadas com muita segurança”, pontua.

A doença
O Dr. Robério Leite conta que a poliomielite atinge sobretudo as crianças, mas que os adultos também podem ser afetados. “O quadro se inicia como uma virose inespecífica, com febre, diarreia, vômitos, seguindo-se de dores nos membros e, rapidamente evoluindo para paralisia, em geral de um ou mais membros, ou, nos casos mais graves, da musculatura respiratória, impossibilitando o indivíduo de respirar sem ajuda de aparelhos, além de quadros mais graves de encefalite”, relata, lembrando que as sequelas são permanentes.
“Graças à vacinação há muitos anos não temos mais casos, o que pode dar uma falsa sensação de segurança para a população, um erro grave. Felizmente, os dados mais recentes do Ministério da Saúde apontam para uma melhoria progressiva da cobertura vacinal, com destaque para o Ceará, com a melhor cobertura contra a poliomielite. Mesmo assim, precisamos melhorar e sustentar os índices acima de 95% da população alvo”, afirma.
Conforme a Secretaria Municipal da Saúde (SMS), 149 mil crianças de 15 meses a menores de 5 anos estão aptas a receber a dose de reforço da campanha de forma indiscriminada. Há ainda 4.223 crianças menores de 1 ano que não iniciaram ou não completaram o esquema vacinal, composto por três doses de vacina injetável (VIP) e duas de reforço por via oral (VOP). Por orientação do Ministério da Saúde, a partir do segundo semestre de 2024, as duas doses de reforço da vacina oral serão substituídas por um reforço com a VIP. “O esquema vacinal e a dose de reforço serão feitos exclusivamente com a VIP, visando aumentar a proteção do público-alvo”, justifica a pasta.

Por Yasmim Rodrigues

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