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Mães atípicas e o desafio de conciliar família e profissão

quarta-feira, 08 de maio 2024

Na semana que antecede o Dia das Mães, comemorado no próximo domingo (12), a reportagem tenta explorar a força e a beleza dos laços que as unem aos filhos, transcendendo os desafios e celebrando essa jornada única. Vamos conhecer as histórias de mulheres trabalhadoras da Saúde que lidam com a maternidade atípica, uma trilha repleta de descobertas e dificuldades, permeada por muito amor.
A enfermeira Ana Virgínia Justa é servidora da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) há 38 anos. Com passagens pela Atenção Primária e pela Central de Regulação, bem no início de sua trajetória profissional, fez um curso de estimulação precoce, voltado para o desenvolvimento infantil de crianças com distúrbios do desenvolvimento neuropsicomotor, como a microcefalia, paralisia cerebral e síndrome de Down, entre outros. Ela não sabia, porém, que essa capacitação teria valor ainda maior na vida pessoal.
Virgínia continuou trabalhando, teve dois filhos e, na terceira gestação, descobriu que seria mãe de uma criança com Síndrome de Down. Com a notícia, soube que sua vida nunca mais seria a mesma, mas decidiu, desde o início, possibilitar à caçula, Ana Valentina, a melhor qualidade de vida possível. “Ela veio para transformar a vida da gente. Sua chegada foi um ganho para a nossa família. Desde os quinze dias de vida, minha filha tem os cuidados específicos para o seu desenvolvimento e procurávamos sempre estimulá-la também em casa. Isso fez toda a diferença”, lembra.
Logo no primeiro semestre de vida de Ana Valentina, Virgínia enfrentou um obstáculo: o diagnóstico de um neuropediatra, que pediu que a mãe não tivesse grandes expectativas porque a síndrome iria atrasá-la muito em seu desenvolvimento. “Eu não aceitei esse diagnóstico e continuei buscando estimular a minha filha. Procurei o Sistema Único de Saúde (SUS), que é onde temos os melhores profissionais, e voltei dali a alguns meses, mostrando todo o desenvolvimento da Ana Valentina, que já sentava e queria se levantar, ao contrário do que o médico havia previsto”, recorda.
Até os sete anos, Ana Valentina fez suas terapias no Núcleo de Tratamento e Estimulação Precoce (Nutep) da Universidade Federal do Ceará (UFC). Foi lá também que a enfermeira se tornou palestrante. “Nossa família foi exemplo para quem tinha uma resistência maior a aceitar a síndrome. Foi um trabalho muito gratificante poder falar para esses pais e mães sobre como aceitar melhor as dificuldades que essa condição impõe e evitar a rejeição”, destaca.
Para conseguir conciliar as terapias da filha com o seu trabalho, Virgínia Justa contou com o apoio da família e a compreensão da sua equipe. “Fazíamos um revezamento entre eu e meus dois filhos, para levá-la e, muitas vezes, eu ia acompanhá-la e depois voltava com ela para o trabalho. Organizei meus horários para poder ir e envolver toda a família nisso”, diz.

Para se manter bem, a enfermeira investe o tempo livre com atividades que lhe dão prazer. “Eu amo dançar, ler e considero que minha fé me ajudou muito. Sou católica praticante e confio muito em Deus e Nossa Senhora. Sempre entrego a eles as minhas angústias e procuro estar sempre sorrindo”, diz.
Supervisora da Central de Leitos da Coordenadoria de Regulação do Sistema de Saúde (Coreg) da Sesa, Marília Carvalho, é estudante de Enfermagem e trabalha há 11 anos na Secretaria. Tem dois filhos: Marden, de 4 anos, e Lucas Gabriel, de 6 anos. Para conciliar o trabalho com os estudos e as terapias do filho mais velho, que tem autismo e epilepsia, ela conta com o apoio da mãe. “Meu curso de Enfermagem, eu vou concluir no dobro do tempo porque precisei trancar durante as gestações. Não é fácil ser mãe solo, estudar e trabalhar. Mas sou grata a Deus e à minha mãe, que sempre me ajudou. Esse ano, irei me formar e estou feliz com essa conquista”
Ao descobrir os problemas de saúde de um dos filhos, a supervisora, por conta da falta de conhecimento sobre o assunto, entristeceu-se e demorou um pouco para aceitar a nova realidade. “Na época, eu não sabia o que realmente era o autismo. Hoje, meu filho me dá forças de onde não tenho e vive uma vida praticamente normal, com as terapias e medicação”, contou.

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