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quinta-feira, 27 de janeiro de 2022.
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Médicos explicam importância dos cuidados paliativos para pacientes terminais ou com doenças crônicas e sequelas

“Uma abordagem que melhora a qualidade de vida de pacientes e seus familiares, que enfrentam doenças que ameacem a vida. Previne e alivia o sofrimento através da identificação precoce, avaliação correta e tratamento da dor e outros problemas físicos, psíquicos, sócio familiares e espirituais”, diz a citação da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre a definição de cuidados paliativos. Porém, esse termo ainda é pouco debatido publicamente, bem como há menos serviços disponíveis que a demanda.


Doenças como câncer, mal de Alzheimer são tratadas nesta abordagem de forma a reduzir a dor do paciente, melhorar a qualidade de vida e oferecer rede de apoio aos familiares do paciente.
Segundo a Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP), existem, em Fortaleza, poucos locais especializados em cuidados paliativos e que estão cadastrados no site paliativo.org.br.

Segundo Ronei Oliveira, clínico geral do Hospital Haroldo Juaçaba, “a abordagem dos cuidados paliativos se dá de forma multidisciplinar, com médico, psicólogo e serviço social já há uma abordagem do paciente no seu contexto como um todo seja o contexto físico, emocional, social e até espiritual com o objetivo de promover melhor entendimento da doença, melhor adesão ao tratamento e fazer com que o paciente e a sua família saiba lidar com as complicações”, explica.

Conforme o clínico geral, a medicina aplica os cuidados paliativos, especialmente por métodos medicamentosos. Um exemplo disso são remédios para melhorar quadros de dor, cansaço e até mesmo ansiedade e insônia.
Além de atendimento psicológico e médico, os pacientes e suas famílias podem receber amparo de assistentes sociais. Para os parentes de pacientes com cuidados paliativos conseguirem lidar com essa realidade, melhor forma de lidar, o médico aconselha: “A comunicação na relação médico paciente é fundamental”, diz.

“A partir do momento em que se sabe como a do potencial risco de evolução (da doença), fica melhor conhecer a forma de manejar o paciente, sempre cuidar de forma amorosa, empática. É muito comum observar familiares que entram num nível de angústia muito grande. Então, há necessidade das famílias buscarem se organizar na divisão de tarefas para evitar sobrecarga, principalmente quando o paciente já fica totalmente dependente. É importante a confiança na equipe para ter abertura de conversa com a família sobre os aspectos a medida em que a doença vai avançando”, explana o médico sobre a importância da relação médico-paciente.

“Uma coisa que encanta dentro dos cuidados paliativos é que não existe receita de bolo, já que cuidados paliativos trabalham com princípios e não com protocolos. Os profissionais médicos têm que se reinventar todo o tempo no sentido de que a dona Maria não tem o mesmo sistema familiar do que o seu João. Então, eu tenho que adaptar o meu plano de cuidados à condição dele, seja condição financeira, seja condição de estrutura familiar. Essa relação de confiança entre família e equipe é fundamental para ter êxito nesses cuidados e colocar o nosso plano terapêutico em prol da qualidade de vida do paciente, levando sempre em consideração o desejo do paciente. Ele tem direito de decidir sobre como ele quer ser tratado.”, diz Oliveira.

A psicóloga Danielle Feitosa relata, normalmente, nos pacientes com esta condição “ falas reflexivas sobre a vida”. “ A gente fala dos medos, dos projetos, das mudanças de projeto, das ressignificações, das perdas. Então, quando a gente fala em um paciente que está com uma doença avançada, que precisa de auxílio da família para realizar as atividades, e percebe no corpo mudanças da sua autoimagem, de alguma forma ele reflete sobre a vida. É lógico que a morte aparece como um disparador dessa reflexão”, explica Danielle.

Para a psicóloga, é muito importante esses cuidados paliativos para melhor qualidade de vida para estes pacientes. “Cem por cento de importância. Ao pensar em cuidados paliativos é pensar nos cuidados à vida, a esse processo natural. O adoecimento convoca a reflexão e a construir um plano de cuidado (para esse paciente). Então, eu não consigo depois de cinco anos trabalhando em cuidados paliativos ver uma outra assistência que tente (fazer isso). O conceito de qualidade de vida é muito complexo. Então, quem vai dizer o melhor lugar pra se viver ou pra se morrer é o paciente. O respeito máximo à história de vida do paciente”, fala a psicóloga.

(Matéria de Grazielly
Barroso sob a supervisão
da editoria de Geral)

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