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Musical Kafka e a Boneca Viajante chega a Fortaleza nesta semana

segunda-feira, 20 de maio 2024

Chega a Fortaleza nesta semana, nos dias 24, 25 e 26 de maio (sexta-feira, sábado e domingo), o espetáculo Kafka e a Boneca Viajante. Mais de 20 mil pessoas em nove capitais brasileiras já acompanharam as apresentações, que, no Ceará, acontecerão no Theatro José de Alencar. O musical traz na bagagem duas indicações ao Prêmio Shell e sete ao Prêmio APTR.
Com dramaturgia de Rafael Primot, direção de João Fonseca e direção musical de Tony Lucchesi, a peça é inspirada no livro homônimo do escritor catalão Jordi Sierra i Fabra e traz Alessandra Maestrini, André Dias, Carol Garcia e Lilian Valeska no elenco. Idealizada pelo empreendedor cultural Felipe Heráclito Lima e produzida por Maria Angela Menezes e Amanda Menezes, a montagem tem patrocínio da BB Seguros.
“É muito satisfatório para nós fazer parte desse espetáculo tão rico e ajudá-lo a chegar em novas cidades. Temos um compromisso em levar cultura Brasil afora e a temporada de 2024 da peça reforça isso”, afirma Luciana Garrone, Gerente de Marketing Institucional e Mercadológico da Brasilseg, uma empresa BB Seguros. “Esperamos que Fortaleza abrace esse musical e curta conosco uma produção espetacular e pensada nos mínimos detalhes. Queremos contribuir para que a peça alcance o máximo de pessoas possíveis, pois entre os nossos anseios em incentivar projetos culturais está o de ampliar a presença da arte nacionalmente e democratizar o seu acesso”, reforça Luciana.
Os artistas trazem para o palco uma história inusitada sobre um dos escritores mais influentes do século 20, o tcheco Franz Kafka (1883-1924). A peça recria um episódio que teria levado o modernista a voltar a escrever, já no fim da vida. Ao caminhar por uma praça perto da casa onde morava, ele teria encontrado uma menina que chorava por ter perdido a boneca.
Sensibilizado pelo sofrimento da criança, ele passou a escrever cartas à garota como se fossem enviadas pela boneca, em que descrevia as incríveis aventuras pelo mundo. A bela e intrigante história já foi contada em livros, contos e peças, mas até hoje não há provas de que realmente tenha acontecido. As cartas jamais foram encontradas, tampouco a dona da boneca.
“Quando Felipe me procurou com a ideia de adaptar o livro do Jordi, eu já conhecia a história das cartas. O livro é curto, voltado ao público infanto-juvenil e conta essa história de uma maneira simples. O desafio foi fazer um espetáculo um pouco mais profundo, levando para o universo adulto. E aí resolvi trazer elementos da vida de Kafka para a história da própria garota, coisas que o escritor passou na infância dele, como a relação conturbada com o pai. E também referências a seus livros”, explica Rafael Primot.
A narrativa não linear reforça o ritmo ágil da montagem, alternando passado, presente e futuro, assim como a realidade vivida pelo Sr. K (Kafka, vivido por André Dias), a esposa Dora (Lilian Valeska) e a menina Rita (Carol Garcia) é atravessada pelo mundo ficcional das cartas, onde Brígida, a boneca interpretada por Alessandra Maestrini, indicada em São Paulo ao Prêmio Shell de melhor atriz, ganha vida.

Para contar a história
A metalinguagem é outro recurso utilizado, como diz João Fonseca: “O jogo cênico proposto pela dramaturgia do Rafael tem uma agilidade e eu entendi que tinha que fazer uma brincadeira teatral, com os atores se arrumando em cena, se maquiando, lembrando que é um jogo, uma brincadeira. É um combinado, um faz de conta que todos, inclusive a criança, sabe que não é real”. Na construção da mise en scène, destaca-se também o trabalho de direção de movimento de Márcia Rubin, em especial da personagem de Maestrini.
A trilha é um caso à parte e se impõe como elemento dramatúrgico. No repertório, interpretado pelo elenco, estão músicas de artistas como Caetano Veloso, Candeia, Cartola, Chico Buarque, Djavan, Lenine, Raul Seixas e Rita Lee e até uma composição inédita assinada por João Fonseca e o diretor musical Tony Lucchesi, que também assina os arranjos. “Eu e o João tivemos liberdade para escolher canções que pudessem contribuir com a dramaturgia e ficassem orgânicas dentro do que a cena pede. E durante o trabalho com os atores nos ensaios, outras ideias foram aparecendo. Há ainda uma canção original que eu e João compusemos, cantada pela menina, num momento muito emocionante”, adianta Tony.
“Quando vi que tinha essas quatro vozes especialíssimas à disposição, defini que os arranjos vocais seriam a tônica deste projeto, na construção do fio condutor da música. Como os quatro estão em cena praticamente o tempo todo, o arranjo vocal vem como forma de contribuir com a cena e unificar a linguagem de um repertório tão diverso”, detalha. Tony estará em cena tocando piano e também contará com uma base gravada por uma banda, que será usada em alguns momentos do espetáculo.
A cenografia de Nello Marrese reforça o simbolismo da passagem do tempo, seja do fim da vida do escritor, da transformação da menina em mulher e da viagem da boneca pelo mundo. Cubos, alguns móveis, um móbile, selos, carimbos, além de um fundo neutro para valorizar o desenho de luz criado por Paulo César Medeiros, compõem a cena. O figurino de João Pimenta, indicado em São Paulo ao Prêmio Shell de 2023, remete à época em que Kafka viveu os últimos anos, na década de 1920.

Desafios
Para levar a peça aos palcos o principal desafio foi não infantilizar, mas também preservar essa singeleza da história. “É um grande escritor à beira da morte, sem forças para escrever e de repente encontra uma menina, a dor daquela menina, que era um pouco como ele, faz com que ele retome a escrita. Como a arte transforma tudo, como a arte conseguiu curar a menina, como ele adquiriu esse último prazer na vida, achando energia para escrever”, analisa João Fonseca.
Rafael Primot concorda e completa: “Tem uma coisa inocente da menina se desvinculando da boneca, o amadurecimento e crescimento se transformando em mulher e, ao mesmo tempo, a despedida da vida desse autor. Achei que esses dois temas poderiam conversar. Como que um escritor como ele, no fim da vida, poderia transmitir esperança. É uma história de esperança e sobre a transformação do amor”.
Os ingressos partem de R$ 19,50 (meia-entrada) e R$ 39,00 (inteira) no setor Torrinha à R$ 80,00 (meia-entrada) e R$ 160,00 (inteira) no camarote, frisa e plateia. Clientes BB Seguros tem 30% de desconto no valor da inteira, usando o cupom BBSEGUROS30. Estão à venda pelo site www.sympla.com.br e na bilheteria do Theatro José de Alencar.

Por Ismael Azevedo

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