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Obesidade: segundo estudos, cerca de 41% dos brasileiros terão a doença até 2035

terça-feira, 23 de abril 2024

A obesidade é um assunto que gera preocupação mundial e é um dos problemas de saúde mais graves já enfrentados, conforme a Organização Mundial de Saúde (OMS). A doença teve um aumento alarmante nas últimas décadas, e tem afetado principalmente crianças e adolescentes. A patologia é uma condição médica causada pelo acúmulo de gordura localizada em diferentes partes do corpo humano, como explica a nutricionista Ismênya Linhares.


“A obesidade é uma condição caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal, que pode ser definida pelo índice de massa corporal (IMC). Um IMC igual ou superior a 30 kg/m² é considerado obesidade. É fundamental esclarecer que se trata de uma doença crônica”, explica a nutricionista.


Além disso, obesidade vai muito além do que uma simples gordura acumulada, ela afeta todo o organismo do indivíduo, gerando sérias complicações. “Mas a obesidade é mais do que simplesmente excesso de gordura corporal, é uma condição complexa que afeta todo o organismo. Envolve não apenas a acumulação de gordura, mas também disfunções metabólicas, inflamação crônica de baixo grau e interações complexas entre o cérebro, o sistema endócrino, o sistema imunológico e a microbiota intestinal”, destaca dra. Ismênya.

Foto: Arquivo pessoal

Conforme o Atlas Mundial da Obesidade 2023, os casos de obesidade no mundo devem apresentar um espantoso crescimento nos próximos anos. De acordo com pesquisas, somente no Brasil a previsão é de que até 2035, 41% da população adulta conviva com a doença. No público infantil, o crescimento anual será de 4,4%.


A doença teve um aumento de 72% no Brasil nos últimos treze anos e pode ser atribuída a diversos fatores que inclui o fácil acesso a comidas industrializadas, consumo de alimentos que contribuem para processos inflamatórios do corpo, além da falta de atividade física.


“O aumento na taxa de obesidade no Brasil pode ser atribuído a uma série de fatores, incluindo mudanças nos padrões alimentares devido à urbanização e globalização, disponibilidade crescente de alimentos ultraprocessados e fast food, diminuição da prática de atividade física devido a estilos de vida mais sedentários, além da falta de informação sobre alimentos inflamatórios que alteram funções hormonais, por exemplo”, diz dra. Ismênya.


Uma das pessoas que sempre lutou contra a balança foi a cantora Hortência Moreno. Segundo ela, devido sua genética ela nasceu sobrepeso, pesando por volta de 5 kg, ou seja, um peso bem elevado para um recém-nascido. Entretanto, todos achavam que com os famosos “picos” ou “saltos” de desenvolvimento do bebê ela iria perder peso, mas a realidade foi outra.


“Bom, Minha História com a Obesidade inicia no meu nascimento, pois já nasci com o peso de 5 kg um peso considerado elevado para um bebê recém-nascido, sabemos que tem caso de crianças que nasce com esse peso que com o tempo emagrecem, não foi o meu caro, o meu peso só aumentava, na minha adolescência entre meus 13 a 15 anos atingi o peso de 100 kg, e com 20 anos aproximadamente 150 kg. Com 29 anos cheguei ao meu maior peso que nunca imaginei que chegaria a 170 kg”, conta Hortência.


Hortência conta que por muito tempo se sentiu culpada por estar acima do peso e nunca conseguir chegar a um número ideal mesmo com seus esforços, fazendo de tudo, desde dietas, atividades físicas e consumos de remédios. “Por muito tempo alimentei em minha cabeça que eu era a culpada de nunca conseguir perder peso, apesar de pensar assim eu nunca desisti de mim, perdi as contas de quantas tentativas falhas já tive, dietas sem acompanhamento e com acompanhamento de especialistas na área (nutricionista, endocrinologista), remédios, etc. Em todas as tentativas até conseguia perder alguma coisa, mas logo vinha o desânimo e regredia e engordava tudo que já tinha perdido ou o dobro”, relembra Hortência.


Em 2014, a jovem resolveu tentar uma cirurgia bariátrica, após ouvir relatos de sucesso desse procedimento, aguardou cerca de 1 ano na fila do SUS, porém, a mesma acabou desanimando. Porém, em 2022 Hortência chegou ao seu limite, quando alcançou o peso de 170 kg e com inúmeras comorbidades causadas pela obesidade, foi o alerta final. Então, iniciou o tratamento pré-operatório para a realização da cirurgia.


“Em 2022 tomei a decisão de buscar outra forma de fazer essa cirurgia, pois cheguei aproximadamente a 170 kg com inúmeras comorbidades causadas pela obesidade (colesterol alterado, picos de pressão alta) e hérnia de disco de muito risco causada pelo peso elevado. Dei início ao tratamento pré-operatório onde pude entender que a obesidade é uma doença crônica que não tem cura, mas tem tratamento. Com o acompanhamento dos médicos entendi que não cheguei ao meu peso máximo por culpa e fraqueza minha e sim porque eu não entendia que estava doente e precisava entender para tratar corretamente”, destaca.


A cirurgia foi realizada em 26 de maio de 2023 em Fortaleza, a cantora conseguiu eliminar 9 kg antes da cirurgia, pesando 154 kg. Ao todo, nove meses se passaram desde a cirurgia e Hortência atualmente pesa 60 kg. “Estou a 23 kg da minha meta pessoal que é pesar 80 kg. Sei que continuo acima do peso, mas também sei que a vitória só está começando”, finaliza a jovem.


Assim como Hortência, o empresário Jhemyson Bonifácio, 30 anos, desde a infância lutava contra a balança, apesar de não ter nascido sobrepeso, mas sempre teve facilidade para engordar. Por algum tempo, devido ao esporte que praticava, conseguiu perder peso.


“Desde a infância já sofria uma luta contra estar acima do peso, não contra a obesidade, mas sim acima do peso. Em 2012, aos 18 anos, por conta do basquete que eu estava praticando na escola, eu consegui emagrecer. Mas em 2014 comecei a engordar novamente, que foi quando entrei no médio e comecei a trabalhar, deixei de praticar esporte”, conta Bonifácio.


No período de 2014 a 2021, Bonifácio saltou de 90 quilos para 148. E em 2021, após começar a sentir os efeitos da obesidade em seu corpo. “Em 2021 comecei a sentir os efeitos colaterais da obesidade, né? Que no caso comecei a ter pressão alta, diabético, problema no joelho e problema de circulação”, afirma o empresário.


Após a realização da cirurgia bariátrica em 2022, Bonifácia afirma que hoje em dia tem uma melhor qualidade de vida, sua autoestima está elevada, tem mais disposição para realizar esportes, coisa que antes era bem limitada. “Bom, no caso hoje em dia, com certeza a autoestima é bem melhor, a disposição também é bem melhor e anteriormente eu tinha uma limitação de fazer um esporte, justamente para a pressão alta. Atualmente pratico o esporte tranquilamente, por exemplo, cada pedalada que faço hoje é acima de 22 quilômetros, entendeu? Então venho aqui para o meu trabalho duas vezes por semana de bicicleta, que dá no caso 26 quilômetros, sendo 12 quilômetros indo e 13 voltando, então dá uns 25 quilômetros por dia de pedalada, do pedal, né?”, destaca Bonifácio.

Tratamento
A coordenadora do Departamento de Nutrição do Centro Universitário Celso Lisboa, Juliana Pandini, explica que atualmente, estão disponíveis diversos tipos de tratamento para obesidade, que vão desde atividades físicas à cirurgia bariátrica. Além disso, os avanços científicos têm buscado explorar diversas abordagens que possam contribuir para o tratamento da doença.


“Existem diversos tratamentos para a obesidade, que podem incluir mudanças no estilo de vida, como dieta balanceada e prática regular de exercícios físicos, terapias comportamentais, medicamentos e, em casos mais graves, cirurgia bariátrica. Avanços científicos recentes têm explorado novas abordagens terapêuticas, como a terapia genética, medicamentos para controle do apetite e intervenções baseadas em microbioma intestinal, mas ainda há muito a ser pesquisado e desenvolvido nessa área”, diz dra. Juliana.

Tipos de obesidade

  • Obesidade visceral – Quando a gordura se acumula principalmente na região abdominal
  • Obesidade periférica – O acúmulo de gordura acontece nas coxas, quadris e nádegas e é mais comum em mulheres. 
  • Obesidade generalizada – quando há um acúmulo significativo de gordura em todo o corpo.

Por Dalila Lima

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