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“Sensação de impotência”, relata fisioterapeuta cearense que mora no Rio Grande do Sul

segunda-feira, 06 de maio 2024

Desde a última semana, o mundo vem acompanhando a tragédia que assola o estado brasileiro do Rio Grande do Sul (RS). Mais de 65% dos municípios foram afetados pelos fortes temporais que estão sendo registrados na região. O cenário catastrófico gerou comoção mundial. A Defesa Civil informou que mais de 95 mil pessoas precisaram deixar suas casas. Entre elas, a fisioterapeuta cearense Maria Alessandra Albuquerque.


Natural de Ubajara, cidade que fica a 320 km de Fortaleza, Alessandra mora há cinco anos na cidade gaúcha de Canoas, atuando como assessora técnica de média e alta complexidade no Conselho das Secretarias Municipais de Saúde do Rio Grande do Sul (Cosems/RS). Atualmente, ela está abrigada em Porto Alegre, na casa da sogra de sua filha. A cearense teve que deixar o apartamento onde mora durante a madrugada em decorrência da inundação. Em entrevista exclusiva para o jornal O Estado, Alessandra relata sobre a situação que está vivendo.

Foto: Reprodução/ Arquivo pessoal

“Meu apartamento é novo. Tem três anos e pouco que compramos e estruturamos, mas fica no térreo. A gente nunca imaginou que pudesse ser atingido, fica a uma distância considerável do rio Guaíba e do rio Jacuí, mesmo assim as águas invadiram, principalmente através do sistema de esgoto e bueiros. Há toda uma pressão, a água veio e está bem difícil”, lamenta.


“Nós tivemos que deixar tudo, tivemos que sair só com uma mala e com a roupa do corpo, porque esse momento era de salvar as vidas. Então, a gente teve que priorizar as nossas, porque estávamos ficando ilhados. Alguns vizinhos ficaram nos blocos, nos andares mais altos e agora estão tendo que ser resgatados através de botes, de barcos ou jet ski. Estão sendo utilizados todos os meios de transporte possíveis. Não sabemos quando a água vai baixar. Nossa preocupação é com a vida das pessoas. Eu perdi um apartamento, mas tem pessoas que perderam a vida”, ressalta.


A assessora do Cosems detalha que tem acompanhado a situação na área da saúde. Os profissionais buscam priorizar aqueles com maiores necessidades e os atendimentos estão sendo limitados por conta dos insumos. “Vários estados mandaram ajuda com profissionais, com o Corpo de Bombeiros, o Exército e helicópteros, para auxiliar nos resgates. Estão tendo prioridade, por exemplo, pacientes que têm tratamento contínuo, como hemodiálise, oncologia, quimio e rádio. Os atendimentos são limitados, somente de urgência, por conta até do desabastecimento de combustível, de medicamentos, principalmente de oxigênio, que as empresas fornecedoras não têm. O nosso aeroporto está interditado, não tem condição de voo, todos foram cancelados”, explica.

Foto: Reprodução/ Arquivo pessoal

O último boletim divulgado pela Defesa Civil, confirmou que os temporais já deixaram 75 mortos, 103 desaparecidos e 155 pessoas feridas. Para a cearense, os índices ainda devem crescer. “Esse número é muito maior, porque não temos contato com as regiões. Então, as pessoas estão soterradas, a maioria. Os rios levaram as pessoas. Então, essa quantidade ainda não está contabilizada corretamente. Será muito maior. Grande parte dos municípios está sem conexão de internet e telefonia. Nós não temos nem contato com os secretários de saúde porque eles estão isolados”, conta Alessandra.


De acordo com ela, um comitê de crise foi criado para articular as ações que devem ser desempenhadas no estado. Uma força tarefa tem se esforçado para agir rápido e salvar o máximo de vidas possível. O Cosems está monitorando as regiões para atender às necessidades de cada município. “Tem um comitê de crise com o Estado, com a Defesa Civil e o Exército. São várias pessoas que participam deste comitê. A Secretaria de Saúde e o governador estão muito preocupados. Os municípios estão tendo todo o apoio das equipes do Estado e do Ministério da Saúde. Nesse momento, a prioridade é o resgate das pessoas, onde há indivíduos que estão ilhados”, afirma.


De acordo com ela, 14 apoiadoras do Cosems estão trabalhando nas 30 regiões de saúde do Rio Grande do Sul. “São 497 municípios. Eles estão monitorando junto com os apoios focais de cada região. Eles avaliam a necessidade de transferência, a central de regulação de leitos e para onde o paciente tem condição de ser levado. Essa última não através das suas pactuações de referência, mas onde há condições do paciente ir por conta das estradas e onde há leitos disponíveis. Então, está sendo feito dessa forma, para garantir o atendimento de urgência”, pontua a cearense.

Por Dalila Lima

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