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Mundo

25 anos: China celebra sua versão de Hong Kong

sexta-feira, 01 de julho 2022

A China celebra nesta sexta (1º) os 25 anos da retomada do controle sobre Hong Kong. Mais significativamente, comemora os 2 anos em que impôs sua versão sobre como deve ser o território que recebeu de volta dos britânicos após um século e meio de dominação colonial. O faz em grande estilo, com a primeira viagem do líder Xi Jinping fora da área continental da ditadura comunista desde o início da pandemia de Covid-19, em 2020. Logo depois de chegar à estação de trem de alta velocidade vindo da vizinha Shenzhen, Xi falou rapidamente e deu o tom.
“Depois das tormentas, Hong Kong renasceu das cinzas e emergiu com uma vigorosa vitalidade. Os fatos demonstram que o princípio de ‘um país, dois sistemas’ está cheio de vitalidade”, afirmou o líder.

É um resumo racional para uns, cínico para outros, do que aconteceu desde a última vez que Xi esteve por lá, em 2017. As ditas “tormentas”, a convulsão política de 2019, quando milhares foram às ruas em protestos que terminaram em violência por garantias democráticas, mudaram para sempre Hong Kong.

“Eu sinto falta da minha terra, e espero voltar um dia. Mas não é possível negociar com Pequim porque este é um regime totalitário que não pode dar nenhuma liberdade para as pessoas”, afirmou por mensagem Stanley Ho, 37. “Mais importante, o regime ainda tem ódio pelo que ocorreu em 2019.”

Conselheiro
Ho era um conselheiro local de um partido moderado, eleito no pivotal pleito de novembro de 2019 que selou a morte dos movimentos pró-democracia no território, que haviam tido uma vitória expressiva e sinalizado uma via de resistência dentro do sistema. Ele, que havia sofrido um brutal ataque de nacionalistas chineses naquele ano, dizia à reportagem à época acreditar que aos poucos Hong Kong ganharia outra feição.

Ganhou, mas não a desejada por ele. Em agosto de 2020, um mês depois que Pequim implementou a dura Lei de Segurança Nacional, todos os políticos de oposição à China renunciaram no território. “Um ano depois, eu saí de Hong Kong. A mensagem que recebemos era de que teríamos grandes problemas, seríamos presos ou mortos, se insistíssemos em fazer o que fazíamos no passado”, conta ele, que mora em Cardiff (Reino Unido).
A repressão ao que era percebido por Pequim e pela elite econômica de Hong Kong como uma desestabilização impossível de aceitar acabou matando, na prática, o sistema enaltecido por Xi nesta quinta como havia sido concebido.

Protestos
Como os protestos se radicalizaram por pedidos de independência em vários momentos, o temor de isso ser visto como exemplo para outras regiões e mesmo para Taiwan, ilha que Xi busca absorver e que o Ocidente vê como uma Ucrânia em potencial, ficou evidente.

Em 1984, o acerto entre britânicos e chineses previa que o território seria devolvido em 1997. A partir daí, 50 anos se passariam sob “um país” (a China) e “dois sistemas” (comunista no continente, capitalista liberal no território).
“Foi uma relação sempre tensa, desde o começo. É preciso lembrar que os ingleses eram os inimigos na cabeça de muitos honcongueses, em especial aqueles que se deram bem financeiramente. Para quem só queria liberdade, contudo, acabou sendo a troca do inglês pelo han [etnia majoritária no continente, enquanto Hong Kong é 92% cantonesa]”, diz John, um jornalista ocidental que mora há 30 anos na cidade e pede para usar um nome fictício.
A China foi favorecida. Hong Kong virou seu entreposto comercial com o mundo, com cerca de 65% do fluxo de investimentos estrangeiros para dentro e para fora do país passando por lá. O capitalismo altamente desregulado também tornou a cidade um centro financeiro internacional.

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