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Ascensão do Taleban alterará correlação de forças

quarta-feira, 18 de agosto 2021

A tomada do poder no Afeganistão pelo Taleban mexeu com o tabuleiro geopolítico da região, e países vizinhos acompanham atentos o desenrolar dos fatos em Cabul. O medo é que o exemplo dos rebeldes afegãos inspire outras revoltas, e o pragmatismo deve ser a tônica na relação com o Taleban, segundo especialistas ouvidos pela Folha de S.Paulo. Da primeira vez que o grupo fundamentalista comandou o país, entre 1996 e 2001, apenas três nações reconheceram o governo do Taleban: Paquistão, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

O Paquistão, aliás, está na origem do grupo -a palavra taleban significa “estudantes” em pashto, idioma local, e a milícia armada foi formada inicialmente por alunos de seminários religiosos na região da fronteira entre os dois países. Para Fernando Brancoli, professor do Instituto de Relações Internacionais da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), a recente ascensão do Taleban é uma vitória regional para o Paquistão, que também abriga células do grupo -foi uma delas que atacou, em 2012, a ativista Malala Yousafzai, que depois ganharia o Nobel da Paz.

“O Paquistão basicamente sustentou o Taleban nos últimos anos, tem relações próximas políticas e afetivas. É uma janela de oportunidade para o país, que estava apagado politicamente e volta agora como um ator relevante”, diz.Há setores políticos em Islamabad satisfeitos com a tomada do poder em Cabul, mas o desfecho pode ser negativo para o país, na visão de Betina Sauter, do Isape (Instituto Sul-Americano de Política e Estratégia).

Primeiro porque, apesar da proximidade, a ascensão do Taleban pode incentivar o terrorismo doméstico em solo paquistanês. Depois, no ambiente externo, deve separar ainda mais os Estados Unidos do país, hoje muito próximo da China. Terceiro, porque pode gerar um alto fluxo de refugiados e prejudicar ainda mais a economia de um país já em crise.

Adaptação
É o que Pio Penna, professor da UnB (Universidade de Brasília), chama de “ficar entre a estrela e o crescente [símbolo do islamismo] e a espada”, numa adaptação do ditado popular. “O exemplo não é bom, e não só no Paquistão, mas as cenas da tomada do poder podem inspirar muita gente por todo o mundo.” O sinal de alerta se acendeu também em países onde as populações muçulmanas compõem minorias étnicas -ainda que muitas vezes populosas-, como Rússia, China e Índia, segundo Maurício Santoro, professor da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro).

“Há um problema doméstico interno, um medo da ascensão do fundamentalismo e do terrorismo. A ausência das potências ocidentais depois de 20 anos de guerra gera uma novidade estratégica, e há um sentimento de preocupação”, diz. Outro país fronteiriço em atenção é o Irã, que deve ter uma relação ambígua com o novo governo, segundo Sauter. Por um lado, o país, xiita, quer evitar o fundamentalismo sunita dos talebans, antigos aliados do maior inimigo regional iraniano, a Arábia Saudita. Por outro, o Irã vê no fracasso da missão americana uma forma de contestar a influência dos EUA, outro grande adversário de Teerã.

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