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Biden e Macron botam panos quentes em relação

quinta-feira, 23 de setembro 2021

A Casa Branca e o Palácio do Eliseu divulgaram nesta quarta-feira (22) um comunicado conjunto em que afirmam que os presidentes dos EUA, Joe Biden, e da França, Emmanuel Macron, concordaram em abrir um processo de consultas aprofundadas “para garantir a confiança e propor medidas concretas em direção a objetivos comuns”. O documento diz que os dois líderes conversaram por telefone, a pedido do americano, “a fim de discutir as implicações do anúncio de 15 de setembro”. Na data mencionada, os EUA divulgaram um acordo realizado com Reino Unido e Austrália para a construção de submarinos nucleares, batizado de Aukus, que deu origem a uma crise diplomática entre Washington e Paris.

O problema para os franceses é que a nova parceria australiana com americanos e britânicos representa o cancelamento de um contrato assinado entre Austrália e França em 2016, que chegaria a US$ 90 bilhões (R$ 475 bilhões, pelo câmbio atual). O acordo também é um golpe para as ambições de Paris de fortalecer sua presença na região do Indo-Pacífico, palco de disputas territoriais -entre outras- envolvendo a China. O comunicado afirma que Biden e Macron concordaram que “a situação teria sido beneficiada por consultas abertas entre aliados sobre questões de interesse estratégico para a França” e outros parceiros europeus dos EUA.

Na semana passada, o líder americano havia mencionado a França como “parceiro e aliado-chave”, mas o ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Yves Le Drian, disse que o anúncio do acordo “foi uma punhalada nas costas” e que Biden agiu como o ex-presidente Donald Trump, de maneira “ unilateral, brutal, imprevisível”.

Gesto
Segundo a declaração conjunta, Biden e Macron concordaram em se encontrar na Europa no final de outubro, e o francês decidiu que seu embaixador retornará a Washington já na próxima semana, um gesto diplomático que bota panos quentes na relação entre os dois países. No jargão das relações internacionais, convocar um embaixador é um movimento que expressa forte insatisfação com o país que abriga os diplomatas. É possível que os dois líderes se reúnam por ocasião da cúpula do G20 na Itália, marcada para os dias 30 e 31 de outubro, mas funcionários da Casa Branca disseram ao jornal New York Times que o encontro pode ocorrer de forma separada, como um passo para reparar os danos provocados pela crise.

O texto disse ainda que Biden “reafirma a importância estratégica do envolvimento francês e europeu na região do Indo-Pacífico” e que os EUA reconhecem a “importância de uma defesa europeia mais forte” complementar à Otan (aliança militar do Ocidente). A Presidência francesa ainda não se pronunciou após o telefonema, mas, do lado americano, a secretária de Imprensa da Casa Branca, Jen Paski, classificou a ligação como amistosa. “Estamos esperançosos, e o presidente está esperançoso que esse seja um passo para a volta ao normal de um relacionamento longo, duradouro e importante.”

Porta-voz
Questionada se Biden teria se desculpado, uma das expectativas expressadas por Macron por meio de seu porta-voz, ela se limitou a dizer que o americano “reconheceu que poderia ter havido uma consulta mais aprofundada”. Apesar do clima descrito pela porta-voz de Washington, antes do telefonema, a ministra da Defesa francesa, Florence Parly, declarou que o Aukus mostra que “não existe diálogo político” dentro da Otan (aliança militar ocidental), durante uma sessão de perguntas na Assembleia Nacional nesta quarta.

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