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Brasil defende presença russa em reunião sobre guerra

quarta-feira, 01 de maio 2024

O governo da Suíça convidou, nesta terça-feira, 30, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para participar da cúpula com líderes mundiais que deve discutir a guerra entre Rússia e Ucrânia. A conferência deve ocorrer entre os próximos dias 15 e 16 de junho na cidade de Lucerna, em território suíço. Além de Lula, outros representantes internacionais de mais de 100 países estão sendo convidados para o evento. O presidente norte-americano, Joe Biden, por exemplo, deve comparecer.
O Ministério das Relações Exteriores informou que o convite foi entregue ao chanceler Mauro Vieira, que afirmou ao UOL, que o chefe do Executivo nacional considerará a participação na reunião, mas que há uma intensa agenda de viagens marcadas para ele dentro do Brasil. Em um primeiro contato, antes do convite oficial, o Brasil indicou que só aceitaria participar mediante a presença de um representante russo. Porém, o Kremlin já afirmou que não tem interesse no evento, que é visto pelo governo de Vladimir Putin como um projeto dos “democratas americanos”.
A organização de uma conferência para debater a paz no leste europeu está sendo realizada pelos suíços desde o início do ano. A ideia é que seja criada uma estrutura que favoreça a conversa entre os dois lados envolvidos no conflito. A reunião foi um pedido do próprio líder ucraniano Volodymyr Zelensky, que discutiu o assunto com as nações integrantes da União Europeia, membros do G7 e países como China e Índia, que tentam convencer os russos.
Na visão brasileira, é necessário que a Rússia participe de qualquer negociação internacional que debata a paz e não seria possível conversar sobre o conflito entre duas partes sem que uma delas estivesse presente no encontro. Moscou, por sua vez, defende não ser contra os esforços para o cessar-fogo na região, porém, mantém-se firme quanto à não participação na reunião em território suíço, uma vez que acredita que o país abandonou sua histórica neutralidade na guerra. Em outros momentos da história, a Suíça já atuou como mediadora e tenta buscar uma resolução para o atual embate, que teve início em fevereiro de 2022.

Ucrânia
Em setembro do ano passado, o presidente brasileiro se encontrou com o seu homólogo ucraniano em Nova York, nos Estados Unidos. “Tivemos uma boa conversa sobre a importância dos caminhos para construção da paz e de mantermos sempre o diálogo aberto entre nossos países”, declarou Lula após a reunião. Antes disso, em abril, o petista se envolveu em uma polêmica por declarações referentes à guerra.
Durante uma viagem a Portugal, Lula disse que os Estados Unidos deveriam parar de “incentivar” o conflito. Nos Emirados Árabes Unidos, o presidente afirmou que a decisão da guerra “foi tomada por dois países”. O mal-estar diplomático fez com que a Ucrânia convidasse o brasileiro para visitar o território e entender melhor as causas da guerra. Na época, o Ministro de Relações Exteriores ucraniano, Oleg Nikolenko, declarou que a fala colocava “vítima e agressor na mesma balança”.
Posteriormente, o político rebateu críticas que diziam que o Brasil apresentava uma postura ambígua quanto ao confronto. “O Brasil tem uma decisão muito clara: condenou a Rússia por invadir o espaço territorial da Ucrânia. Ponto. Esse é o comportamento público do Brasil”, disse Lula. “O que o Brasil não quer é se alinhar à guerra. O Brasil quer se alinhar a um grupo de países que precisam trabalhar para construir a paz. Se todo mundo se envolve diretamente na guerra, a pergunta que eu faço é: quem é que vai conversar sobre paz?”, explicou.

Rússia
Na última semana, o assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Celso Amorim, desembarcou na capital russa para participar de uma conferência sobre segurança que foi promovida pelo governo Putin. Lá, foram realizadas uma série de reuniões bilaterais com figuras importantes como o chanceler da Rússia, Sergey Lavrov, e com o Secretário do Conselho de Segurança Russo, Nikolai Patrushev.
Fontes da diplomacia brasileira confirmaram, posteriormente, que tais encontros foram utilizados para discutir a guerra com a Ucrânia. Um representante do Planalto, inclusive, afirmou que “se busca a possibilidade de construção de uma paz possível”. No evento, Amorim também conversou sobre temas como a interação entre os países na Organização das Nações Unidas (ONU) e no BRICS. A ocasião serviu ainda, para que o representante do governo Lula fizesse críticas ao uso da tecnologia de inteligência artificial nos ataques israelenses na Faixa de Gaza e às alianças militares firmadas entre países no mundo atual.

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