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Mundo

Brasil é contra retomada de sanções dos EUA à Venezuela

sexta-feira, 19 de abril 2024

Diante da decisão norte-americana de não retomar a licença temporária que aliviava as sanções impostas à Venezuela no setor de petróleo e gás, fontes da diplomacia brasileira afirmam que o Itamaraty enxerga a ação como “pressão” contra o regime de Nicolás Maduro e se posiciona de maneira contrária. À CNN, tais fontes revelaram que o Brasil deverá manter a tradição de condenar sanções econômicas, só admitindo-as mediante a aprovação do Conselho de Segurança das Nações Unidas. A referida licença expirou nesta quinta-feira, 18.
Nesta semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou o seu homólogo colombiano Gustavo Petro e, em comunicado publicado após a reunião, os chefes de Estado “repudiaram qualquer sanção que unicamente serve para aumentar o sofrimento do povo venezuelano”. Quando houve o anúncio de que a trégua não seria renovada, o presidente Nicolás Maduro respondeu que seu país estava “avançando com ou sem licença”. “Não somos uma colônia gringa”, pontuou o político na segunda-feira, 15.
A situação está relacionada com a realização das eleições presidenciais venezuelanas de 2024, na qual Maduro deverá concorrer à reeleição. O pleito está cercado de denúncias que contrariam a promessa feita no Acordo de Barbados de que a votação seria livre e transparente. Entre elas, há o impedimento de que a candidata da oposição, Corina Yoris, se registrasse para concorrer à presidência. A medida, adotada sem qualquer justificativa por parte do governo venezuelano, foi condenada por diversos países da região, inclusive o Brasil. O comunicado emitido após a reunião entre Lula e Petro também tocou no assunto exortando “governo e oposição a considerar a possibilidade de chegar a um acordo de garantias democráticas que possa ser referendado nas urnas”.
A condição norte-americana para que a licença fosse renovada passa por compromissos a serem assumidos por Maduro para a garantia de que o Acordo de Barbados seja cumprido e o país venha a ter um processo eleitoral justo. “Se não houver progresso de Maduro e seus representantes na implementação das provisões do plano de ação, os Estados Unidos não renovarão a licença quando ela expirar”, explicou um porta-voz do Departamento de Estado no início da semana. Conforme o relato das fontes do Itamaraty, ainda é cedo para dizer se o referido acordo chegou ao fim, porém, atualmente, o entendimento não se encontra na sua melhor fase.
Na quarta-feira, 17, Maduro reforçou sua posição afirmando que a decisão norte-americana não impactará o progresso do país. “Eles pensam que isso nos assusta, não há sanção, não há ameaça que hoje prejudique o esforço para construir um novo modelo econômico produtivo”, afirmou.

Economia
Com a retomada das sanções, chega ao fim a trégua de seis meses que fez com que executivos estrangeiros olhassem para a Venezuela. Tal fato poderá afetar as intenções venezuelanas de ter sua economia retomada, uma vez que são necessários investimentos estrangeiros relevantes para reconstruir a infraestrutura petrolífera do território. Além disso, a médio e longo prazo, a falta de investimentos pode comprometer a produção de petróleo no país governado por Maduro.
Entre outubro e março, a licença resultou em US$ 740 milhões adicionais em vendas de petróleo, segundo a estimativa feita pela consultoria Dinamica Venezuela. Os efeitos da nova decisão, porém, não representam uma preocupação somente para os venezuelanos, já que a repressão ao petróleo do país pode levar ao aumento do preço da gasolina também nos Estados Unidos, o que pode ser um fator negativo para o governo de Joe Biden, que concorrerá à reeleição no final do ano. No mesmo contexto, autoridades norte-americanas temem que a revogação da licença piore a crise econômica na Venezuela, que foi o segundo país com a maior quantidade de migrantes sem documentos encontrados na fronteira dos Estados Unidos com o México no ano passado.

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