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Chile exige retirada de painéis solares argentinos da fronteira

terça-feira, 18 de junho 2024

O presidente chileno, Gabriel Boric, exigiu, nesta segunda-feira, 17, que o governo argentino retire de maneira rápida os painéis solares que foram instalados “por engano” do lado da fronteira que pertence ao Chile. “As fronteiras não são algo com o que se possa ter ambiguidades e é um princípio básico de respeito entre os países, e, portanto, devem retirar esses painéis solares o mais breve possível ou nós mesmos o faremos”, ameaçou Boric durante conversa com jornalistas em Paris, onde está cumprindo agenda oficial.
No final de abril, a Marinha da Argentina inaugurou o chamado “Posto de Vigilância e Controle de Trânsito Marítimo Hito 1” na Patagônia, próximo à fronteira com o Chile. Os painéis solares citados por Boric foram instalados do lado chileno da zona limítrofe. “Imagino que não teremos problemas a esse respeito, mas é um sinal equívoco, um sinal que não nos agrada e, portanto, o que exigimos é que isso seja resolvido no menor prazo possível e insisto, se não o faremos nós mesmos”, reiterou o presidente.
Conforme as informações divulgadas pela mídia internacional, a instalação ultrapassa três metros do limite territorial entre as duas nações que compartilham uma fronteira total de aproximadamente 5 mil quilômetros. De acordo com o chanceler chileno, Alberto Van Klaveren, a Argentina já reconheceu o erro e “expressou suas desculpas a esse respeito”. Por outro lado, o embaixador que representa o país governado por Javier Milei em território chileno, Jorge Faurie, afirmou que não será possível retirar os painéis em questão neste momento. “Eles serão removidos assim que as condições climáticas permitirem”, justificou o diplomata.
Boric também disse que conversou sobre o assunto com Milei durante a Cúpula de Paz para a Ucrânia, que aconteceu no último fim de semana. Segundo ele, o chefe do Executivo argentino garantiu que levaria o caso para sua ministra das Relações Exteriores, Diana Mondino. Boric e Milei possuem diferenças ideológicas, mas mesmo assim, o político chileno avaliou que existe uma “excelente relação entre Estados” e esclareceu que não deseja escalar tensões com suas declarações sobre o tema. “O que precisamos fazer é respeitar a fronteira, isso é o que estamos exigindo em relação ao nosso território”, explicou.
A porta-voz do governo chileno Camila Vallejo já comentou sobre a situação e considerou, em entrevista à CNN, que é necessário “analisar como é possível que na projeção e construção de uma base militar não tenha sido medido até onde chega o limite da Argentina e onde começa a transgredir o território do país vizinho”. Para ela, o caso pode realmente ter sido apenas um erro, mas para o governo chileno, se trata de um erro “preocupante”.

Conflito
Esta não é a primeira vez que os dois países sul-americanos se encontram em meio a tensões diplomáticas. Em 1978, quando ainda eram governados por ditaduras, as nações vizinhas quase entraram em guerra em decorrência de uma disputa relacionada com as ilhas do Canal de Beagle, localizado no extremo sul do continente. Tropas chegaram a ser mobilizadas nos dois lados da fronteira. Na época, o Papa João Paulo II atuou como mediador e a situação acabou sendo solucionada em favor do Chile.

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