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Mundo

Covid: Portugal impõe restrições de circulação em Lisboa

sexta-feira, 18 de junho 2021

Para tentar conter a disseminação da variante Delta, cepa mais transmissível do novo coronavírus identificada primeiro na Índia, o governo de Portugal proibiu os cidadãos de entrarem ou saírem da Região Metropolitana de Lisboa no próximo fim de semana. Entre as 15h de sexta-feira e as 6h de segunda-feira, ninguém pode entrar ou sair da região, que atualmente concentra mais de 70% dos novos casos de Covid-19 no país.

Após vários meses de controle da pandemia, Portugal vive atualmente um aumento de casos. Nesta semana, o país de 10 milhões de habitantes voltou a ultrapassar a marca de mil novos casos diários do vírus. Na última quarta-feira (16), foram 1.350 novas infecções em 24 horas, o valor mais elevado desde o fim de fevereiro. Para muitos especialistas, a disseminação da variante Delta pode estar relacionada ao crescimento dos casos no entorno da capital.

Ao anunciar as medidas de restrição em Lisboa, a ministra da Presidência, Mariana Vieira da Silva, fez referência explícita à presença da cepa, mas afirmou que ainda é preciso esperar os números oficiais da vigilância epidemiológica. “Aparentemente, há uma prevalência maior da variante Delta neste território e também na região do Alentejo”, afirmou. “É difícil a explicação e tomada destas medidas, mas é uma condição que nos pareceu fundamental neste momento para não fazer alastrar a todo o país a situação que vive Lisboa”, completou.

Números
Embora os números oficiais da presença atual da variante ainda não tenham sido publicados, reportagens na imprensa portuguesa afirmam, citando fontes ligadas ao levantamento, que a variante Delta já é responsável por mais de 50% dos casos na região de Lisboa. No último relatório, publicado em 31 de maio, ela era responsável por apenas 4,8% dos casos no país todo.

Na próxima semana, a capital portuguesa deve ser alvo de mais restrições. Além de não ter avançado para a última etapa do desconfinamento, a cidade deve ser obrigada a retroceder um passo no plano, com limitações mais estritas de horários e de serviços, sobretudo aos fins de semana. Lisboa já ultrapassou a linha vermelha estipulada pelo governo, de 240 novos casos por 100 mil habitantes em 14 dias. Pelas regras atuais, no entanto, o retorno das restrições só acontece se o mau resultado se repetir por duas semanas.

Diante da rápida evolução dos casos, alguns especialistas pediram publicamente para que a situação na capital fosse revista antes do prazo, o que foi negado pelo governo. Também com um rápido aumento de casos, Sesimbra, um outro município português, optou por não aguardar o prazo estipulado para a revisão do status e, voluntariamente, decidiu não avançar no desconfinamento.

Pressão
Os hospitais já sentem a pressão, com aumento dos internados e dos pacientes nas unidades de terapia intensiva. Vários estabelecimentos voltaram a ampliar a oferta de leitos para Covid-19. “Na prática já estamos numa quarta onda pandêmica”, diz Carlos Antunes, professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, em entrevista ao Diário de Notícias. Ainda assim, os especialistas pedem cautela e ressaltam que a situação ainda está distante do que foi no começo de 2021. Foi justamente alegando preocupações com essa variante que o governo britânico acabou retirando, no começo de junho, Portugal de sua lista verde.

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