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Em pouco mais de um ano, Escócia assiste renúncia de dois premiês

terça-feira, 30 de abril 2024

O primeiro-ministro da Escócia, Humza Yousaf, anunciou sua renúncia ao cargo nesta segunda-feira, 29, gerando instabilidades no partido pró-independência que representa. A decisão ocorreu após o desmoronamento do governo de Yousaf, na semana passada, quando ele rasgou um acordo de coligação com legisladores do Partido Verde. Os Verdes, então, afirmaram que votariam contra o premiê em uma moção de confiança. Quando assumiu o país, em março do ano passado, o agora ex-premiê tinha como uma de suas missões fortalecer os argumentos para a realização de um novo referendo sobre a independência escocesa do Reino Unido.
Em uma coletiva de imprensa concedida ontem, o líder político informou que o Partido Nacional Escocês (SNP) deverá oferecer um novo candidato para assumir as suas funções. “Infelizmente, ao encerrar o Acordo de Bute House da maneira que fiz, subestimei claramente o nível de mágoa e perturbação que causou aos colegas Verdes”, lamentou o ex-primeiro-ministro aos jornalistas. “Para que um governo minoritário seja capaz de governar de forma eficaz, a confiança quando trabalha com a oposição é claramente fundamental”, justificou.
O SNP lidera o governo da Escócia desde 2007 e, em 2014, forçou um voto de independência. Porém, os escoceses votaram pela permanência do território como parte do Reino Unido. Yousaf, por sua vez, defendia a realização de um novo referendo nos próximos dois anos, argumentando que a saída britânica da União Europeia, conhecida como “Brexit”, que ocorreu em 2016, teria influência nos resultados, já que a maior parte dos escoceses votaram contra tal decisão.
Os pedidos do então premiê, porém, foram rechaçados em Westminster e também se tornaram fragilizados após uma investigação policial sobre irregularidades financeiras. Ele, no entanto, não foi o único primeiro-ministro escocês a renunciar às suas funções em um curto período de tempo. Em fevereiro de 2023, Nicola Sturgeon, a líder mais longeva da Escócia, surpreendeu o país e encerrou suas atividades após oito anos de governo.
Sturgeon também era um dos principais nomes pró-independência da Escócia e assumiu o comando do território logo após o referendo de 2014. “Essencialmente, tenho tentado responder a duas perguntas. Continuar é certo para mim? E, mais importante, estou a fazer bem pelo país, pelo meu partido e pela causa da independência a que dediquei a minha vida? Me convenci de que a resposta para qualquer uma delas, quando examinada profundamente, é não”, disse à época, acrescentando que o SNP precisava de um novo líder para que a causa da independência continuasse sendo defendida, porém, de outra forma, “sem se preocupar com as implicações percebidas para minha liderança”. O movimento de separação na Escócia existe há pelo menos 300 anos, porém, de acordo com a Suprema Corte Britânica, o país precisaria de uma autorização do parlamento do Reino Unido para que um novo referendo fosse realizado.

Desafio político
Faltam dois assentos para que o partido dos dois ex-premiês consiga a maioria em Holyrood, a sede do poder da Escócia. Isso significa que qualquer outro líder precisará conquistar os governadores da oposição para governar com eficiência. Caso a oposição venha a se unir para impedir uma nova nomeação, os escoceses correm o risco de precisar ir às urnas em uma eleição antecipada.
Pesquisas indicam que o SNP batalharia contra o Partido Trabalhista pelo controle do Parlamento, o que seus membros desejam evitar com a decisão de um substituto. Assim como Sturgeon há pouco mais de um ano, Yousaf deve permanecer no cargo até que um novo líder seja escolhido.

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