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Esquerda rompe jejum e vence eleições na França

segunda-feira, 08 de julho 2024

A coalizão de esquerda Nova Frente Popular (NFP) surpreendeu no segundo turno das eleições legislativas francesas, tornando-se o maior bloco parlamentar em uma França partida em três, segundo projeções de boca de urna, às 20 horas de Paris (15h de Brasília), após um pleito marcado pela ascensão da ultradireita, pelo forte comparecimento às urnas (67%, o maior desde 1981) e pelo temor de quebra-quebra. Até o fechamento deste conteúdo, a apuração dos votos ainda estava sendo realizada, mas as autoridades políticas francesas já davam como certa a vitória da esquerda.


Segundo o instituto Ipsos, a NFP tornou-se o maior bloco, com cerca de 200 assentos, seguido pela coalizão Juntos, do presidente Emmanuel Macron, com até 165 cadeiras, e pela antes favorita Reunião Nacional (RN), de ultradireita, com até 135 deputados. Antes, esses blocos tinham, respectivamente, 150, 250 e 89 deputados. Para outro instituto, o Ifop, os números eram de cerca de 182 para a NFP, por volta de 160 para os macronistas e 142 para a RN e aliados. Os resultados finais da eleição, realizada em sistema distrital e majoritário em dois turnos, devem ser conhecidos por volta de meia-noite em Paris (19h de Brasília).

Na França, ao contrário do que ocorre no Brasil, o segundo turno pode ter mais de dois candidatos. O segundo turno da eleição, disputada em sistema distrital majoritário, foi marcada por mais de 200 desistências de candidatos de esquerda em favor de candidatos do centro, e vice-versa, para tentar impedir a vitória de rivais de ultradireita. Essa manobra é conhecida como “frente republicana”. O resultado deste domingo, que surpreende também pelo número maior do que o previsto para a bancada do centro governista, indica que a frente republicana teve sucesso em barrar a ultradireita. Os números permitem também prever que a esquerda indicará o novo primeiro-ministro, sucessor de Gabriel Attal, 35, um pupilo do presidente. Há ainda, no entanto, indecisão sobre qual será o nome sugerido.

Jean-Luc Mélenchon, 72, líder do partido França Insubmissa, maior integrante da NFP, foi o primeiro a se pronunciar. Sem chegar a pleitear explicitamente o cargo de primeiro-ministro, pediu a renúncia de Attal e anunciou que não quer coalizão com os macronistas. “Saúdo aqueles que se mobilizaram, porta a porta, para convencer e arrancar um resultado que diziam impossível”, disse um dos líderes da NFP, Jean-Luc Mélenchon, do partido da esquerda radical França Insubmissa. “Nosso povo descartou a solução do pior. É um alívio para a maioria das pessoas em nosso país.” Ele também defendeu a revogação da reforma das aposentadorias imposta em 2023 por Macron, passando a idade mínima, de modo geral, de 62 para 64 anos.

O presidente da RN, Jordan Bardella, afirmou após a divulgação das pesquisas boca de urna que Macron e Attal “jogadram a França nos braços da extrema-esquerda”.
“Privaram a França de qualquer resposta a suas dificuldades cotidianas. Os arranjos eleitorais entre um presidente isolado e uma extrema-esquerda incendiária não levarão o país a lugar algum. A pergunta é: o que eles vão fazer? Mas um vento de esperança surgiu e ele nunca mais vai parar”, disse Bardella.

Governo brasileiro
A projeção de vitória da esquerda nas eleições parlamentares deste domingo na França foi comemorada por lideranças do governo Lula no Congresso Nacional. O deputado José Guimarães, vice-presidente do PT e líder do governo na Câmara dos Deputados disse que a eleição marca um “triunfo significativo” para a coalizão de esquerda e centro no país europeu. “os eleitores franceses reafirmaram seu compromisso com os valores democráticos, defendendo o país contra o neofascismo. Esta união do mundo democrático reflete uma resistência coesa contra forças que ameaçam os pilares do estado democrático de direito”, disse nas redes sociais.

O líder do governo Lula no Congresso Nacional, senador Randolfe Rodrigues, também comemorou a vitória da esquerda. “Vive la France! Vive la République! Vive la Democratie!”, publicou nas redes sociais. Já o deputado federal e ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, destacou que a eleição francesa impediu a extrema direita de chegar ao poder. “Bora formar um governo progressista na França!”, sugeriu. (Com Agências)

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