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“Eu não faço a defesa do Putin”, diz Lula em Genebra

sexta-feira, 14 de junho 2024

O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, negou, nesta quinta-feira, 13, que defenda o seu homólogo russo, Vladimir Putin, diante da guerra que está sendo travada entre Rússia e Ucrânia no leste europeu. “Eu não faço a defesa do Putin. O Brasil foi o primeiro país a criticar a Rússia pela invasão da Ucrânia. O que não faço é ter lado. O meu lado é a paz. O meu lado não é ficar do lado do Zelensky contra o Putin, ou do lado do Putin contra o Zelensky”, disse Lula em Genebra, na Suíça, enquanto justificava o motivo pelo qual não aceitou participar da Cúpula que discutirá a paz em território ucraniano, mas que não contará com qualquer representação russa.
“Nós não participamos da Cúpula da Paz porque eu tinha mandado uma carta para a presidenta [da Suíça, Viola Patricia Amherd] explicando que o Brasil não vai participar de uma cúpula que só tem um lado”, reforçou o chefe do Executivo nacional sobre o encontro que está marcado para acontecer ainda neste fim de semana em solo suíço. A reunião dispõe de total apoio da Ucrânia e dos aliados do Ocidente. “A guerra está sendo feita por duas nações. Ou seja, se você quiser encontrar a paz, você tem que colocar os dois numa mesa de negociação. Se você colocar só um lado, você não quer paz. Na verdade, você não quer paz”, argumentou o brasileiro.
Os organizadores da Cúpula justificam a falta de convite ao presidente Putin por ele supostamente não ter interesse em negociar uma paz justa, além de considerarem que foi a Rússia a nação responsável por dar início ao conflito militar em fevereiro de 2022. “Eu disse para a presidente da Suíça que o Brasil tem todo o interesse, que estamos à disposição e que já conversamos com a China [sobre uma proposta de paz]”, afirmou Lula, acrescentando que, em recente ligação com Putin, mostrou “a necessidade da gente encontrar uma solução, sentar numa mesa de negociação e parar de matar para que as pessoas comecem a trabalhar”.
O presidente brasileiro foi questionado sobre a possibilidade de um acordo de paz que conceda a anexação formal dos territórios ucranianos que são reivindicados pela Rússia, mas evitou opinar diretamente sobre o assunto. “Eu não sei. Eu acho que tem que ter um acordo. Agora, se o Zelensky diz que não tem conversa com o Putin e o Putin diz que não tem conversa com o Zelensky, é porque eles estão gostando da guerra. Porque, senão, já teriam sentado para conversar e encontrar uma solução pacífica”, disse. “Qualquer solução pacífica mata menos gente, destrói menos e é mais benéfica”, pontuou.
É importante lembrar que o representante do Brasil já esteve no centro de polêmicas envolvendo o conflito no leste europeu, como quando afirmou que os Estados Unidos deveriam parar de “incentivar” o conflito. Em outro momento, nos Emirados Árabes Unidos, Lula declarou que a decisão da guerra “foi tomada por dois países”, gerando um mal-estar diplomático com os ucranianos. O Ministro de Relações Exteriores da Ucrânia, Oleg Nikolenko, por exemplo, considerou que a fala colocava “vítima e agressor na mesma balança”.
O Brasil sempre defendeu que a Rússia deveria participar de qualquer reunião que objetive discussões sobre a guerra contra a Ucrânia. Moscou, por sua vez, já indicou não ser contra os esforços para o cessar-fogo, mas mantém-se firme quanto à decisão de não participar do encontro na Suíça, por acreditar que tal nação abandonou sua histórica posição de neutralidade.

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